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Orange Is The New Black – S05E08 – Tied To The Traintracks

Um episódio centrado em Daya neste momento é o que todos esperávamos desde o começo da temporada. Amém, Jenji Kohan.

A escolha de criar uma temporada focada numa rebelião significa criticar como a série pode se tornar uma armadilha temporal. Parece que faz muito tempo que Daya apontou a arma nos momentos iniciais da première, já que mais de metade da temporada aconteceu, mas, na verdade, foi há apenas alguns dias.

Quero dizer que a série tem lutado para que a história de Daya ressoe de maneiras que justificam a decisão de ser ela quem pegou a arma, mas por apenas um período de dois dias, vimos uma resposta pós-traumática razoável. Daya teve uma quebra emocional, lutou para manter sua reputação com Gloria, roubou a arma, afastou-se da revolta para limpar a cabeça e depois trabalhou com alguns de seus sentimentos não resolvidos sobre Bennett. Por mais que eu ainda seja cético de que Daya foi a personagem certa para colocar nesta posição, a série tem mais ou menos traçado um caminho realista para a personagem.

“Tied To The Traintracks” é o primeiro episódio desta temporada que trata a história de Daya como central e, portanto, a primeira vez que a série ofereceu qualquer tipo de argumento para a escolha de colocar Daya nesse papel. O episódio usa seu flashback e uma série de chamadas telefônicas para reunir a totalidade do arco de personagens de Daya, focada em seu relacionamento com sua mãe e seu complicado relacionamento com seu próprio filho e as circunstâncias de sua concepção e seu nascimento.

É a tentativa de Daya de juntar as pontas soltas. Quando Daya pegou essa arma, foi depois de uma temporada em que ela havia sido marginalizada principalmente na narrativa, tornando-se parte das histórias de Aleida e Gloria, e o roteiro nunca realmente fez nenhum trabalho necessário para conectar a escolha de Daya às suas experiências anteriores. E por causa do ritmo da quinta temporada, esse trabalho veio mais lento do que eu poderia querer, o que significa que eu passei muitas horas perguntando-me quando a série se explicaria, apesar de essa expectativa ser injusta, dado o pouco tempo que realmente passou.

Nós temos a explicação aqui, porém, e é sobre o que eu e você esperaríamos. O flashback para uma Daya adolescente reforça a luta consistente dela para viver a vida da maneira que sua mãe recomendou: ela pegou a arma porque é o que ela achou que Aleida poderia ter feito, mas Daya nunca mais será um tubarão como sua mãe. Ela sempre será um peixe-boi inofensivo.

O flashback também se conecta ao desejo de Daya de garantir que sua própria filha cresça com um melhor sistema de apoio, enquanto ela contata Delia e diz a ela que seu bebê está vivo e que quer que ela a crie. A lição parece ser que Daya nunca teve espaço para descobrir como viver a vida em seus termos, o que faz eco de sua ansiedade quando descobriu que ela estaria na prisão com sua mãe: essa é uma dinâmica muito específica, que a série desenvolveu melhor do que se tornaria a personagem de Daya individualmente. Com Aleida do lado de fora, será interessante ver o que acontece com a história de Daya a partir daqui, e se o julgamento – ou seja o que for – se desempenha nas temporadas seguintes.

A série como um todo sempre argumentou que o sistema é a principal causa da maneira como as internas se tratam. Leanne e Angie podem ser apenas idiotas cruéis, mas poderiam ter sido capazes de entender melhor os princípios do serviço comunitário se tivessem tido a oportunidade de entender seu tempo na prisão através dessa lente. Se elas tivessem entrado em um sistema de prisão focado em reabilitação e educação, teriam tão claramente rejeitado essa ideia de punir Pennsatucky? As presas latinas teriam estado tão dispostas a destruir a “prisão simulada” de Suzanne e a algemar numa cama se fossem tratadas com empatia pelos guardas? E Daya teria estado tão à deriva que pegaria aquela arma se tivesse sido dada uma saída pelo sistema prisional? Algum drama que se desenrolou nesta séria aconteceria se o sistema prisional não fosse tão fundamentalmente quebrado?

Não conhecemos a resposta a essas perguntas, e é muito provável que alguma violência ou tragédia possa ter acontecido com Litchfield, mesmo que não fosse pelo fracasso sistemático que vimos se desenrolar ao longo da série. Mas na busca de uma resposta para o porquê de Daya ter pego a arma, agora percebi que eu poderia ter parado de procurar algo específico e simplesmente fui para a explicação global da série para tudo: em um sistema quebrado, qualquer preso poderia ter sentido como ele precisava tomar a mesma decisão que Daya tomou, mesmo que fosse ela quem tivesse que lidar com as maiores consequências de sua ação.

AVISO: Texto livremente traduzido e repostado do site A.V. Club, sob responsabilidade de Henry Kapranos. Clique AQUI para conferir o conteúdo original. 

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