31 de agosto de 2016
Panela Velha: Dexter

No dia 1 de outubro de 2006 nós conhecemos o psicopata que ia mexer com nossas mentes e corações ao longo de 8 temporadas de muito sucesso. Claro que estamos falando de Dexter, interpretado brilhantemente por Michael C. Hall.

Vamos começar lembrando a abertura maravilhosa.

A abertura mostrava a rotina matinal de Dexter com um olhar um tanto quanto sombrio de atitudes simples como limpar os dentes ou preparar o café de manhã. A música de abertura fazia o contraste entre aqueles ‘assassinatos’ matinais e a leveza do personagem que faria isso durante vários episódios sem causar muito espanto nos seus fãs.

 A abertura resume então como seria Dexter Morgan. Dexter é um assassino em série que trabalha como analista forense no departamento de polícia. Ele usa suas vantagens no trabalho e seu vasto conhecimento sobre assassinos para matar criminosos que não foram punidos pela Justiça. Dessa forma, Dexter se apresenta como um vilão um pouco diferente do comum e que consegue conquistar a torcida do telespectador por ser uma espécie de herói inconvencional.

Dexter é o filho adotivo de Harry, um policial que passou anos dedicando a treiná-lo para que ele não se tornasse um psicopata sem qualquer código de conduta e fosse capaz de matar friamente qualquer pessoa quando adulto. Harry estabeleceu o ‘código de Harry’ que Dexter busca seguir fielmente ao longo de sua vida e controlando assim seus desejos de matar compulsivamente. Além disso, seu pai o treinou para que Dexter pudesse se comportar socialmente sem parecer suspeito perante a sociedade.

Aos poucos fomos conhecendo a rotina de Dexter, seus códigos, seus amigos de familiares. Nos apegamos a sua irmã Debra e sua namorada Rita, mesmo que sua relação com as mesmas a princípio não passasse um valor real.

O que me fascinava em Dexter era sua capacidade de achar que existia algo ético em ser assassino. Você se afeiçoava fácil ao seu jeito de fazer os seus assassinatos parecerem naturais ao invés de cruéis. Enquanto ele assassinava criminosos que não foram encontrados pela justiça a gente meio que comemorava, mas ao longo do tempo Dexter teve que cometer assassinatos não tão “justos”.

Mas antes de falar da concepção de justiça de Dexter, queria lembrar com vocês de suas burrices que custaram caro, tais como o fatídico fim da quarta temporada.

Morte de Rita - Dexter

Estávamos ficando cada vez mais felizes com a relação de Rita, Dexter e seus lindos filhos (adotivos e o pequeno Harrison), pois ela estava se tornando algo real para o nosso anti-herói e não apenas uma fachada social. Quando Dexter se deu conta de que sua família era algo realmente importante, ele acabou perdendo sua esposa de forma brutal por um assassino que ele evitou matar durante a temporada INTEIRA apenas por curiosidade e afeição. E que cena foi aquela? Confesso que chorei MUITO ao ver a pobre Rita deitada na banheira de sangue e Harrison ao chão chorando de desespero. Foi forte, foi chocante e foi um tapa na cara de todos!

Falando em assassinos, Dexter não era o único assassino interessante da série. Durante as oito temporadas conhecemos vários casos intrigantes e personalidades insanas que mexeram com a nossa cabeça. Neste âmbito os destaques vão para Trinity (o assassino de Rita) e Brian Moser (Ice Truck) que é o de sangue de Dexter.

Brian foi o mais intrigante por apresentar uma imensa ligação do o protagonista. Dexter se sentiu acolhido por um bom tempo, mas aos poucos percebeu o perigo que era manter seu irmão por perto. Mesmo após a morte de Brian, Dexter passou a tratá-lo como seu novo passageiro sombrio, no lugar do seu pai, um passageiro mais sombrio, obviamente.

O passageiro sombrio de Dexter era uma espécie de alter ego com o qual ele lidava com seus questionamentos, já que sua segunda face era algo que ele não podia compartilhar com ninguém.

