Um fantasma do passado retorna à vida nova.

OITNB gosta de trazer episódios assim, velozes e envolventes, que culminam com cenas absurdamente chocantes como o final deste: a descoberta de uma mão enterrada pertencente ao guarda assassinado.

Parabéns à série por não ser dolorosamente óbvia em sua direção: foi surpreendente o modo de como o enredo do curso de construções e o cadáver enterrado se entrelaçaram. Em retrospectiva, era algo evidente que as coisas seguiriam esse caminho, mas minha ansiedade era que ele ainda não tinha chegado.

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As racistas estão ainda sendo racistas. Embora Piper tenha deixado um pouco de lado seus modos brancos, Skinhead Helen e suas comparsas ainda estavam agitando a temática racial – e um filme que elenca Michael Jackson como o espantalho mais espantoso do mundo era justamente a desculpa de que elas precisavam. Obviamente foi desagradável ver pessoas desrespeitosas arremessando injúrias raciais. Do ponto de vista dramático, porém, um quase-motim subiu deliciosamente a tensão.

Aleida está fora da prisão. O condenado que sai da cadeia mas não consegue se ajustar a um mundo cruel e indiferente é exatamente o que ela está passando, já que sai da prisão e encontra o mundo lá fora habitado por serpentes, pessoas ingratas e crianças lamuriosas. Pelo menos ela não sabe que sua filha Daya, ainda presa, assumiu o cartel de drogas com os dominicanos, para fora do salão de beleza.

Prosseguindo, na verdade, eu realmente não me importo mais se Nicky ainda está usando drogas. Agora que ela está de volta entre a população carcerária, a série não consegue decidir se ela é uma distração irritante ou uma tragédia em câmera lenta. Realmente, tudo é apenas uma desculpa para mostrar os instintos cruzados de Red e como ela tenta salvar sua amiga da heroína. Não é um objetivo indigno – mas realmente tinham que fazer isso de uma forma tão destacada?

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E adivinhem quem foi escolhido o novo malvado do ano? O novo guarda. Em uma cena verdadeiramente revoltante, a pobre Maritza teve de engolir um ratinho vivo. Violência sexual e tráfico de drogas são coisas que se esperam de um drama de prisão corajoso, mas isso parece mais com algo importado de um universo mais profundo e doentio.

Não se engane, caro leitor: o guarda que forçou Maritza a comer o roedor tem tendências sociopatas. Você sabe também que, não muito longe, isso terá consequências.

Henry Kapranos
Henry Kapranos

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