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Panelaço: Episódios Essenciais de Queer Eye

Vem conferir alguns dos episódios essenciais de Queer Eye!

Queer Eye é, como todos devem saber, uma série original Netflix baseada na antiga série estadunidense “Queer Eye For The Straight Guy”. Na original, vários homens gays “reformavam” homens héteros, dando a eles um pouco mais de “cultura” e estilo que eles não possuíam antes. Na versão revista da série, o objetivo passou a ser transformar as pessoas selecionadas na melhor versão delas mesmas, ou seja, polir um pouco os diamantes brutos para que eles possam brilhar ainda mais. E não são só homens héteros que são ajudados, mas sim toda e qualquer pessoa que precise de um empurrãozinho para ser mais feliz e mais autêntica. É uma série essencial para os dias atuais, e nós a colocaríamos facilmente entre as 5 melhores produções que a Netflix já criou. Então, sem mais delongas, selecionamos alguns dos nossos episódios ESSENCIAIS para relembrar quem já viu e incentivar quem ainda não viu (mas lembrando que o post contém spoilers!). Vamos lá!

 

2ª Temporada, Episódio 1 – “God Bless Gay”

O primeiro episódio da segunda temporada da série é a primeira vez que uma mulher é ajudada pelos Fab 5. A sortuda em questão é quem os fãs de QE carinhosamente chamam de Mama Tammye, uma mulher criada numa cidade pequena e altamente religiosa chamada – adivinhem! – Gay, no Estado da Georgia, e que tem um filho… gay. Inicialmente, ela não aceitou quando Myles (o filho) revelou sua sexualidade pra ela por conta de toda a sua criação fortemente cristã e homofóbica. Myles se mudou para outra cidade e eles perderam contato, até que, após ter um câncer, Tammye reavaliou sua vida e percebeu que não Deus ensinou primeiro e acima de tudo (àqueles que acreditam) que devemos amar o próximo, sempre. Ela percebeu, nas suas próprias palavras, que não podemos “antagonizar e evangelizar ao mesmo tempo”, e, após a sua transformação, veio em defesa do seu filho na frente de toda a igreja. Com certeza uma das pessoas mais preciosas que já passaram pela série <3

 

3ª Temporada, Episódio 5 – “Black Girl Magic”

A primeira vez que nossos Fab Five trabalharam com uma lésbica foi uma vez que deixou marcar profundas. Jess era uma jovem garota com sonhos, que quando pequena foi deixada para adoção e posteriormente adotada, crescendo em um dos estados mais religiosos e homofóbicos dos Estados Unidos. Tudo isso sendo uma mulher negra e lésbica. Jess, quando se assumiu, foi literalmente colocada para fora de casa e viveu por muito tempo na casa de amigos, dormindo em seus sofás, e vivia conflitos internos enormes pensando que nunca teria uma família, já que seus amigos vinham e desapareciam com o tempo. O mais profundo desse episódio foi o vínculo que ela criou com Bobby. Bobby, assim como ela, foi adotado, e também foi rejeitado pelos pais quando se assumiu, vivendo sem rumo por um tempo e morando na casa de amigos.

Esse episódio foi pesado, principalmente por tratar de uma questão muito forte e que atormenta quase todos os jovens LGBTQIA+ de todo mundo: o medo de ser rejeitado justamente por aqueles que você mais ama. Enfim, Jess era uma fã de Paramore, cheia de sonhos e sem nenhuma autoconfiança, e os meninos mudaram essa última parte. No final de toda a transformação, Jess ganhou confiança, um visual que lhe deu autoestima e a força que precisava para entrar em contato com sua irmã biológica, a qual ela apenas se afastava por medo de rejeição. Mais que tudo isso, Jess descobriu que a real família não é aquela na qual nascemos, e sim aquela que escolhemos. Eu super indico a qualquer um ver esse episódio, principalmente pelo discurso final, no qual ela fala que passou sua vida inteira sendo maltratada e rejeitada pelas pessoas por ser apenas quem ela era, passando por uma batalha até encontrar sua identidade. Ela tinha desistido da humanidade e se esqueceu das pessoas bondosas e generosas, e redescobriu isso com os Fab 5. Faltaram lágrimas nos meus olhos no final desse episódio.

