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Panelaço: Consciência Negra

Em celebração do Dia da Consciência Negra, vamos falar um pouco sobre algumas séries e filmes que trazem personagens e histórias do povo negro que todas as pessoas deveriam conhecer. Sem ordem de qualidade ou relevância, tudo aqui é importante a sua maneira. Nessa lista, não entram filmes já conhecidos como 12 Anos de Escravidão ou Hotel Ruanda, já que achamos que é necessário ir além desses filmes com negros ou feitos por negros que só reforçam a noção de dor e sofrimento, tão reforçada pela mídia nas mais diversas formas.

Primeiro, os filmes:

Get Out (2017)

A história desse filme, sem spoilers, é maravilhosa, e é muito difícil classificar ele nas categorias as quais a gente tá acostumado. Há quem diga que seja um filme de comédia, há quem diga que seja um filme de terror e ainda há quem diga que é um suspense,  mas a verdade é que o limite entre os três é uma linha bem tênue. No filme, o personagem principal, Chris, interpretado pelo Daniel Kaluuya, vai conhecer a família da namorada e umas coisas estranhas começam a acontecer a partir do momento em que ele chega por lá. Sabe aquela frase “não sou racista, inclusive tenho amigos que são negros”? É basicamente ao redor dela que o filme gira. E não dá pra esquecer que o filme teve quatro indicações ao Oscar e ganhou uma estatueta, de Melhor Roteiro Original.

Black Panther (2018)

Pantera Negra é um dos melhores filmes que eu vi nos últimos tempos e dá pra ler mais sobre o que eu achei sobre no Especial que eu escrevi aqui pro site (http://bit.ly/PanelaPanteraNegra). Mas, é importante falar que o filme é mergulhado na ideia do Afrofuturismo, que é a reimaginação do mundo em um futuro, mas tendo em vista o ponto de vista do negro. Fala-se que a Marvel tá numa tentativa de que o filme concorra na maior quantidade de Oscars possível, o que é nada além do merecido.

Moonlight (2016)

O filme, ganhador do Oscar de Melhor Filme, conta a história de Chiron em três momentos: infância, adolescência e adulto. Ele é negro, vivendo em uma comunidade pobre e precisa aprender a lidar com várias coisas que vão acontecendo em sua vida. Temáticas como sexualidade, paternidade, violência e raiva permeiam a obra e são reflexos da vida real de vários homens negros.

BlacKkKlasman (2018)

O mais recente dessa lista é uma obra genial do Spike Lee, mas baseado em um livro. Na história, Ron Stallworth se torna o primeiro policial negro da cidade de Colorado Springs e resolve se infiltrar na Ku Klux Klan, organização (sabidamente) racista e preconceituosa. Parte do contato acontece por telefone, mas ele precisa aparecer nas reuniões, então outro colega policial, um judeu, vai começa a se  passar por Ron. Vejam esse filme, porque a mágica dele é atacar o racismo em si, não necessariamente as pessoas que perpetuam o racismo.

Estrelas Além do Tempo (2016)

Mais uma história real, Estrelas Além do Tempo mostra a importância que um grupo de mulheres negras tiveram no lançamento do foguete que levaria a humanidade à Lua pela primeira vez. Numa época sem computadores e sem calculadoras poderosas, foram elas que fizeram os cálculos necessários para que tudo desse certo (spoiler: deu). Indicado à três Oscars, é mais um filme que mostra como o reconhecimento de produções com atores negros vêm recebendo.

Agora, as séries:

Atlanta

Estrelada e escrita pelo fenômeno mundial Donald Glover, Atlanta conta a história de um jovem que sai da universidade para virar agente da carreira de súbito sucesso de seu primo, mesmo com ambos discordando em diversos pontos sobre arte e entretenimento no hip-hop. A série foi uma das mais aclamadas pala crítica em 2018, com sua mistura de drama e senso de humor ácido. Essa união de fatores é que tornam “Atlanta” uma série genial.

