01 de outubro de 2016
Panela Velha: The O.C.

                “Californiaaaaaaaaa, here we come…”

Hoje na Netflix forma liberadas todas as três primeiras temporadas da melhor série teen anos 2000 que existiu. E aproveitando esse fim de semana de eleição que movimentará o país ao mesmo que deixará muitos em casa pedindo por um bom bing-watching, uma apresentação adequada dessa série maravilhosa se faz necessária, que encantará tanto novos fãs em busca de uma diversão despretensiosa quanto antigos, que agora podem recordar um episódio favorito a qualquer momento.

The O.C marcou toda uma geração, quem passou pela puberdade na primeira metade da década passada sabe. Vi o primeiro episódio aos 13 anos, sétima série, numa manhã de domingo no SBT, logo depois de Smallville, e foi amor à primeira vista. Ryan (Ben Mckenzie) aquele adolescente problemático vindo do subúrbio, que tem de se adaptar a uma nova família num meio de uma sociedade elitista, junto a um nerd-deslocado-engraçado-melhor-personagem Seth (Adam brody), uma conturbada Marissa(Mischa Barton) e uma doçura de Summer (Rachel Bilson), foram a receita certa para identificação com milhares de jovens na América e Europa, onde fez grande sucesso, feito difícil para series teen no tempo.

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Foi pioneira a tratar assuntos com alcoolismo, depressão e bissexualidade, quando justamente o culto a celebridades Paris Hilton e LiLo estava em alta, sendo Marissa a versão ficcionalizada, imagem da qual não conseguiu se livrar desde o fim do show. Paris até fez participação em um episódio, “The L.A.” e Cris Brown em outro. Mas ficou nisso, The O.C. não era de seguir padrõezinhos, pelo contrário, nada de muito popular e descartável. Havia referencias pop, como Procurando Nemo, uma pegada cult, Seth lendo On The Road que virou filme e sucesso dia desses, e indie como mainstream, um beijo para o Top 40 musics que bombavam na Tv naquele tempo. Sua contribuição musical foi enorme, mas não entremos em detalhes aqui, de tão rico o assunto merece um post a parte com direito a playlist especial que estou preparando, esses dias tá saindo.

Hoje é muito fácil ser fã de Star Wars e George Martin, mas se tem alguém que transformou o estilo nerd em cool e sexy foi The O.C.. Ryan, loiro, bad boy, que deveria ser o principal do show perde destaque para o meio judeu nerd deslocado que passa o dia jogando GTA e lendo quadrinhos. Imagina a surpresa. E o fato de ninguém dar muita atenção a ele foi fator determinante para ele ser tão amado pelos fãs. O Outsider, loser, underdog, como melhor, mais inteligente, sexy e desejável que aquele boyzinho gato padrãozinho só músculos de academia nada de cabeça Luke. Como não amar Seth Cohen e suas sacadas engraçadas e cheias de referência? Geek is the new sexy.

O mesmo vale para representatividade. Para um adolescente desse tempo, onde ainda não tinha Glee, bulling e discussão sobre sexualidade, poder ver a personagem principal mente aberta tratando esse assunto como algo normal, tudo bem, nada de julgamentos moralistas, e talvez sendo o único local, já que família, escola, amigos, tv não aceitavam e não queriam falar sobre o tema, é de grande importância para certos jovens. O mesmo vale para os outros temas tratadas como alcoolismo, depressão e o tudo mais que for identificável na série.

Motivos não faltam para gostar de The O.C. A série pode ter se perdido em algum ponto, mas não dá para negar que teve grandes momentos e se consolidou como ponto de ruptura para uma nova fase nas series teen. Aqui uma pequena crítica de cada temporada, com seus momentos marcantes, destaques e defeitos. Tentarei colocar o mínimo de spoilers na medida do possível, mas nada atrapalhe na apreciação e delito de todo o escopo, então fiquem à vontade.

