Tudo pelo corpo.

Será possível que realmente se passou UM ANO desde que nos vimos na Penitenciária de Litchfield, com seus beliches sem colchão, sua estufa de jardim cheia de segredos e o império de calcinhas de Piper? Se você é como eu, engoliu a season 3 de OITNB mais rápido do que se pode dizer “Nicki Nichols” três vezes, hahahaha. Dizer que a S3 da série foi fraquinha é um grande eufemismo; mas, se há uma vantagem nisso, é ainda ter deixado frescas em nossas mentes as lembranças de todos os plot twists ocorridos na série. E agora vem a tão esperada Season 4! O que mudou? Quem voltou? O que os ratos dos bueiros de Litch têm para nos contar? Confira conosco na nossa première review!

Bem-vindo de volta a Litchfield, onde começamos esta quarta temporada de OITNB. A estreia começa exatamente onde paramos: A maioria das detentas não estão na prisão, tendo escapado através de um buraco na cerca e ido para o lago nas proximidades, para alguns momentos de relativa liberdade.

Sob várias óticas, parece apropriado para a season começar com uma grande sequência que introduz todos de volta para os fundamentos da prisão. É como um show sobre o ensino médio começando mais uma vez no primeiro dia de escola: novos começos e reentradas para todos nós. E como todo ensino médio, há sempre um vagabundo que parece apenas nunca começar na mesma página como todos os outros. Neste caso, é a própria Piper, de mocinha “ah, eu não deveria estar aqui” para “Litchfield Gangsta”.

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No entanto, a transição suave da terceira para a quarta temporada, que substitui deliberadamente a lacuna narrativa entre as seasons, pode sinalizar uma falta semelhante de impulso – algo já visto em OITNB no ano passado. Ele imita a forma de como muitos seriadores vão ver essa série na Netflix: final da terceira temporada às 21:07, iniciar a quarta temporada às 21:09 – mas não necessariamente incentiva uma linha de história forte. Exemplo: Judy King aparece numa visão de Luschek com toda a surpresa daqueles palhaços que pulam de uma caixa, mas o momento é cortado a partir de onde você não se lembra quem é ela ou o que ela está a fazer ali. O que deveria ser uma cereja hilariante no topo de uma torta de prisão caótica, em vez disso, parece a sensação horrível na qual você está numa festa, alguém te reconhece, e você não tem memória alguma para se lembrar quem é. Este é um problema de curta duração, é claro. Deixar de lembrar o nome de Maureen não vai impedir você de assistir outro episódio. Ainda assim, vai ser decepcionante se essa transição com cenas tão bem cuidadas for mais um motivo para desmotivação em assistir a season.

Bom, né… se houver um candidato para um arco de narrativa longa, Work That Body For Me já nos mostra que o problema inicial dos que arrastamos da season passada pra cá é a superlotação de Litchfield. Após a equipe de segurança máxima aparecer para colocar as detentas de volta dentro da prisão – e fazer todo o resto da guarda regular parecer um bando desorganizado de desajustados –, a tripulação OITNB original vai ao refeitório, a contemplar a hora de novatas adequadamente laranjas do outro lado da parede. Apesar de que todas as ramificações da questão da superlotação ainda não terem sido expostas, eu não tenho dúvidas de que o inconveniente (levemente divertido, admitam) do café da manhã às 4:30 não será o fim de tudo.

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Em meio a todas as conversas back-to-school do refeitório e os sinistros beliches novos, há algumas histórias individuais que foram bem notáveis nesta première, para minha admiração. Ao invés de se estruturar com os flashbacks focados em um único personagem, o episódio nos dá uma coleção de histórias menores e mais atuais. Ganhamos as experiências assassinas de Alex e Lolly na sua fertilização experimental das plantas da estufa, o plano de fuga abortado de Crazy Eyes e Maureen e a chegada de Sua Majestade, Judy King.

OITNB pode ficar um pouco perdido no mato, preferindo passar o tempo ao longo de caminhos menores inesperados com novos personagens secundários em vez de desenvolver as histórias mais importantes que já possui. O legal é que a Netflix já utiliza isso como uma característica que muitas vezes trabalha em benefício da trama, especialmente na forma como ela apresenta diversas faces e perspectivas – mas também pode ser uma armadilha, como alguém que sempre remodela um texto que está escrevendo, mas nunca o termina.