 

1ª Temporada, Episódio 4 – “To Gay Or Not Too Gay”

AJ era um jovem negro extremamente fechado e que tinha sérias dificuldades em assumir quem ele era e de ser vulnerável, mas mais que isso, ele guardava um profundo rancor por nunca ter se assumido para seu pai e seu pai ter falecido sem saber disso. AJ foi nomeado como o gay mais hétero de Atlanta e teve de início dificuldades de quebrar o gelo.

Com o passar do episódio vimos os meninos mudarem seu visual, sua confiança, e também mostrarem que está tudo bem ser vulnerável às vezes, principalmente com as pessoas que você mais ama. Os Fab 5 compartilharam suas experiências, boas ou não, de como foi o processo aceitação de cada um deles, e também de contar para suas famílias. Outro ponto interessante foi como os fabulosos quebraram a lenda de que todos os gays manjam de decoração, design e organização e mostraram um outro lado da moeda.

A cena final, quando ele finalmente conta à sua madrasta sobre sua sexualidade, começa meio “dura”, ele acaba falando e parece algo meio vazio, mas quando eles se abraçam e AJ se debulha em lágrimas nós podemos ver aquele peso saindo das costas dele. Enfim, além de toda essa carga emocional tivemos várias cenas maravilhosas dos Fab 5 dando close em um balanço e em roupas eróticas que AJ tem em seu quarto. Esse episódio merece nossa menção por misturar perfeitamente emoção, um pouquinho de um lado mais cômico e muito aprendizado.

 

3ª Temporada, Episódio 6 – “Elrod & Sons”

AAAAAAH Elrod <3. O sexto episódio da terceira temporada nos contou a história de Rob Elrod e seus dois filhos, que foi indicado pela melhor amiga de sua esposa. Sua esposa Alison descobriu, após o nascimento do segundo filho deles, que tinha câncer de mama, e esse câncer acabou se espalhando e chegando ao seu cérebro não muito tempo depois de ela começar o tratamento. Depois disso, ela acabou falecendo, deixando Rob sozinho para criar duas crianças pequenas e ainda superar a perda absurdamente precoce da esposa. Ele, desde então, vem cuidando de seus filhos com a ajuda da melhor amiga de Alison e de sua sogra, mas o que vimos foi um homem preso às memórias do passado. Durante o episódio eu chorei várias vezes, e inclusive fui rever uns trechos para escrever este texto e já estou aqui chorando de novo com o momento em que ele mostra o livro que Alison gravou com sua voz para os meninos.

O andamento do episódio foi nos mostrando cada vez mais como Rob era uma pessoa carinhosa, cuidadosa e empática e o quanto ele sofria pela ausência de sua esposa. Os meninos ajudaram ele a superar de forma saudável esse momento de sua vida, e na sua nova casa vimos ele cozinhando, tentando ser feliz com todos ao seu redor e criando um ambiente alegre para seus filhos ao mesmo tempo em que respeitava a memória de Alison. O momento mais lindo é quando ele abre um baú que Bobby fez, entalhado com a caligrafia de Alison, onde se lia “PS, Be Nice To Your Brother”, o que ela assinava em todos os cartões de aniversário adiantados que ela escreveu para as crianças. Bobby, você é tudo pra mim!

 

1ª Temporada, Episódio 3 – “Dega Don’t”

Este episódio marcou muito principalmente pelo seu início: os Fab 5 estavam no carro, e Karamo (que é um homem negro) estava dirigindo. O carro deles é parado, e um policial branco pede que ele saia do carro e explique algo (se não me engano) sobre a placa do carro, e ele explica que eles estão filmando uma série sobre “reformar homens héteros”. Considerando que eles estão nos sul dos Estados Unidos, que é conhecido por seu racismo absurdo, tanto o Karamo quanto os espectadores que conhecem esse contexto começam a surtar no mesmo momento. Então, descobrimos que é uma pegadinha dos policiais, porque na verdade foram eles que indicaram Cory, um outro policial de 36 anos.

Cory é, basicamente, muito do que eu odeio em um ser humano: um homem branco, hétero e cis, republicano que apoia o Donald Trump e até usa o chapéu ridículo “Make America Great Again”. Apesar disso, os Fab 5 (e principalmente o Karamo) tiveram uma paciência enorme para explicarem, por exemplo, a necessidade do movimento Black Lives Matter, e como os negros daquele país se sentiam absurdamente inseguros perto de policiais (e com muita razão!) considerando a quantidade de jovens negros que são assassinados sem motivo pela polícia todos os anos. Esse episódio dividiu muito o público, porque em vez de estarem ajudando uma pessoa “melhor”, eles estavam dando atenção logo para esse tipo de cara, mas eu entendo que a série quis mostrar que não interessa apenas conversar e ajudar aqueles que já concordam com a gente, porque isso não ajuda as nossas pautas. Pra quem está disposto a ver com o coração aberto, é um bom episódio para exercitar a tolerância.

