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Oscuro Deseo – Season 1 – Uma rede de mentiras, segredos, paixão e obsessão

Nada é o que parece.

Começo a review com essa frase, que inclusive é o título de um dos episódios da série, para exemplificar o que é Oscuro Deseo, já que a trama é muito maior do que o trailer nos faz pensar. A narrativa toda realmente se inicia quando Darío e Alma se conhecem e transam durante uma noite em que ela foi visitar Brenda, sua melhor amiga. No entanto, a história se desdobra em algo maior que envolve a investigação da morte de um dos personagens, diversas traições, paixões – tanto avassaladoras quanto obsessivas – e a exposição da fragilidade humana acerca dessas questões.

Oscuro Deseo é uma série que surpreende, não tem como negar. Ela não é perfeita, mas tem qualidades que se destacam. Uma delas é a quantidade de reviravoltas da história, surgindo cada hora um suspeito diferente, uma nova pista ou revelação e você fica “mas como assim?” ou “o que?!”. Toda a narrativa em volta da acusação injusta, que levou à morte de Antônio Guerra, pai de Darío, e a herança que ele ganharia é bem interessante e resulta em boas surpresas ao longo dos 18 episódios. A tensão também é recorrente e desperta no telespectador um mix de sentimentos, deixando-o mais aflito e curioso para o que vem depois.

O outro ponto relevante é a abordagem que a obra faz de temas como feminismo, feminicídio e suicídio. Alma é advogada e doutora em violência de gênero e, com isso, em diversos momentos o assunto é debatido, servindo de alerta para o que acontece na vida real.

“Ela não foi morta pela mão de um homem nem pela sua própria. Ela foi morta por uma ordem social que define que a vida de uma mulher não faz sentido sem um amor. Um amor para se exibir. Um amor pelo qual supostamente valha a pena morrer. A fórmula maldita que nos tatuam na alma. Onde só o amor que dói é real. Amor que desespera, que exaspera, que mexe com nossa cabeça e nos deixa burras.” A fala da professora, ao descobrir a verdade sobre a morte de Brenda, é um choque de realidade em todos nós. O tema suicídio é abordado de forma condizente à história. É um assunto muito sério, mas que não é tratado com excessos nem exposição exacerbada. Além disso, no início desses episódios, há um alerta sobre o assunto delicado.

Maite Perroni, a Alma e nossa eterna Lupita de Rebelde, entrega uma performance intensa e incrível, com destaque para os momentos em que a personagem desabafa com sua psicóloga, pois, ali, a mãe de Zoe descarrega tudo o que está sentindo e pelo o que está passando. Isso mostra o que uma boa direção pode fazer, já que muitas vezes em outras atuações suas, a atriz virou meme com cenas que se tornaram piada por serem mal feitas. Além dela, Jorge Poza – o juiz Leonardo Solares – e Erik Hayser – que interpreta Esteban Solares – se destacam com suas atuações imponentes. Ressalto a cena em que os irmãos se enfrentam no bar, quando o magistrado, tomado pelo ciúmes, ameaça disparar sua arma e revela ter atirado na perna do outro anos atrás, deixando-a com danos permanentes.

No geral, a série mostra uma história bem amarrada, com as perguntas e mistérios mais importantes tendo sido respondidos, mas confesso que alguns detalhes ficaram confusos para mim, como a relação de Esteban e Darío. Quando ela começou? Pelo que o cunhado de Alma dá a entender no último episódio, os dois tinham um acordo desde o início. Sendo assim, como seria explicado o dia em que Esteban tortura Darío e o venda sendo que já se conheciam? Pode ser que depois que o mais novo se apaixonou por Alma, eles tenham rompido sua ligação, mas isso não ficou muito claro. Também acho que seria agregadora uma cena para explicar como Esteban conseguiu sair da mansão sem que ninguém tenha o detido, pois haviam alguns obstáculos para isso ocorrer, como a dificuldade de se mover rapidamente devido à sua perna machucada, não estar armado e a polícia já estar a caminho quando Leonardo e Alma caíram na piscina.

Outra coisa foi o mau aproveitamento de duas personagens que podiam ter muito mais a oferecer: Karina, a amiga de Zoe, e Edith, a secretária de Leonardo. A minha impressão é que as duas serviram apenas de apoio para os personagens principais enquanto poderiam ser muito mais valorizadas e render bem mais.

O final deixou uma certa abertura para uma próxima temporada, fiquei curiosa para entender o real envolvimento entre Esteban e Darío, e por que agora o ex-detetive terá de trabalhar para o mais jovem. Há algumas coisas ainda para serem explicadas e desenvolvidas, será que tem história para uma outra temporada inteira? Vamos ter de esperar para ver.

O saldo final de Oscuro Deseo é positivo e fico feliz que produções latinas estejam ganhando cada vez mais espaço nas plataformas de streaming como a Netflix. E vocês, o que acharam da série? Querem acrescentar algo? Deem suas opiniões nos comentários e até a próxima!

 

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Luiza Pinheiro

Carioca da gema e jornalista de corpo e alma. A primeira série que viu mesmo, aquela que a deixou viciada, foi One Tree Hill. Depois disso nunca mais parou e engatou uma depois da outra. Também ligada em cinema, não perde uma cerimônia do Oscar.

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