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Panelaço: Especial – Dia do Fotógrafo

Diga xis!

Ontem, dia 08 de Janeiro, foi o dia do fotógrafo, e eu, como um bom estudante de jornalismo, decidi trazer para vocês uma pequena homenagem para todos os profissionais desse dia visualmente tão lindo. O mundo das séries está recheado de peculiaridades, especialidades e criatividade, tudo isso vindo de grande parte dos diretores de arte e fotografia das produções. Sendo assim, trazemos aqui para vocês uma lista das séries com as melhores fotografias, e antes de tudo, sim, existem várias outras séries que poderiam se encaixar aqui, e todas elas são louváveis e também possuem um belíssimo trabalho de arte, mas, essa listinha é algo pessoal, então sintam-se livres para discordar, e deixar suas opiniões sobre suas obras fotográficas favoritas. Vamos lá!

A Maldição da Residência Hill

A série que chegou em 2018 arrebatando uma grande audiência e número de fãs, não é só incrível por seu enredo muito bem construído, é incrível também por sua fotografia sensacional! O trabalho de arte que os diretores tiveram foi muito bem elaborado, e em um making of, eles disseram que o set da série, foi todo planejado em torno do sexto episódio da obra, que sem sombra de dúvidas, é o melhor de todos em termos artísticos.

Two Storms” foi feito praticamente em plano sequência, sendo feitas 18 cenas com duração extensa e sem cortes. O resultado fala por si só, e o fato de uma série, que a princípio não tinha pretensão alguma, conseguir produzir algo tão bem feito e com uma técnica digna de filmes hollywoodianos, faz com que A Maldição da Residência Hill ganhe destaque em meio as outras produções. Tirando o fato do sexto episódio ser um incrível trabalho de fotografia, a série ainda deixou seu registro bem claro com uma edição em tons sépia que combinam muito com o contexto.

A iluminação foi construída em maioria com luz natural direta, sendo vários planos com a luz vindo da janela e iluminando um ponto específico, mas também, em planos mais fechados, sempre temos algum ponto de luz que traz a iluminação para o quadro, como por exemplo abajus e lamparinas. Por fim, temos o grande trabalho que os diretores fizeram com os elementos da série, como as estátuas que se movimentavam e os fantasmas escondidos em algumas cenas, tudo isso feito de maneira sutil e criativa, que acabou trazendo uma certa interação com os telespectadores, e uma própria preocupação que os técnicos de arte tiveram em encaixar esses pequenos detalhes na série.

Mr. Robot


Essa série aqui é um exemplo de aula de arte para esse panelaço, pois o trabalho que o diretor de fotografia, Tim Ives, juntamente com o diretor Sam Esmail tiveram com essa obra é simplesmente fantástico! Mr Robot é uma série com muitos detalhes, planos inteligentes e cortes limpos e muito bem amarrados, e a direção de Tim é muito envolvente, pois ele possui uma estética bem minimalista e seca, mas o resultado final acaba se sobressaindo muito.

Assim como em A Maldição da Residência Hill, Robot possui um episódio específico que deixou os fãs encantados com o trabalho da direção. O episódio 3×05 foi também construído em plano sequência, porém, diferente da série de terror, que essa técnica foi feita para trazer tensão, aqui nessa série ela foi feita para trazer um frenesi devido aos acontecimentos que discorriam, além dos cortes na mesma terem sido ainda mais sutís que na série anterior. A série trabalha bastante com a baixa profundidade de campo, executando close-up’s que destacam ainda mais as atuações. A paleta de cores dela é basicamente em tons frios, tudo isso para dar o ar de seriedade que cobrem a trama. E por fim, destaco os planos, enquadramentos e composições, em que o diretor recorta várias cenas pra usar molduras e encaixá-las em um quadro, e isso é feito muitas vezes durante a série, o que mostra um forte estilo dos diretores. São enquadramentos e planos incríveis, que só valorizam essa obra prima que é Mr Robot.

Homecoming

Se em Mr.Robot Sam Esmail já faz um trabalho espetacular, em Homecoming o diretor conseguiu se aprimorar e nos entregar uma verdadeira obra de arte, em que a produção fotográfica da série literalmente dita um dos caminhos que a trama segue. O diretor usa de diversos artifícios para dar tom aos acontecimentos, e por mais simples que a cena seja, ele consegue transformá-la com sua grande visão e criatividade. Um dos exemplos que mais me deixaram de boca aberta, foi uma cena em que acompanhamos uma caixa sendo entregue, e essa caixa permanece na mesma posição, passando por diversos cenários até chegar ao destino. Com um enquadramento em que observamos a caixa de trás, ver os cenários a frente se transformando foi simplesmente genial!

