Posts Populares

Panelaço: Filmes Brasileiros – dia do cinema brasileiro

E vamos de enaltecer essas obras nacionais?!

Dia 19 de junho é comemorado o dia nacional do cinema brasileiro. Hollywood dominou e moldou muito os nossos gostos por filmes, o que torna a tarefa de enaltecer o cinema nacional algo muito importante, pois ainda hoje, há muitas pessoas que não dão o devido valor que o cinema brasileiro merece, por um (pré)conceito que foi moldado por influência de Hollywood. Sendo assim, trazemos aqui nesse panelaço para vocês alguns dos melhores filmes nacionais, e ainda deixarei ao final do panelaço um drive contento alguns dos 100 melhores filmes brasileiros listados e rankeados pela Abraacine para vocês assistirem e tirarem suas próprias conclusões de como o cinema nacional é rico e bom! Vamos lá? 😀

 

Jogo de Cena (2007 – Eduardo Coutinho)

Abrindo a lista com um filme bem diferente do usual, Jogo de Cena é um filme que é uma das experiências de Coutinho que deram muito certo! O filme é uma entrevista com 23 mulheres, sendo metade delas mulheres comuns escolhidas através de uma entrevista, e a outra metade, atrizes que estão interpretando as histórias que essas mulheres comuns contaram. É muito incrível você ver a dualidade, há momentos que você, propositalmente, é levado a se questionar sobre qual delas é a atriz e qual é a pessoa verdadeira da história. É um trabalho intrínseco de ator/câmera, podemos notar como é o processo de atuação deles, e como é importante esse processo e o trabalho de encenação, que é a característica mais importante em um filme, não a toa é aquilo que é mais cobiçado na profissão.

Cidade de Deus (2002 – Fernando Meirelles)

Cidade de Deus é, com certeza, um dos filmes mais famosos e cultuados do cinema brasileiro. Dirigido por Fernando Meirelles (o mesmo que fez Dois Papas, que foi recentemente indicado ao Oscar) e Kátia Lund, o filme mostra a trajetória de dois rapazes moradores da Cidade de Deus, do Rio de Janeiro dos anos 70. O filme também é uma adaptação de um livro de mesmo nome, do escritor Paulo Lins. Buscapé e Zé Pequeno são os protagonistas desse longa, Buscapé é um jovem fotógrafo que registra sua realidade com suas fotos e Zé Pequeno é um traficante imponente que usa da ajuda de Buscapé para fortalecer sua fama. É muito incrível ver a retratação fidedigna do ambiente em questão, somos levados para dentro da comunidade, conhecemos uma realidade que pouco é mostrada na televisão, não da forma com que Cidade de Deus retrata, que é a forma que vai de contramão com que conhecemos pelos moldes dos jornais. Cidade de Deus foi muito importante para a difusão do cinema nacional, o filme conseguiu atingir muitas camadas da sociedade, com suas cenas e falas emblemáticas, como “Meu nome agora é Zé Pequeno”. Se você ainda não viu esse grande filme, faça o favor e vá já assistir!

 

Aquarius (2016 – Kleber Mendonça Filho)

Kleber Mendonça Filho é um gênio do cinema nacional, conhecido por suas obras como O Som Ao Redor (2012) e o mais recente e aclamado Bacurau (2019). Em Aquarius, somos apresentados a vida de uma jornalista aposentada chamada Clara Bragança. Clara vive em Recife em um edifício chamado Aquarius desde sua infância, e lá, sua vida foi feita, com os ensinamentos de sua mãe, o desenvolvimento por um gosto musical apurado, um câncer que mudou sua percepção de vida, a criação de seus filhos e netos. Entretanto, uma construtora quer destruir o edifício para a construção de um edifício moderno. E é aí que uma disputa se inicia entre Clara e a construtora. Clara se recusa a abandonar o lugar onde cresceu e viveu durante toda sua vida, e a princípio isso pode parecer egoísta, mas Clara tem seus motivos, que são muito válidos, para não querer sair de lá. Fora isso, ainda há um debate bem implícito sobre como a construção desses novos prédios modernos nas orlas das praias estão destruindo e modificando todo o ambiente em questão. Durante o filme torcemos por Clara, nos aprofundamos em sua história, vemos o quanto ela é uma mulher forte e convicta e que de forma alguma abrirá mão daquilo que é mais precioso para ela.

