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Mr. Robot – S03E01 – eps3.0_power-saver-mode.h [Season Premiere]

Mr. Robot está de volta para mais uma temporada com grande responsabilidade nas costas. Depois de uma primeira temporada impecável, a segunda não conseguiu segurar o nível, tivemos ep excelentes sim, mas levando em conta o todo, nem tanto. Essa terceira temporada é decisiva para mostrar se Mr. Robot tem calibre para ser uma das grandes séries, toda bem elaborada do começo ao fim, ou se será apenas mais uma Prison Break, de primeira temporada melhor, e as demais, qualquer coisa.

Com isso em mente, será que essa première cumpriu bem o quesito apresentar trama e dar uma amostra do que de novo está por vir? Hum… em parte. Alguns vícios da temporada passada persistem aqui e basicamente nada de maior nos foi apresentado. Por partes.

O ep se sucede exatamente onde paramos no fim da passada. Elliot tentando impedir o estágio 2 de explodir a Evil Corp acaba baleado por Tyrell ao descobrir que ele é real. Um detetive nos é apresentado, assim como a lanchonete Red Whell Barrow que apareceu o ep inteiro. Ele que arruma doutor e a recuperação do Elly. Não sei o quanto estou interessado nesse novo membro da corporação, o último que tivemos, Phillip, entrou e foi sem provar a que veio. Então é aguardar para ver.

Whiterose deu as caras só para mostrar o quanto está interessado em usar a raiva de Elliot em seu proveito para depois simplesmente descarta-lo. Nenhuma novidade até então. Conhecemos ele/ela não de hoje. Seu tempo, além de meticulosamente contado, já foi mais bem utilizado antes.

Algo que já cansou foi essa luta mental de Elliot. Tá certo que ele é esquizofrênico de dupla personalidade e não há como fugir disso, mas sua batalha interior parece não avançar. Ele não cede e abraça seu outro alter ego, nem consegue vencê-lo. Está preso nessa, e sei que deve ser difícil, mas gostaria de ver essa fase superada e talvez ver Elliot indo de vez no plano pós-revolução. Se é por culpa e moral de matar inocentes, ele devia saber de antemão que não se faz revolução sem sangue. Muitos vão morrer até que o novo regime seja estabelecido e instaurado. Faltou ler uns livros de história, um 1917 aí, antes de entrar nessa.

Sobre o estágio 2, tanto falado na temp passado, continuamos sem saber ou entender bem o seu porquê. O que é essa revolução, qual o objetivo final, como chegar até ele. O panorama geral continua vago e sinto que pouco foi apresentado, recebemos migalhas, que não chegam a ser suficientes para saciar e empolgar.

Alguns dos elementos que nos fizeram amar a série estão de volta, como os discursos monólogos políticos sociais filosóficos de Elliot recheados de imagens de um mundo capitalista caótico. Porém, mais uma vez a formula parece desgastada. A inserção não foi natural, meio que jogada no meio, com o intuito de não perder o toque anarquista. O texto deu voltas e voltas, atirando para todo lado e tipo de tema, sem fixar ou aproveitar bem nenhum. Mais preparo e coesão não fariam mal na próxima vez que usarem o recurso.

A direção e roteiro ficou por Sam Esmael, mais adequado realmente para o trabalho, por saber onde que tudo vai parar. Sua câmera continua ágil, com movimentos acelerados e giratórios, que podem incomodar um pouco pela sensação de perdido e tontura que causam. Os tons escuros em sua palheta contribuem para dar aquela atmosfera pesada urbana que estamos acostumados.

A trilha sonora como sempre on point, e destaque para a escolha final do hino Touch do Daft Punk (melhor música da década sim). Primeira vez que a ouço como pano de fundo, e tinha dúvidas de como ela poderia ser usada em casos assim, pois o que ela tem de dreamy, tem de inconstante, com variações de calma futurística para jazz alegre. Valeu, mas não foi dessa vez. Quer dizer, foi maravilhoso de ouvi-la e acompanhar suas flutuações no decorrer da cena final, contudo, ela se tornou distrativa na atuação de Angela, que pedia um momento mais intimista, cru, em sua abertura emocional. Como a atuação dela deixou a desejar, pode-se dizer que a música supriu uma lacuna.

Sobre Angela e sua dualidade de atitude, não consigo condena-la. Já sabíamos que ela tem um cold bitch inside capaz de fazer de tudo para conseguir o que quer, o que diminui um pouco o estranhamento de “isso não é condizente com sua personalidade”, e apesar de sua decisão de enganar um mentalmente incapaz não ser correta, não posso deixar de apoia-la em certo sentido. Aquele plano desde o começo é de Elliot (mesmo que não o próprio, de uma parte interior sua), ela só está o ajudando a terminar. Alguém mais consegue ver como ela guiando um amigo?

A cena de encontro dela com Mr. Robot foi bem buga a cabeça por um momento. Um diálogo antes ela havia comentado a possibilidade de terem os pais de volta, no outro o cara morto aparece. Claro intuito de nos deixar “será que ele está vivo?”. Mas como esperado não passava de uma representação da outra personalidade do Elliot. Boa tentativa Sam. Acho que daqui para frente podemos esperar Mr. Robot tomar de conta do plano real mais frequentemente.

Espero que deem uma amenizada nesse complô teoria da conspiração e luta mental de Elly para focarem mais no concreto pós revolução. Sam não seguiu seu próprio conselho de dar um time maior no intervalo de uma temporada para outra (podendo voltar assim com novas ideias e consequentemente qualidade melhor), o que pode ser arriscado nessa season decisiva para os que pretendem seguir em frente e os que não. Capacidade tem, agora é só esperar para ver o que saí desse mais novo ciclo de Mr. Robot.

Desculpem a demora na review, semana de mudança sem net dá nisso. E vocês, o que acharam? Quais expectativas? Ansiosos por essa nova temp? Abraços e até a próxima.

P.S.1: Passando só para dizer que não esqueci de Darlene, maravilhosa como sempre, e apesar de aterrorizada perseguida pelo DA, não vai ficar fazendo favor serviço para macho escroto.

 

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Autor

Roz

Engenheiro por formação, escritor wannabe por obrigação. Nem exatas, nem humanas, renascentista. Reinventando-se. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. De Pepita a Bowie. De 80s cheese a Sopranos.

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