Sobre o enquadramento 4:3 usado, não vou revelar qual foi o seu propósito senão seria spoiler, mas podem ter certeza que isso foi proposital, e como eu já disse, serviu para ditar uma parte importante da série. Tivemos aqui um trabalho de edição bem neutro, assim como em Robot, com cores mais frias que trazem seriedade para a trama.

Apesar de ter pouca relação, queria também destacar a sonoplastia da série, principalmente nos momentos em que os personagens conversavam ao telefone… Eles fizeram um trabalho incrível com o áudio, o deixando da exata forma de como nós ouvimos uma ligação, com barulhos de interferência e uma distância no volume da voz. Assim como em Robot, Sam coloca diversos detalhes em cena que fazem com que tudo faça sentido, por mínimo que esse detalhe seja. Homecoming é um aprimoramento, além de várias referências à diretores clássicos como David Lynch e Stanley Kubrick, o que acaba dando ainda mais valor para essa obra.

Game Of Thrones

É claro que Game Of Thrones não iria ficar de fora da nossa lista, isso pelo fato da própria ser considerada por muitos uma das melhores fotografias do mundo da série, devido ao seu grande valor de produção e efeitos dignos de filmes Oscarizados. Game Of Thrones é a construção de um novo mundo pelas lentes e pela produção, o trabalho que a equipe fez é coisa árdua, de muito estudo e trabalho, e o resultado são cenas icônicas, ambientações impecáveis e verdadeiros shows de edição.

Todo o trabalho de arte do universo Game Of Thrones é excelente, se você ver os próprios pôsteres da série, verá o quão detalhado e bem feito é. Em GOT temos dois cenários que se destacam pela forma em que sua edição é feita, temos a parte do norte de Westeros, que é feita em tons frios já que se passa em uma região fria, e temos o sul de Westeros, com muitos tons quentes e uma iluminação que aumenta ainda mais essa sensação de ‘calor’. O mais interessante nisso é ver como eles combinam as duas peças, e como elas também fazem parte do enredo da série “crônicas de gelo e fogo”. Como eu já disse, é todo um universo muito bem feito que os diretores/produtores construíram, e além disso, elevaram para um nível completamente diferente. Ainda destaco o fato de a série, por ser uma fantasia, dá ainda mais liberdade para os produtores ousarem em criar novos quadros, novas edições, novos jogos de iluminação e câmera… Não é à toa que por tudo isso, Game Of Thrones sempre faz a limpa nas premiações, e com sua última temporada se aproximando, é agora que tudo será feito com a maior produção possível, e que com certeza resultará em uma chuva de prêmios para a série.  

Anne With An E

Essa série aqui é uma grande obra que foi inspirada nos livros da escritora canadense L.M Montgomery de 1908 e que faz muito jus a toda criatividade e beleza que as palavras da escritora transmitem para aqueles que conhecem a obra. Anne é uma série feita com muito carinho. Cada quadro dessa série foi feito para te encantar, já que em maioria, a série transmite uma aura (iluminação) que brilha e provoca ao telespectador a sensação de alegria, coisa que a protagonista tanto tem. Mas como se não bastasse, a série tem uma ambientação de tirar o fôlego, com planos imersos em beleza e realidade, nos entregando uma verdadeira experiência sensorial. Nas cenas de plano aberto, eles sempre conseguem mostrar paisagens incríveis, nos planos fechados, eles conseguem mostrar até a alma dos personagens, de tão sensível que tudo aquilo que é mostrado é.

A série também conta com bastante luz direta e natural, já que ela se passa em uma época que quase não havia energia elétrica, o que aumenta ainda mais a beleza e veracidade dos quadros. Assim como Game Of Thrones, a beleza de Anne não se prende somente à série, já que um dos destaques em termos artísticos, é a espetacular abertura da série, que é um show de fotografia, composição e beleza. Essa abertura é a síntese da série, e nela podemos ver o quão grandiosa e tocante é a fotografia/arte de Anne. O trabalho dos diretores em usar os elementos naturais é fantástico, como por exemplo a cena em que Anne brinca com diversas borboletas e uma luz pino, como se fosse um holofote, ilumina toda aquela cena. É simplesmente lindo!

