Quebrando a quarta parede

Se preparando para a reta final de seu segundo ciclo, Mr Robot vai juntando os elos para um ponto de colisão. Quer dizer, continuamos tão perdidos quanto os personagens no quesito rumo, Elliot não sabe para onde ir sem Mr Robot, Darlene não sabe para ir sem Elliot, Angela prestes a se entregar por falta de saída, só Dom e Pryce parecem confiantes e obstinados em suas direções, assim como Sam Esmail, que de semana passada para cá não nos esclareceu nada a mais do que já apresentado sobre a fase 2 ou Tyrell. Pelo contrário, confiante no taco, só deixa mais perguntas pelo caminho. Lost feelings.

 Começamos com uma negociação de Pryce e Colby, agora best seller na Amazon com um livro de título bem irônico, tendo o intuito de ceder um país da África a China. O que tem por trás disso ainda não sei, fico como Colby, a espera de uma resposta que vem em forma de história, a busca de Pryce pelo poder absoluto onde quer que ele chegue. Parece exagero um país ser negociado assim, mas como bem explicou Pryce isso é a história, troca de linhas imaginarias, e num mundo onde 1% das pessoas dominam 99% da riqueza, não é difícil imaginar esses donos do mundo, como são chamados por uma deliciosa matéria da Super Interessante (estando TRÊS brasileiros no top 40 não venha me falar que há distribuição igualitária aqui) negociando a vida de milhares de pessoas, já que a decisão de investir ou não em determinado setor lugar afeta toda a economia global. Em suma, essas pessoas decidem tudo de nossa vida e nem conta nos damos.

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Quem agora sabe não ser tão poderosa assim é Darlene. Prestes a cometer a crueldade de deixar seu companheiro morrer, ela leva um merecido acorda de Cisco, personagem que eu nem importava, mas me deixou em amores pelo banho de realidade e intimidade de chegar bebendo refri dos outros sem ter pedido um. Pena que talvez esse tenha sido seu último episódio, a tentativa de humaniza-lo só serve para nos deixar mais tristes com sua execução. Foi lindo ver Darlene se abrindo como em poucas vezes o fez. Sua busca pelo mundo diferente começou desde pequena, e assim como esse novo mundo que ela ajudou a criar não corresponde bem ao almejado, o seu devido ao sequestro também podia ser bem frustrante. Afinal ela não teria Elliot.

Elliot também não conseguiu mudar o mundo do jeito que queria, vide sua constatação no carro ao ver todo aquele caos implantado. Fato é que nenhuma mudança é fácil, e se queremos obter frutos melhores, temos de estar dispostos a sofrer a adaptação e consequências da ruptura. Não vai ser fácil, nem rápido, é um longo caminho de transformações e aprimoramentos.

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Cheguei a comentar aqui review passada que com Joana à porta de Elliot essa semana teríamos o desfecho de Tyrell. Ledo engano. Mais enrolação dúvidas. Quer dizer, obtivemos um endereço, que nem sei o que pensar de tão confuso. Pois para ser um canto tão próximo, dificilmente Tyrell estará escondido ali. Não sei. Mas acho bem difícil. Volto a pensar que ele morreu e Mr Robot que estava alimentando Joana de esperanças. Pode ser qualquer coisa. Estamos num ponto que essa descoberta pode levar a outras impensáveis possibilidades daqui para frente ou ser só uma pegadinha. Estava na cara o tempo todo, nós que colhemos os sinais e cremos ser algo maior. Será que vem próxima semana? Não aguento mais esperar. Interessante notar que quando Elliot recebe a ligação, ele se vira, procurando Mr Robot que sumiu, e perguntando se nós também ouvimos o barulho da ligação, para logo atrás aparecer um cartaz escrito NO.

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O momento mais enigmático, e diria também inovador, vem sem nenhum personagem em tela. Com Mr Robot sumido, Elliot perdido nos pede ajuda para encontrar o que o ele tanto queria no apartamento. A câmera sobe, se afasta, dá um giro na ap, a procura de alguma pista que não vista pelo próprio. Essa linha de nos espectadores com a trama já foi quebrada outras vezes na série, até tivemos um banco reservado no jantar dos amigos de Elliot, mas aqui somos pegos participando da procura com Elliot, não que pudéssemos contar a ele acaso descobríssemos, mas ter um destaque e papel ativo só faz quebrar mais as barreiras que nos separam da trama, não estamos mais removidos, olhando apenas para onde é mandado. Fomos pegos na história de Elliot, não ele na nossa.

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Angela já aprendeu que não dá para confiar em Mr Robot. Quando ela pergunta por que ele fez isso, recebe um eu não quis te envolver. Nem Elliot sabe porque fez isso. A cena do beijo entre os dois foi linda e mais que esperada. Poucas series seguram tanto para soltar o primeiro beijo de seus principais, o foco aqui não é esse. Não tem muita romancidade rolando entre os dois para ser casal, na primeira era aquela coisa de leve, mas hoje linda e fortemente no impacto, não na intensidade, saiu. Respirei aliviado, grato e feliz. Saiu. Eles mereciam. E talvez essa seja a única oportunidade já que o caminho trilhado por eles será bem diferente daqui para frente. Ou nem tanto, supondo ela como grande plano de Pryce, não acho que os dois homens que a bloquearam no final sejam seus mártires. Angela trabalhou demais essa temporada para ser descartada e aquele beijo ser o de despedida. Espero ainda vê-la envolvida no final com uma unicidade na trama.

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Unicidade esta que vem se delineando. Com muita luta e perspicácia Dom chegou a Cisco. Ver ela passo a passo cada vez mais perto dos dois foi arrepiante. Eu só gritava corre e torcia para Darlene estar no banheiro ou fugir dali quando ela chegasse. Ainda é obscuro o que aconteceu lá dentro durante o ataque da Dark Army, mas aposto em um Cisco morto e Darlene presa, mesmo sem nada que a incrimine. Sabemos que Dom não é fácil de render o osso, e esse ela só vai soltar quando chegar ao cerne, ou seja, Elliot. No passado ela chegou em Angela, nesse em Darlene, será ele o próximo? Ansioso para ver como isso se desdobra. O que sei por enquanto é que passaremos por tempos escuros.

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Encerrando o Windows: Para não deixar o mundo da programação de fora dessa vez Elliot invadiu o sistema de polícia, e como eu tinha lido que os hack dessa season seriam baseados em casos reais não deixo de me perguntar quão isso já foi usado.

Encerrando o Windows 2: Joana pagando a cota de esquisitice psicopata que ela já é acostumada contando a Elliot sobre a mulher que ela mandou Tyrell conquistar só para obter os brincos. Sua abertura a um rock pesado foi fantástica e tem como referência uma das melhores introduções já vistas pelo filme Funny Games. Sam Esmail ama um bom cinema. Link aqui.

Encerrando o Windows 3: Segundo Pryce só existem duas pessoas mais poderosas que ele. Quem seriam? Elliot e Whiterose? Elliot e Mr Robot? Chutes?

Encerrando o Windows 4: Você pode conferir a maravilhosa matéria da Super que citei aqui. Leitura recomendadíssima e essencial.

 

Robson Abrantes
Robson Abrantes

Estudante de engenharia na semana, escritor wannabe nas horas vagas e sonhador integralmente. Nem de exatas nem de humanas, renascentista. Morando em Campina Grande. Reinventando-se desde 92. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. Teve seu 1º contato com o mundo das séries nas madrugadas do SBT, e ainda segue agarrado a esse vício.
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