How To Get Away With Murder

Fenômeno mundial, criado por um dos maiores nomes da tv norte americana, Shonda Rhimes. HTGAWM, como é chamada pelos fãs, deu o primeiro Emmy de melhor atriz a uma mulher negra na história da premiação. Viola Davis vive Annalise Keating, uma bem sucedida advogada e professora, que precisa limpar a bagunça dos seus alunos e lidar com os casos de seus clientes. Nas últimas temporadas a personagem vem lutando para expor e liberar presidiários negros e latinos que foram parar na cadeia injustamente, travando uma grande e bonita batalha em um país racista.

Chewing Gun

Sabe aquela série completamente louca, bizarra, que nos faz ter dores na barriga de tanto rir e ainda traz boas reflexões? Essa é Chewing Gun. A série britânica é escrita e protagonizada pala incrível Michaela Coel e aborda assuntos como fanatismo religioso, relacionamento inter-racial, homossexualidade, racismo, negritude, feminismo e muito mais. Tudo isso a partir do ponto de vista de uma protagonista negra, extremamente engraçada, inteligente, carismática e que você nunca vai esquecer.

Dear White People

Imagine uma Malhação com 99,9% de atores negros, abordando assuntos extremamente relevantes para comunidade negra, expondo as contradições de LGBTs e feministas brancas e ainda mostrando todas as diferenças da comunidade negra. Essa é Dear White People, a série que foi alvo de críticas quando a Netflix lançou seu primeiro trailer, pois os brancos acharam que a série era “anti brancos”, alguém avisa? Risos. O fato é que Dear White People aborda assuntos super importantes, com um drama adolescente universitário bem gostosinho por trás, são os jovens negros sendo representados de uma forma nunca vista antes. Mas não se engane se você acha que ela ainda não incomoda, ela incomoda muito, afinal muita gente não está preparada para ver o racismo sendo abordado de forma tão direta como é aqui.

POSE

Essa obra prima criada e escrita por Ryan Murphy é a série com maior quantidade de atrizes trans já produzida e o melhor, todas elas são negras e/ou latinas. Se mulheres negras já são negligenciadas na sociedade heteronormativa branca e patriarcal, imagine mulheres negras transsexuais. POSE vem para contar a história dessas mulheres, que viveram nos anos 80 e estavam em situação de extrema vulnerabilidade. Elas são o carro chefe da comunidade LGBTQI+ e merecem ser ouvidas, protagonizadas, vistas. Além de tudo isso ainda conseguimos entender melhor o local social de gays negros, que não ocupam os mesmos espaços que gays brancos e somos apresentados a o maravilhoso universo dos balls, os eventos em que a comunidade negra e latina LGBTQI+ norte americana se reunia para serem quem eles queriam ser. Pose deveria ser exibida nas salas de aula.
Menções Honrosas
The Chi: criada, escrita e dirigida por Lena Waithe, mulher, negra e lésbica, a série conta a vida em um bairro no lado sul de Chicago. Com o elenco 99,9% negro, o drama foi uma das melhores estreias de 2018.
The Get Down: A original Netflix conta a história de um grupo de hip-hop e um trio musical de meninas crescidas no South Bronx, em busca do seu lugar na indústria musical. A série foi cancelada em sua segunda temporada devido à baixa audiência, mesmo sendo uma das coisas mais lindas que já vi, uma prova de quanto o público da Netflix ainda não consome séries protagonizadas por negros.
Negritudes Brasileiras: O documentário idealizado pela youtuber Nátaly Neri é um dos produtos audiovisuais mais lindos e importantes do ano e dos próximos anos. Ele conta a realidade racial no Brasil e traz diversas abordagens e reflexões, mas um que deveria ser exibido em salas de aula.

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Rafael Augusto

Um hiperativo que não sabe viver sem ler, escrever, ouvir música, ver séries e filmes, geralmente tudo ao mesmo tempo. Fã de ficção científica, suspense, Stephen King e histórias em quadrinhos.

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