Season One:

Com um piloto invejável a muitas series, The O.C. começou bem, sabendo apresentar seus personagens, tramas, drama, é difícil não ser pego logo no primeiro episódio. E continua. O segundo, A Casa Modelo, sendo tão bom quanto e já mostrando o poder da trilha sonora (Hallelujah, um beijo Justiça, aqui é 2003), e termina fechando sua apresentação no terceiro, de onde as coisas já estarão firmadas em certo ponto, prontas para partir para outra.

Que não demora, chegamos ao sétimo com uma inesquecível viagem do quarteto principal para o México, o que acontece em Tijuana fica em Tijuana, Marissa inicia seu legado dramático em grande estilo, com direito a resgate do príncipe encantado num beco. A cena do primeiro beijo demorou para vir, não se comparado a séries que souberam guardar mais tempo, mas confesso que achei no momento certo, não aguentava mais esperar, e foi tão linda quando aconteceu, bem música Me Lambe dos Raimundos, joguem a letra e confiram para quem já viu. Sendo redundante, a trilha continua maravilhosa, e assim vai durante toda a season.

Ana e Oliver chegam para completar dois ótimos arcos, sendo Ana uma das personagens mais queridas dos fãs, e Oliver aquele psicopata social necessário para criar o primeiro atrito e desconfiança entre os principais. Já nessa primeira metade vemos o poder de The O.C. em criar momentos marcantes, desde sua conhecida celebração cristã judia Crismukkah, onde tivemos os melhores presentes de natal dados por Ana e Summer na disputa por Seth (onde mais teríamos uma disputa de duas gatas por um nerd?), e uma corrida contra o tempo vale coração de Marissa no Ano Novo (amo aquela cena confira embaixo).

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Tivemos mãe pegando boy da filha e Teresa chegando com sua chatice para encerrar o ciclo. Nessa parte final a química entre o quarteto principal já estava moldada e bem direcionada, muito amor por eles juntos. Destaques para o episódio 1×19 The Heartbreak, um dos melhores para os fãs, onde Seth perde sua virgindade num momento bem real cotidiano vergonha alheia que todos já passaram parecido, Eu era o Nemo e só queria ir para casa, descreve ele a experiência, e 1×21 The Goodbye Girl, acho que o primeiro episodio que vi na vida, onde uma querida personagem se despede, outra nem tanto, deixando uma linda e valiosa lição para Seth.

O final arrancou lagrimas de todo mundo, bastante comovente, emocional, dramático, bem amarrado, me lembro de chorar como um bebê na dança de Marisa ao som de Maybe I’m Amazed no 1×27 The Ties that Bind, além de ficar louco para ver o desfecho. Nesse tempo O.C. já era sucesso entre os jovens, terminando sua primeira temporada super por cima e se consolidando como fenômeno teen mundial.

HighLights: 1×1: Piloto; 1×02: The Model House; 1×07: The Scape; 1×13: The Best Chrismukkah Ever; 1×14: The Countdown; 1×19: The Heartbreak (<333); 1×27: The Ties that Bind.

 

Season 2: A segunda temporada veio com as expectativas lá em cima, depois do sucesso é difícil manter a qualidade e o que era novidade e frescor se tornam monotonia e frustração. Esse não é o caso de The O.C. (não por enquanto).

Começou trazendo volta as pontas faltantes do final passada, introduzindo uma ruma de novos personagens e mostrando que nada vai ser como antes. Entre as principais aquisições tivemos Alex (uma descolada Olivia Wilde, que chega dar orgulho ver o crescimento dele durante esses anos), Zach (um fofo Michael Cassidy), Lindsay (não lembro o nome da atriz, mas acabou rendendo boas histórias) e o irmão de Ryan, Trey, problemático e responsável pelo melhor arco de fechamento de temporada junto com Marisa (sempre no meio dos acontecimentos marcantes neah amores, a mulher é boca de confusão chama treta).

