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Maniac – S01E03 – Having A Day

“Quando um drogado morre, você considera suicídio?”.

Reviver um trauma não deveria ser para ninguém uma experiência prazerosa, mas às vezes, ela é tudo que nos resta. E de muitas maneiras vimos isso em “Maniac”. Otimistas tentam tirar o melhor das piores situações, no entanto, quem já não tem mais nada a perder, isso não importa.

Ainda temos muitas respostas a serem respondidas, mas acredito que esse terceiro episódio veio para nos encaixar melhor no que estamos realmente assistindo. Já somos capazes de entender – na medida do possível – do que se trata o experimento, e temos um background mínimo dos nossos dois protagonistas.

Algo que notei durante esses 40min foi a iluminação dos closes na Annie. Não sei se vocês notaram, mas quase sempre que a câmera focava nela, a iluminação clareava um pouco. E confesso que passei a maior parte do tempo me questionando o porquê, até cheguei a pensar que poderia ser minha tela, haha.

Mas no fim, acho que encontrei um padrão (oi, Owen). Já colocando o carro na frente dos bois, eu vou avançar rapidamente para o final do episódio, só para contexto mesmo. Pois bem, momentos antes de iniciar a fase da pílula B do experimento, a Dr. Fujita diz: “vamos iluminar alguns pontos cegos”. E foi aí que me veio uma luz (desculpem, lol).

Não posso afirmar com certeza, mas vale jogar a teoria no ar. A Annie entrou no experimento por meio de uma fraude, ela não deveria necessariamente estar ali. Logo, ela pode ser um ponto cego no sistema. E talvez, o diretor tenha tido a intenção de deixar isso subliminar para nós, com o auxílio dos jogos de luzes.

Não dá para negar que os detalhes dessa série são super importantes. Desde o episódio piloto nós vemos pequenos detalhes contanto sub-histórias seculares. Esses detalhes, se percebidos, vão nos situando melhor no contexto da série e vão dando mais sustância ao desenvolver do plot.

Outro ponto notável, as formas de lidar com perdas. Annie perdeu sua irmã, inesperadamente e sem ter tido a chance de consertar a relação entre as duas. Ela sente satisfação em reviver o pior dia de sua vida, pois ao menos, tem a chance de rever sua irmã. Ela não consegue seguir em frente, ela está presa num ciclo que jamais termina. Quando ela finalmente decide tentar, algo inesperado acontece e a desafia a continuar em seu espiral. Felizmente, ela não cede.

E daí temos Owen. Uma forma um pouco distinta de perda, mas ainda assim uma perda. Ele sempre teve dificuldade para se encaixar na sociedade, sempre teve dificuldade de fincar os pés na realidade. E todas as pessoas que ele já amou, escaparam por suas mãos. Foi assim em suas duas lembranças traumáticas. Tanto com a noiva de seu irmão, quanto com a namorada contratada pela família. Os traumas, por sua vez, o levou a perder-se de si mesmo. De não só pensar, como tentar suicídio.

E não menos importante, GRTA (a A.I. que controla o experimento) também perdeu algo. Como já percebemos anteriormente, esta Inteligência Artificial parece ser capaz de não apenas pensar, mas também de sentir. E ela sente a notícia do falecimento do Dr. Muramoto, ela chora. Esse pixel de lágrima, surrealmente toma forma física e pinga nos interruptores de Owen e Annie, os unindo num só. O que provavelmente explica os constantes cruzamentos virtuais que eles irão experienciar daqui pra frente.

E ainda no âmbito da GRTA, vocês também sentiram uma vibe meio “Her” (2013) entre ela e o tal Dr. James? É difícil imaginar que aquela cena de sexo virtual entre James e a personagem de pixel tenha sido por acaso, ainda mais quando a série já nos mostrou diversas vezes como é autoconsciente e apegada à detalhes. Então, é de se imaginar que, possivelmente, deve ter havido algum tipo de relação afetiva entre o doutor e a máquina. Talvez, possa até ter sido a razão de seu afastamento do experimento.

Ainda não sabemos no que a mistura das pílulas resulta (“A+C” em excesso, overdose, pelo visto), nem sequer vimos os efeitos da pílula C (ou mesmo a B, porque só vimos o início de UMA simulação), mas se os dizeres dos cientistas envolvidos forem sinceros… Eles acreditam que todo tipo de dor pode sumir, que as pessoas podem ser “consertadas”. Mas, será mesmo? O perigo de tentar desvendar a mente, é que quase sempre acabamos caindo nas nossas próprias armadilhas.

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Luana Medeiros

Sinceramente, não sei mais há quanto tempo estou nesse site? Mas olha, faz um bom tempo! HAHA. Atualmente cuido mais de reviews de realities musicais, mas também faço meus corres nos seriados, porque a vida é isso aí! Tenho 24 anos, sou formada em rádio/tv/internet, e nas horas vagas vocês me encontram por aqui! ;)

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