A mãe de todas as finales ♥

Existem duas Orange Is The New Black. Uma delas é a comédia irreverente, com piadas sobre odores corporais e produtos de higiene feminina; a outra é o drama devastador que desnuda o lado negro do sonho americano. Há pouca dúvida sobre qual das duas estava em ascensão neste ano, e ao final esse talvez tenha sido o episódio mais imbatível de todos. OITNB está se tornando a série que seus apoiadores sempre quiseram que fosse.

Por qual delas eu me interesso mais é difícil admitir. Se por um lado iniciei a quarta temporada aguardando algo que me lavasse mais a alma que a season 3, da qual admito que não fui muito fã, por outro lado às vezes eu não crio expectativas para que eu, depois, seja surpreendido por essa série que tanto amo.

Com o corpo na cantina confirmado, Poussey de fato não era mais para este mundo. Em vez de se lamentar sobre a perda, a série a usou como um trampolim. As detentas exigiram justiça; já os donos de Litchfield, a MCC, quis a todo custo defender a imagem essencialmente inocente de Baxter. No meio disso tudo, Caputo, que passou a totalidade do episódio suando em ansiedade. Ele atrapalhou seu caminho para a superioridade moral ao final da temporada – mas a que preço?

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Quer saber o que foi emocionante? A arma contrabandeada pelo torturador Humphrey estava agora nas garras suadas de Daya. E graças à tentativa de Caputo de apoiar Bayley e amenizar a morte de Poussey como um acidente, Litchfield fervia como uma insurreição. Prisioneiras e guardas se enfrentaram cara a cara, nesta temporada que tem sido irregular neste ponto, uma vez que comédia realmente não casa bem com todo tipo de situação.

O flashback de Poussey, por sua vez, foi estranho e hipnótico. Kohan com certeza se diverte escrevendo as histórias de fundo da série. A história passada de Poussey realmente foi uma jogada de mestre. Nós a conhecemos como uma jovem esperançosa prestes a partir para uma nova vida na Europa. Ela tinha passado seu último dia em NY festejando com drag queens e circenses em bicicletas que brilham no escuro – uma trupe de arte que ela encontrou no Brooklyn.

Isso só faz com que sua história parta mais meu coração. Ela fez referência ao incidente que vimos em um flashback passado, quando ela apontou uma arma para o chefe de seu pai por enviar seu exército para outro local a fim de quebrar o relacionamento entre Poussey e sua filha. Mas, como vimos, ela superou isso, e sua vida inteira pareceu à frente dela. E que o tiro final de Poussey olhando para Manhattan, contemplando sua vida por vir, foi devastadoramente agridoce.

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Orange Is The New Black odeia clichês – a menos que sejam produzidos pela própria série. Com uma Poussey sem vida sobre as telhas da cantina, o primeiro instinto da MCC foi relatá-la como uma criminosa perigosa. Quando isso não funcionou, os funcionários tentaram culpar a morte no “legal mas tão burro” Bayley. Sim, grandes corporações podem ser cínicas e incrivelmente desumanas – mas a falta de compaixão da MCC pareceu algo bem caricato e me trouxe para fora do drama. Não deu para acreditar neles, e de repente eu não acreditava mais e nada. Isso foi uma marca negra para uma série que sempre se posicionou contra estereótipos preguiçosos.

E sim, ainda estou processando o enredo de Pennsatucky. Seu estupro no ano passado arrastou a série para um lugar sombrio e solitário. No entanto, aqui há Pennsatucky dividindo um momento com o guarda que a agrediu. “Uma torrada não pode nunca ser pão novamente”, disse ela a Coates. “Mas eu gosto de conversar com você”. Então ela o beijou. É difícil saber o que sentir – exatamente o que os roteiristas queriam causar com isso.

Por fim, a relação Alex-Piper foi a parte mais fraca da temporada. Ao final elas estavam de volta a seus peguinhas no armário, depois de ter passado o dia removendo os rabiscos destinados ao guarda/assassino que Alex precisou fazer para que tivesse sua consciência um pouco mais leve. É um encontro bonito, mas que apenas se arrasta e se arrasta adiante, mas a química entre as personagens mais ostensivas da série até que não fracassa como costumava anteriormente.

A Netflix confirmou mais três anos de Orange Is The New Black, uma rede de segurança que tem dado aos produtores desta temporada a confiança para afastar os roteiros do que é convencional para a TV. Daqui a um ano, estaremos de volta para saber como vai o casamento de Lorna, o que realmente houve com Sophia, qual será o destino de Piscatella… e poderemos contar como fizemos para superar toda essa falta que OITNB nos faz em seus hiatus.

Até a season 5!

Henry Kapranos
Henry Kapranos

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