A série conseguiu segurar bem seu padrão e nível na segunda temporada, não ficando muito atrás da primeira em quase nada. Um ou outro plot e episódio meh (pai da Marisa estou olhando para você), mas bem acima da média e ainda com todos os ingredientes que a fizeram um sucesso, só que aumentados.

A começar pela trilha sonara tivemos um upgrade com a abertura do Bait Shop, onde várias bandas se apresentavam semanalmente, continuando a tradição de trazer música nova e diferenciado ao show. Referência pop também foi levada a outro nível poucas vezes vistos com o beijo do homem aranha, quem viu sabe o que estou falando, melhores momentos. Sem esquecer a criação da saga do Comics da turma, Atomic Country, cultura nerd sem ter do que envergonhar, de nada The Big Bang Theory. Um quadrinho sobre os quatro personagens principais, cada um com seu próprio superpoder, satirizando os defeitos e qualidades de cada um, genial. É O.C. se auto referenciando e fazendo piadas internas consigo mesmo, uso depois bem aproveitado por series como Arrested Development.

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Tivemos um ritmo regular de qualidade, a serie andou muito bem em seu começo e meio, com um pico (The Rainy Day Women) e fim espetacular. Entre os assuntos abordados tivemos bissexualidade, alcoolismo e abuso sexual. Pioneira e problematizadora sim.

Uma constante tensão vinha subindo episódio a episódio, antes de acabar tivemos uns dos mais inesquecíveis, The O.Sea, baile de inverno, muito romance, drama, reviravoltas e mortes, tudo embalado ao som de Fix You do Coldplay, que fora escolhido para ser lançando nesse episódio, neah pouca coisa não, sendo com certeza um dos melhores episódios da série e da vida. No finale, quando você pensa que acabou, é surpreendido numa das melhores cenas da série. Sério, vi aquele final umas cem vezes, muito emocionante, de dar inveja a qualquer Game of Thrones de hoje em dia.

HighLights: 2×04: The New Era; 2×09: The Ex fator; 1×12: The Lonelys Heart Club; 1×14 The Rainy Day Woman; 2×23; The O.Sea; 2×24: The Dearly Beloved.

Season 3: É aqui que começa o problema. Depois do final de explodir cabeças o futuro parecia promissor, muito pano na manga para tirar das consequências. Eles até tiraram no começo, mas não souberam desenvolver bem. Tiraram Marisa de seu núcleo e introduziram novos personagens, como Jhony, pena que nem de longe carismáticos e legais como os de outrora.

Foi ficando sem graça, e sem graça, repetitivo, parafraseando Marisa em um dos seus melhores momentos na série para exemplificar o que tinha acontecido em sua vida, em algum momento a série se perdeu (video lá embaixo) e foi indo ladeira a baixo perdendo sua audiência.

O motivo não se pode dizer ao certo, uns culpam o afastamento do criador executivo Josh Schwartz, que era o responsável pelo toque nerd e pop, outra produção sua, Chuck, mostra bem esse seu lado, ficando no lugar Stephanie Savage, mulher conhecida por arruinar series em sua terceira temporada, a exemplo de Gossip Girl, chega a ser engraçado as semelhanças de acontecimentos e enredo nessas duas séries, quem compara vê que muito se é aproveitado, sendo quase simétrico os acontecimentos. Aí chego a concordar, enquanto Josh é inspiradíssimo na criação, a Steph não sabe dar continuidade quando pega.

Outro fator que não pode ser esquecido é centralização em torno de Marisa. Parecia que tudo ela estava envolvida, sempre com problemas e causando, direcionaram muito para ela e acabou ficando repetitivo, ninguém aguentava mais a mulher, muito drama e acontecimentos exagerados, assim como a constante de desgraça todo final de season a lá Greys Anatomy. Seu relacionamento com Jon não animava e acho que quando perceberam que era hora dela sair para dar novos ares a série, usaram dela o máximo que podiam. Até dar uma dor.

Nem Seth fumando maconha conseguiu salvar, nem o Chrismukkah, nem o aparecimento da irmã mais nova de Marisa, nem o retorno de Ana, muito menos de Tereza, quem conseguiu dar umas graças foi Julie, perua mãe de Marisa falida.