Mas hein… quando isso funciona, isso REALMENTE funciona muito bem. As três subhistórias no episódio são uma excelente demonstração dos diferentes tons e humores que uma série de drama e comédia pode abraçar. A questão de Judy King é uma mistura clássica de cinismo e patetice, própria de OITNB. Quando ela aparece para cumprir sua sentença, ela encontra o lugar todo em alvoroço, e acaba saindo com Luschek enquanto esperam que as coisas se acalmam, dando um adeus ao namorado que a trouxe. Os superiores entram em pânico quando descobrem que ela está na prisão, e Caputo luta para caminhar sobre a tênue linha entre tratá-la bem e não tratá-la tão bem assim. É exatamente o tipo de história que a série ama contar sobre política prisional: atenção histérica sobre uma questão pequena enquanto todo o resto do lugar desaba.

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Com a bufonaria de Judy King agitando a história em uma das extremidades da trama, a história de Crazy Eyes e Maureen permite o swing do episódio na direção oposta de tom. Assim que o alarme soa e todo mundo se embaralha de volta para a prisão depois de seu passeiozinho no lago, Maureen (aparentemente mergulhada no País das Maravilhas) instiga Suzanne a fugir com ela. Elas tropeçam em algo de uma construção abandonada no meio da floresta, e Maureen continua tentando iniciar um jogo com a garota, que a própria Crazy Eyes quer jogar, mas não consegue aceitar. Se Judy King é o humor direto, Suzanne e Maureen são o doce, triste e assustador contraponto. A carência de amor e aceitação da nossa Crazy Eyes é cortada pela visão duvidosa de Maureen sobre a realidade, e tudo isso é destacado pela conhecida síndrome de Estocolmo que Suzanne tem em relação a Litchfield. Nada de bom poderia vir de sua fuga.

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Enquanto isso, falemos sobre a paleta de tons de OITNB: humor, cinismo, sátira e doce tristeza. Na história de Alex, nós temos um pouco de tudo isso e mais. O aparente assassinato cometido por Lolly em quem quer que tenha atacado Alex é repentino, violento e, de fato, como boa parte da violência nesta série. É assustador, mas rapidamente muda para uma sobriedade absurda com a qual elas têm que lidar, ao mesmo tempo, com o corpo e com o bagre do Kubra. Em um episódio com bastantes linhas engraçadas, a melhor, obviamente, é Lolly tentando mentalizar Alex e uma bela nude para Kubra. Quando Alex retorna para o galpão para tentar lidar com o cadáver, o tom muda novamente: Lolly não chegou a matá-lo, e Alex agora tem que terminar o trabalho. De alguma forma, estaria certo para Lolly matá-lo para defender Alex, mas para esta, sentando montada neste homem incapacitado e tentando sufocá-lo com papel higiênico, é algo doloroso.

E então, mais uma vez, uma mudança. Freida descobre o corpo na estufa e traz um olhar deliciosamente pragmático para o problema. Por que perder seu tempo cavando um buraco de seis pés de profundidade quando se pode cavar seis buracos em um pé? Assim, a morte é horrível e traumatizante, enquanto a matemática assassina é alegre e hilariamente sem sentimentos.

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Este não é um nocauteante episódio de estreia, o que é bom. OITNB normalmente precisa de um pouco de tempo para tornar fácil entender sua estranheza e construir suas principais tensões narrativas. Eu simplesmente estou feliz por ver todas novamente e me lembrar do quão engraçado e agradável essa série pode ser. Algo é evidente, portanto, nesta première: Orange Is The New Black é mais definida em pequenos momentos do que por suas histórias maiores. Esses momentos menores são tão inesperados, e ilustram uma gama atmosférica tão notável, que é difícil criticá-los de início. Então, vamos começar a Season 4, detentos! Alguém quer se juntar a mim e a Suzanne no café da manhã antes da manhã?

Henry Kapranos
Henry Kapranos

Se quiser falar de amor, fale com o Marcinho. Comigo você vai falar sobre reality shows, pop trending e cultura de gênero.
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  • oscar

    estoy confundido nunca he oído hablar de judy king antes

    • Henry Kapranos

      ¡Hola, Oscar!
      Judy King es una nueva interna en Litchfield, y va que por eso es que nunca había usted oído hablar de ella antes.
      Pues bien, la inicial “promesa” es que hay una competencia entre ella, Red y Gloria, lo que agrava todavía más la diferencia que existía entre estas dos.
      Entonces, acompañamos a ver qué pasa, jajajaja.

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