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Mr.Robot – S04E10/11 – 410 Gone/eXit

A verdade sempre esteve diante de nossos olhos?

Mr.Robot nunca foi uma série fácil e simples de ser consumida. Sua complexidade narrativa se expande em uma crescente imensurável, tornando o show um dos melhores elaborados nessa década. A produção da série faz questão de tornar esse um show denso de se consumir, já que cada detalhe aqui pode, e com certeza vai fazer a diferença no nosso entendimento. Como eu já reforcei diversas vezes aqui, a quarta temporada trouxe uma configuração diferente para o tv show, em que Sam Esmail experimentou dos mais diversos recursos para criar uma narrativa interessante sem fugir dos padrões da série. Mas não é de hoje que ele vem trazendo esses elementos que marcam um grande ponto positivo para a obra, já que desde a primeira temporada o diretor ousava em mesclar esses elementos complexos para tecer sua narrativa.

E é nisso que podemos basear a essência do show, como uma grande peça experimental que traz os dilemas de um homem confuso e afetado pela sociedade predatória. Acompanhamos desde o início a visão de Elliot sobre o mundo e sobre as pessoas, percebemos como ele trata e chega a desprezar (como o próprio afirma no episódio onze) a sociedade. Apesar de toda temática tecnológica, Mr.Robot em sua essência sempre trouxe um grande debate filosófico e social em torno da sociedade, do bem e do mal, da ética e moral, dos valores e conceitos que nós temos mediante a nós mesmos enquanto pessoas.

Essa review é apenas um apanhado do que eu senti vendo a série, e mais especificamente esses dois episódios. O décimo, que é focado em Darlene e Dominique, traz algo que vimos poucas vezes durante a série: a felicidade. O amor que as personagens sentem uma pela outra, e também o amor para com o próximo, o que é conflitante. Elliot despreza a sociedade, mas o mesmo assume uma postura de justiceiro e luta pela igualdade social. Podemos então dizer que ele, e creio que isso se estende também até sua irmã, desprezam aqueles que fazem mal à sociedade, os super ricos que destroem o mundo em que vivemos. Podemos ver que a felicidade é genuína quando Darlene finalmente dá a cartada final, fazendo com que todos recebam de volta aquilo que antes havia sido roubado deles. É um momento muito único na série, e que vimos pouquíssimas vezes na trama, como eu já disse.

Entretanto Mr.Robot também é uma tragédia grega (podemos confirmar isso com o sétimo episódio dessa temporada) e é de se esperar que as coisas nunca acabarão bem, assim como aconteceu no desenrolar da trama de Darlene e Dom. Foi uma decisão difícil sendo tomada mediante a um momento tão diferente que a produção decidiu seguir, e é aí que percebemos as nuances e experimentações de Sam.

Mas afinal, o quanto Elliot é uma pessoa afetada? Até onde é real tudo o que nós vimos pelos olhos de Elliot? Como eu já disse, sabemos que o protagonista tem a capacidade de alterar a nossa perspectiva facilmente. Ele criou alguém que o segue desde que era novo. Vimos ele criar um verdadeiro ‘show’ em sua mente, contando com a presença de toda sua família. Vimos ele mudar a realidade enquanto estava preso, e agora, mais uma vez vemos Elliot fazendo algo estranho, que pode nos levar a crer que mais uma vez, que aquilo que estamos vendo não é a realidade. Mas o que é real? O conceito de Matrix talvez se enquadre muito bem aqui. Uma realidade ‘alternativa’ nos é mostrada após o fim que Elliot enfrenta contra Whiterose. Essa realidade é aquela que, à primeira vista, é tratada como a ideal. Elliot é uma pessoa com um bom emprego, vive bem, tem um ciclo social bom, e o mundo ao seu redor também está ajustado aos moldes, com as empresas, no caso a ‘F Corp’ dominando o mundo, mas não de forma predatória.

Mas Elliot seria capaz de criar algo tão complexo assim? Ou na verdade tudo isso é uma ficção, e Mr.Robot é algo além de um drama tecnológico? Creio que são os detalhes que nos puxam para a ‘realidade’ mostrando que tudo isso é uma criação da mente de Elliot. As horas, os números realocados, a ausência / presença de personagens que mostram o que é real e o que é a ficção (Darlene e Tyrell são exemplos).

Por toda complexidade, me atenho a ficar nas especulações, mas creio que Sam Esmail irá fazer um belíssimo trabalho no final dessa série, agora nos resta esperar para saber como esse grande gênio In Sam Esmail we trust, irá determinar o fim emblemático dessa grande e complexa trama.

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Ricardo Souza

Tem gente que diz que sou um amorzinho, eu digo que sou um trouxa. Viciado em maratonar séries e ficar na bad depois de assistir tudo em um dia. Amo muito música indie, quando quiser me chamar pra ouvir Florence já sabe onde procurar. Mineiro do interior que não puxa o 'r' quando fala, mas adora um pão de queijo.

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