Chegamos aquele fatídico final, polemico, arriscado, que gerou bastante controvérsia e torceu o nariz dos fãs. Pessoalmente acho que não precisava daquilo tudo. Os dois últimos episódios vinham sendo bons, aquele clima de despedida do high school tava tão gostoso, não precisava forçar a barra, deixasse a possibilidade aberta de volta, seria mais interessante e menos frustrante que aquilo. Foi um movimento ousado na época, tentativa Nerd Stark não bem recebida, que acabou enterrando a série para alguns fãs. Uma pena.

Highlights: 3×03: The end of Innocence; 3×04: The Last Waltz; 3×14: The Cliffhanger; 3×22: The College Try; 3×25: The Graduates.

Season 4: Para os que decidiram acompanhar a série, apesar das decepções com a terceira temporada, esta parecia outra. A ausência da personagem deu um clima totalmente diferente a série, e apesar de não ser aquelas dos tempos áureos ainda soube oferecer bom entretimento, drama e risadas, dessa vez por conta de Taylor.

Começamos com um Ryan vingativo e bad ass primeira temporada, além dos outros personagens lidando com as consequências da perda. Destaque para Julie e Summer. Foi difícil se livrar do espirito, mas pouco a pouco a série foi caminhando e se erguendo. Taylor se mostrou uma boa aquisição e Summer estava muito bem toda ativista e ambientalista, quem diria daquela patricinha lá do começo.

O Crismukkah também foi divertido, dando a The O.C. a chance de fazer seu episódio especial de mundo paralelo, saudades Fringe, bem Conto de Natal do Carol Lewis, mostrando como os personagens seriam sem Ryan na vida deles. Lindo de ver.

Com a audiência baixa, O.C. foi cancelada, meio que bruscamente e esperado. Mas deu tempo fazer um final bonito. Os três finais foram encantadores, de dar orgulho a qualquer fã, encerrando a série de maneira digna. Nem preciso dizer que chorei vendo o final neah, primeiro finale de série que chego e não podia ser mais emocionante. Terminei aos 17, já na faculdade, e era como se um pedaço de minha vida se fosse também. Adolescência, em que todos os amores são mais simples, inocentes, você não espera muito. E assim é The O.C., como um primeiro amor, introdução a um mundo novo cheia de firulas e inovações, e que você sempre vai guardar no coração e se lembrar com carinho desse tempo de descobertas.

HighLights; 4×01: The Avengers; 4×04: The Metamorphosis; 4×07: The Chrismukk-huh?; 4×14: The Shake-ups; 4×15: The Night Moves; 4×16: The End is Not Near, It’s here.

– P.s: Não poderia deixar de citar os personagens principais secundários recorrentes como Sandy, Kirsten, Julie, Caleb, Pai de Marisa e quem mais se sentir faltando, só não dei mais destaque a seus enredos pois para mim o principal aqui é esse quarteto do meu corê.

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Top Moments, By Me – SPOILER ALERT:

Ano Novo

Wonderwall

The Goodbye Girl 

Maybe I’m Amazed 

Season 1 Finale 

Nova Era 

Homem Aranha

The O.Sea 

Season 2 Finale 

Forever Young 

Discruso de Marisa que define a vida.

Season 3 Finale

Series Finale

E Vocês, gostaram? Quais seus momentos favoritos? Como O.C. marcou sua vida? Agora é só aproveitar essa delícia no Netflix. E se liga que esse mês saiu #NowPlaying de The O.C. link aqui. 😉

 

Robson Abrantes
Robson Abrantes

Estudante de engenharia na semana, escritor wannabe nas horas vagas e sonhador integralmente. Nem de exatas nem de humanas, renascentista. Morando em Campina Grande. Reinventando-se desde 92. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. Teve seu 1º contato com o mundo das séries nas madrugadas do SBT, e ainda segue agarrado a esse vício.
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