 

3ª Temporada, Episódio 3 – “Jonas Bar-B-Q”

Talvez esse tenha sido o episódio que nossos Fab Five mais fizeram algo financeiramente por alguém. As irmãs Jonas são duas senhoras ao redor dos 60 anos que tinham um pequeno trailer onde vendiam churrasco americano com molhos caseiros. Elas sempre trabalharam para criar sua filhas e terem sua indepedência mas com a demasiada carga de trabalho a falta de cuidado veio, uma dar irmãs não tinha os dentes e em todos momentos que ria ela trazia a mão a frente de sua boca com vergonha. As duas precisavam de uma injeção de confiança e de melhores condições de trabalho, seu negócio cresceu tanto pela qualidade que as duas não davam mais conta de tudo.

Nossos meninos maravilhosos entraram ai e entre momentos de conversa vimos Tan usar seus talentos para dar uma nova roupagem a duas jovens senhoras que só usavam roupas largas e sujas, vimos Jonathan ainda além dos cuidados de pele e cabelo, ele deu um sorriso e felicidade a uma das irmãs e ela apenas disse com uma pequena criança: “I can smile again!” e eu apenas chorei. Karamo trabalhou forte na confiança delas e deixou claro que elas tinham uma raridade de negócio em suas mãos e ai entraram Bobby e Antoni, as duas expandiram seu negócio com uma repaginada no lugar de trabalho e ainda conseguiram uma indústria parceira para fabricar o molho e distribuir por todo os USA e quem sabe o mundo, apenas quero provar esse molho.

Esse episódio mesclou momentos onde eu abri um sorriso de um lado pro outro, momentos de tristeza, momentos de choro e de gratidão e talvez seja o melhor de toda a história de Queer Eye.

 

MENÇÃO HONROSA: 4ª Temporada, Episódio 5: “On Golden Kenny”

Chegou o momento da nossa Menção Honrosa, e por que não um episódio da recém lançada quarta temporada? Neste episódio conhecemos o simpático Kenny, que tem ascendência croata e vive solitário em uma casa desde que seus pais faleceram há quase 20 anos, e tudo ainda piorou quando seu cachorro, que era seu único companheiro, faleceu.

Kenny vivia em uma casa cheia de poeira (MUITA POEIRA e sujeira), e ele declarou que nunca esteve apaixonado ou envolvido amorosamente em sua vida, o que nos deixou com a pulga atrás da orelha pensando: será que ele é gay? Isso não foi revelado, e não ficou a impressão de que ele realmente seja, mas vimos Kenny aos pouquinhos reagindo, ganhando confiança, e duas pessoas foram extremamente importante aqui: Jonathan e Antoni.

A mudança de visual pode parecer supérflua, porém para Kenny foi a possibilidade de ver um rosto, uma felicidade e uma pessoa que ele já não reconhecia em si mesmo há décadas. Ele falando de como usava o barulho do seu rádio constantemente para combater a solidão, e como não via necessidade em limpar e arrumar a casa se ninguém vinha visitá-lo, mas na realidade a relação era o exato oposto: ninguém ia visitá-lo PORQUE ele não limpava nem arrumava nada, o que tornava o local pouco convidativo e também dava vergonha nele próprio de levar seus amigos e parentes. Outro ponto legal do episódio foi quando Antoni buscou nas raízes croatas de Kenny inspiração para um prato, e ambos acabaram aprendendo muito um com o outro. E na cena seguinte vimos Antoni, Jonathan e Kenny indo a um canil, e Kenny reencontrou a luz de seus olhos ao ver um cachorro ali que o lembrava muito do seu cão que havia morrido. E Kenny não titubeou ao nomear seu novo companheiro: o nome escolhido foi Fab Five <3.

Esperamos não ter dado muitos spoilers para vocês, mas essa série é simplesmente perfeita e capaz de tornar cada um de nós uma pessoa muito melhor. Assistam! Não vão se arrepender 😉

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Isabella Oliveira

Poderia estar matando ou roubando, mas provavelmente levaria pouquíssimo jeito para a coisa, daí eu faço Direito. @brockhxmptxn no Twitter.

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