The Handmaid’s Tale

E é claro que a série com a melhor fotografia da atualidade não poderia faltar. Sério, faltam-me palavras para conseguir expressar tudo o que sinto com a arte dessa série, e mesmo me decepcionando com sua trama, jamais me decepcionei com essa outra questão, que para mim, é tão importante quanto. The Handmaid’s Tale é uma série cheia de detalhes artísticos, e feita com muita técnica e perfeição. Tem três elementos em sua fotografia que chamam a atenção, então, vou destacá-los aqui e vocês verão o quão incrível a fotografia dessa série é. O primeiro elemento é a simetria dos planos, e a série abusa muito disso, e todos eles muito bem feitos! Podemos ver planos simétricos de todos os ângulos, frente, costas, atrás dos personagens, mas os planos vistos de cima são aqueles que mais impressionam.

O segundo elemento é a iluminação, que talvez seja o elemento dos três o que mais se destaca, pois é um dos primeiros que conseguimos captar logo de cara. É simplesmente impecável a forma com que os diretores trabalharam com a iluminação, fazendo mais uma vez uma iluminação direta, que parece muito com essa luz de pino, que remete a holofotes e canhões de luz. Essa luz é feita para iluminar somente um ponto da cena, só que como se não bastasse isso, a série SEMPRE faz planos belíssimos contra a luz, gerando um efeito de silhueta nos personagens que é SENSACIONAL! Os tons que eles colocam nessa luz são sempre bem amarelados, mas esmaecidos, como se fosse um sépia, que traz esse ar de antiguidade para a série, mesmo ela se passando no presente.

O terceiro elemento é a baixa profundidade de campo, que como eu já disse em Mr.Robot, são esses close-up’s que os diretores fazem somente em um ponto específico, deixando todo o resto do quadro fora de foco. Isso acontece MUITO na série, principalmente com a atriz principal, Elisabeth Moss, e definitivamente o uso contínuo dessa técnica contribui ainda mais para o aperfeiçoamento das atuações dos personagens. O uso da baixa profundidade de campo é para focar nos detalhes, trazer mais drama e mais verdade para aquilo que é mostrado, o que somando-se ao resto da série, é a técnica perfeita.


Por fim, eu ainda gostaria de destacar os enquadramentos da série, que possuem algo de muito simbólico neles. Geralmente em uma cena que envolve os Coronéis, as Esposas e as Aias, sempre veremos eles nas seguintes disposições de câmera: Coronéis vistos de baixo, Esposas na mesma elevação, e Aias vistas de cima. Isso para mostrar uma ordem nas classes dos personagens, significando que todos aqueles que olham para os coronéis são inferiores a eles, por isso olhamos de baixo, as esposas são neutras e não possuem tanto poder, por isso olhamos na mesma altura, e as Aias são inferiores a todas as outras classes, por isso olhamos de cima, mostrando superioridade. Eu poderia falar da questão das cores também, mas acho que isso todo mundo já conhece né? Mas ainda assim, não deixa de ser incrível! The Handmaid’s Tale é, sem sombra de dúvidas, a série com a melhor fotografia da atualidade.

Menção Honrosa: Sharp Objects

Essa adaptação do livro “Objetos Cortantes” foi um grande acerto, e não somente na questão de enredo, mas também na construção cinematográfica da série, que é muito bem feita. A série se passa em uma cidadezinha de interior, e nada melhor do que uma iluminação estéril e uma paleta de cores opacas e apagadas para trazer todo o ar pacato da cidade. Temos aqui também um belo uso da baixa profundidade de campo, claro que não é algo do nível de The Handmaid’s Tale, mas eles usam muito bem para focar em elementos e detalhes que estão escondidos pelas cenas, e isso acontece bastante. A série tem cortes rápidos, principalmente nos momentos de flashback, mas isso não atrapalha em nada na experiência, muito pelo contrário, só aumenta todo o mistério do roteiro. Por fim, mesmo a série possuindo uma coloração opaca, uma cor se destaca dentre as outras, e é o verde, que sempre está presente na maioria das cenas. Mas além do verde, algumas cores são colocadas em certas cenas para exemplificar alguma coisa, e, não poderei falar muito mais além disso para não dar spoiler, mas as cores se relacionam também diretamente com Camille e alguns problemas que ela sofre.

Por tudo isso, Sharp Objects é uma série que vale ser citada aqui por seu grande trabalho de adaptação e fotografia.

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Ricardo Souza

Tem gente que diz que sou um amorzinho, eu digo que sou um trouxa. Viciado em maratonar séries e ficar na bad depois de assistir tudo em um dia. Amo muito música indie, quando quiser me chamar pra ouvir Florence já sabe onde procurar. Mineiro do interior que não puxa o 'r' quando fala, mas adora um pão de queijo.

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