Mas, nem só de flores e assassinatos de ‘pessoas ruins’ viveu Dexter. Em certas ocasiões conseguimos perceber que um assassino é sempre um assassino, e Dexter não fugia disso. Apesar de ter sido treinado a ser um justiceiro, ele era um psicopata e não media esforços para manter a salvo sua família e reputação. Vimos parte disso quando Dexter teve que assassinar LaGuerta e se livrar de Doakes.

Dexter Debra e Laguerta

Falando em LaGuerta, foi naquele momento que a vida de Debra mudou completamente devido seu envolvimento com Dexter. Vimos que os produtores perderam um pouco o caminho quando começaram a fazer Debra se sentir apaixonada por Dexter (oi??),  e essa paixão não poderia sobreviver com apoio dos fãs. Dexter DESTRUIU toda a personalidade de Debra após envolvê-la, sem querer, em sua vida sombria.

Como sabemos, Debra era uma personagem extremamente complexa e cheia de personalidade e facetas. Uma mulher forte, determinada, muito ligada ao senso de justiça mas completamente ligada ao seu irmão. Aquele baque de ter que escolher entre seu amor e a justiça foi genial, apesar dos imensos efeitos negativos na personagem.

Falando no envolvimento de Debra e Dexter, os atores Michael C. Hall e Jennifer Carpenter tiveram um longo relacionamento fora das telinhas e em certo momento tiveram que trabalhar juntos mesmo estando separados. Haja profissionalidade e maturidade, né gente?

Não é a toa que a série ganhou tantos prêmios e muitos deles direcionados ao trabalho competente de Michael e Jennifer. <3

Jennifer e Michael c Hall

Falando agora do final da série, a mesma dividiu opiniões entre os fãs. Ao mesmo tempo que foi chocante, foi triste ver Debra morrendo pelas mãos do seu próprio irmão. O impacto foi enorme e eu confesso que chorei mais uma vez nessa série. Ninguém esperava esse fim para uma personagem tão maravilhosa como essa. Mas, podemos analisar que Debra estava COMPLETAMENTE destruída psicologicamente e, ao final, fisicamente também.

O assassinato de Debra foi uma prova de amor do seu irmão, que já não era um psicopata sem sentimentos. O que me deixou mais confuso foi Dexter largar tudo e começar uma vida nova longe de tudo (inclusive do seu filho e de sua namorada assassina insuportável Hannah).

Dexter e Hannah

Esperávamos que Dexter pudesse se estabilizar com sua vida agora que estava envolvido com uma mulher que o compreendia e tinha uma nova família, porém, pensando na segurança dos sues entes queridos, o rapaz decidiu se afastar de tudo e correr seus próprios riscos de forma solitária, já que no passado, ele afetou a vida de muitos que ‘amava’.

Ao final de 2015, uma postagem sugeriu que Dexter poderia retornar às gravações, o que seria um banho revigorante aos fãs saudosos. Mas será que realmente sairá do campo das promessas? Nos resta aguardar e enquanto isso sentir saudade.

Retorno de Dexter

Nyegirton
Nyegirton

Mestrando em Matemática e engenheiro nas horas vagas. Sarcástico e bêbado sempre que possível. Apaixonado por humor, suspense, terror e trêta.
Deixe-nos um comentário!
  • Heloisa

    Dexter poderia ter sido uma série sensacional, mas… Pra mim a última temporada é que ferrou com tudo, mas muita gente já reclamava em temporadas anteriores. E o último capítulo poderia ter terminado com os irmãos morrendo juntos, pois até aí seria aceitável, mas o final como lenhador credencia a série como um dos piores finais de séries de todos os tempos… E só comecei a assistir a série por curiosidade, pois queria ver a nova atuação de Michael C. Hall, já que acompanhava o ator em Six Feet Under (essa sim como o melhor final de série de todos os tempos).

%d blogueiros gostam disto: