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Outer Banks – Season 1 – É uma série boa, mas ainda não descobriu seu estilo

Se houve algo que um dia fez muito sucesso, mas hoje em dia saturou são as séries teens, a história do protagonista e seus amigos na escola se envolvendo amorosamente uns com os outros era a fórmula de sucesso.

Séries como One Three Hill, The OC, The Vampires Diaries, 90210, etc seguiram essa temática e fizeram o sucesso que fizeram, mas com a chegada da era streaming, a situação mudou. Junto com Netflix e companhia veio um público mais velho consumir séries, já que agora era muito mais fácil o acesso, séries mais complexas e de público adulto foram ganhando mais destaque e sendo enaltecidas pela mídia e crítica, enquanto as séries focadas em um público mais jovem foram tachadas cada vez de bobas ou repetitivas.

Há hoje em dia algumas séries teens que continuam sendo produzidas, como Riverdale e Love, Victor, mas todas além de de serem teens, trazem uma outra temática junto para não ser tão cópia e cola. Outer Banks vem nessa pegada, é quase um Ctrl + , Ctrl + v de The O.C, tudo está ali, o nome de uma cidade praiana como título, a constante fotografia alaranjada fazendo sempre parecer estar no por do sol, a diferença de classes que apesar de ser comentada, nunca é mostrada com destaque, o protagonista loiro e sem família, mas de moralidade alta, o par romântico é a menina rica que não consegue se encaixar no seu universo, tem os amigos (magros) que orbitam em volta do protagonista (que também é magro), tem o namorado da babaca do par romântico (ambos magros também), ta tudo ali, mas para se diferenciar botaram uma caça ao tesouro no meio.

A série não se arrisca, mas também não erra, é uma boa série de aventura, a maioria dos atores são competentes, a química entre os personagens são incríveis e até o mistério em volta do sumiço do pai do John e do tesouro e suas resoluções são interessantes, o meu maior problema com a série foi a mudança brusca de gêneros que ela tem de um episódio para outro. É lógico que dez episódios mostrando apenas o grupo em busca do tesouro seria chato, o problema é que ao tentar quebrar um pouco dessa história e depois de solucioná-la, a série muda a sua narrativa de uma maneira muito agressiva, fazendo parecer as vezes até outra série e algumas vezes para essa mudança ocorrer acontecia umas atitudes bem questionáveis e burras, sendo saídas fáceis do roteiro. Como a série adotou esse estilo, eu irei embarcar nele e comentar pelos gêneros narrativos apresentados nos episódios.

Os três primeiros episódios servem para introduzir os personagens e a história principal, foca bastante na relação do amigos, mostra um pouco da personalidade de cada um e que todos eles só embarcam na aventura para não matar as esperanças do John B em relação ao seu pai. Apesar de serem todos novatos, todos dão conta do protagonismo e o que eu mais gosto é que apesar de flertarem com alguns estereótipos, todos são bem construídos, com destaque para o JJ que se apresenta inicialmente como o impulsivo do grupo, mas toda a sua relação familiar nos faz entender o porquê de ele ser assim, mas sempre que é necessário, ele é altruísta. Por ser uma série teen, eu entendo o desejo de sair shippando todo mundo, mas eu acho nada haver o casal JJ e Kiara, é um casal que nasceu através dos fãs, pois em nenhum momento a série deu a entender que poderia rolar algo. Toda o início da caçada ao tesouro foi muito gostoso de se acompanhar, achei acertadíssimo começar com eles apenas procurando pistas em relação ao pai do John B, para depois ser introduzido o tal do tesouro e consequentemente a sua caçada.

O quarto episódio deixa o grupo quase completamente de lado e da foco a Sarah, que até então era quase uma figurante. O modo como o encontro entre o John B e Sarah se encontram foi muito clichê, mas a gente passa por cima, pois esse foi o melhor episódio da série para mim e isso se deve inteiramente a enorme química entre Chase Stokes e a Madelyn Cine. O romance entre os dois era previsível desde o início e foi bem clichê, mas é assim mesmo, porém a cena dos dois trocando de roupa foi muito divertido e trouxe uma leveza que a série precisava mais vezes.

A introdução da Sarah ao grupo foi uma boa adição e gostei muito de apesar da Kiara ter sido a principal contra, não foi por rivalidade feminina, mas sim por elas já terem um passado. Inclusive, quando há o embate entre as duas, a Sarah diz com todas as letras que tem problemas em deixar as pessoas entrarem e com essa fala eu posso apontar o quanto o roteiro carece de uma lapidada, não havia necessidade de ser tão explicito, ela já havia demonstrado ações que comprovavam esse pensamento, é como se o roteiro precisasse se certificar de que estávamos diante de uma personagem complexa. Por falar em cenas desnecessárias, também pode-se destacar todas as cenas dos Kooks sozinhos, o telespectador já está do lado dos Pogues, não tem porquê gastar mais tempo de tela vilanizando personagens que ninguém se importa.

Os episódios 5 e 6 servem para além de juntar a Sarah aos protagonistas, trazer mais destaque ao seu pai, pois só faltava o John B ser adotado por uma família rica para representar The OC com chave de ouro, mas o plot twist da série vem quando o Sr. Ward se apresenta como grande vilão da série. Foi uma boa reviravolta na história, só não funcionou também porque o Charles Easten foi muito ruim na atuação, a ideia era ter um vilão complexo que tivesse uma humanização através da família, mas o ator não conseguiu convencer em nada, ele realmente era muito ruim e em nenhum momento eu o vi como uma real ameaça.

Com a descoberta de onde está o ouro e o roubo do mesmo pelo Ward, os quatro episódios finais são pura ação e eu como um amante do gênero adorei. TODAS as cenas de ação foram muito bem feitas, o embate no barco me deixou tenso pelo ótimo trabalho com o jogo de câmeras, a entrega do Chase Stocks e apesar de ser uma ambientação pequena, conseguiram fazer uma sequência envolvente. Os dois últimos episódios são praticamente a cidade inteira caçando o John B, mas ninguém conseguindo, o que foi de fato muito irrealista, mas a gente ignora, pois teve aquela sequência final maravilhosa, não esperava que o tesouro nem o casal fosse de fato fosse para as Bahamas, gostei da série finalmente não ter facilitado o roteiro.

Se fosse qualquer outro casal de outra série, eu acharia completamente forçado um ir contra toda sua família e aceitar morrer por um namorado (a) que conhecia a tão pouco tempo, mas novamente a química entre o casal principal convence e atuação da Madelyn no episódio final estava incrível, fico até triste que o momento que ela tinha mais chance de mostrar seu trabalho era nas interações com o Charles. A série termina com um final bastante promissor já que John B e Sarah estarão nas Bahamas, enquanto seus amigos e família pensam que eles estão mortos, fico até ansioso para a segunda temporada que já foi renovada e já estão gravando, nos vemos nela.

Outras informações:

  • Apesar de Outer Banks ser uma cidade real, a série não foi gravada lá, pois a produção não quis gravar em uma cidade onde o casamento homossexual ainda não é liberado, parabéns para série.
  • Muito legal a referência a friends quando a Sarah diz que o o Topper não é a sua lagosta.
  • Não comentei sobre o Pope por motivos de não gostar nem um pouco dele, odeio homens que ao ouvirem um não ficam putos como se uma mulher tivesse a obrigação de gostar deles.
  • Tentando entender até agora da série dar tanto destaque ao Rafe, dando inclusive um final aberto para o mesmo.
  • A química entre a Madelyn e o Chase foi tanta que foi para fora da tela e agora estão namorando.

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Autor

Ives

Um carioca estudante de engenharia querendo se formar, viciado em realitys shows ao redor do mundo e que ama uma praia

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