 

Madame Satã (2002 – Karim Aïnouz)

Dirigido por mais um dos grandes nomes do cinema nacional, Karim Aïnouz fez, entre outros, filmes como Deus é Brasileiro (2003), Praia do Futuro (2014) e A Vida Invisível (2019), mas foi em 2002 que Karim nos apresentou ao seu trabalho mais ambicioso, Madame Satã. Madame Satã foi uma é na verdade João Francisco dos Santos, uma figura emblemática e um dos personagens mais representativos da vida noturna e marginal da Lapa carioca na primeira metade do século XX. Interpretado por Lázaro Ramos, somos apresentados a vida conturbada e desafiadora de João, um homem negro e gay que é constantemente marginalizado pela sociedade ao redor. Entretanto, João possui um temperamento muito forte, e sempre enfrentou todas as pessoas que constantemente o marginalizavam, entre eles, a própria polícia. Seu comportamento é uma das principais questões abordada no filme, e é através disso que conhecemos a emblemática Madame Satã, sua persona mulher que se vestia para fazer apresentações artísticas. João sonhava em ser ator e fazer de Madame Satã uma personagem emblemática, e após todos os percalços, ele conseguiu. Esse filme é muito poderoso em sua mensagem, e caso você ainda não tenha assistido, eu recomento fortemente você assistir, principalmente por tudo que estamos vivendo atualmente.

 

Que Horas Ela Volta? (2015 – Anna Muylaert)

Esse aqui é o meu filme nacional favorito, pois quando eu assisti eu estava em um momento de desconstrução na minha vida, e esse filme foi muito importante para abrir os meus olhos sobre algumas questões. Dirigido por Anna Muylaert, temos no elenco ninguém mais ninguém menos que Regina Casé interpretando Val, uma humilde empregada doméstica que trabalha para uma família rica de São Paulo. Val saiu de Pernambuco como uma daquelas histórias que tanto ouvimos falar, de pessoas que saíram de sua cidade e foram para a grande capitão, São Paulo, em busca de uma vida melhor. O filme aborda muito bem as questões de desigualdade social, temos o retrato de uma “família tradicional brasileira” sendo exposto e percebemos o quanto e grotesco esse modelo. O filme nos anima, principalmente nos momentos de mais simplicidade, e torcemos pelas conquistas de Val, que é tratado com um certo nível de bondade pela família rica, mas que esse contato possui um limite tênue. Há ainda a representação de uma maternidade não biológica por essas construções sociais (entenda mais aqui) e como Val é vista como uma mãe muito mais compreensiva nos momentos mais oportunos, por Fabinho, o filho de Bárbara Bragança. Que Horas ela volta é uma obra-símbolo de uma retratação atual, e por isso tocou muita gente por sua fácil identificação. Por favor, assistam a esse filme.

 

Central do Brasil (1998 – Walter Salles)

É claro que essa obra prima não poderia ficar de fora dessa lista. Dirigido por Walter Salles, que participou, dentre outros, de filmes como Cidade de Deus e Madame Satã, anteriormente citados aqui, Central do Brasil é assim como Que Horas ela Volta, um filme obra-símbolo, que representa uma realidade que vai de encontro com muitas famílias e vivências, principalmente da década de 90 e início dos anos 2000. Como no texto que eu citei anteriormente, Central do Brasil representa uma época que tinha um governo diferente, o que dava condições diferentes e o aumento para a disparidade social. No filme acompanhamos Dora, uma ex-professora com uma dura vivência, o que traduz parte da sua forte personalidade. Ela trabalha com cartas em uma estação, até que um certo dia, uma mulher acidentalmente acaba morrendo, deixando o seu filho sozinho na grande São Paulo. Dora acaba por levar Josué para sua casa, e após alguns momentos discrepantes, em que Dora tenta vender Josué, ela acaba por fazer uma jornada em levar o jovem para a sua cidade natal, no nordeste. Assim como Que Horas ela Volta, esse é também um filme que aborda uma maternidade não biológica, já que Dora, mesmo relutante a princípio, foi criando sua história juntamente com Josué, e a relação e o afeto entre os dois se estreita por conta dessa linda jornada. A maravilhosa Fernanda Montenegro fez um belíssimo trabalho nessa atuação/representação, o que rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz (em que ELA FOI ROUBADA DESSE OSCAR). Enfim, filme perfeito, e que merece todos os louros que ele recebeu e ainda recebe!

 

Menção Honrosa – Bacurau (2019 – Kleber Mendonça Filho)

E olha Kleber aparecendo aqui novamente. Bacurau foi um filme que estourou em um momento super oportuno aqui no Brasil. O filme mostra uma realidade de uma pequena cidade do Nordeste chamada Bacurau. Com fortes simbolismos, representações e traços com a realidade, além de uma crítica social muito bem construída, Bacurau mescla e brinca com o distópico e com o real, com o passado e o futuro, e faz isso tudo, sem deixar de lado uma incrível representação cultural. Já assistiu Bacurau???

E assim chegamos ao final desse panelaço. Mas ainda quero destacar alguns outros filmes que valem muito a pena vocês darem uma conferida. São eles:

 

  • Olga (2004)
  • Carandiru (2003)
  • O Auto da Compadecida (2000)
  • Noite Vazia (1964)
  • Como Nossos Pais (2017)
  • Paraísos Artificiais (2012)

E claro, como prometido, deixarei aqui um drive contendo mais de 60 filmes e uma lista oficial lançada pela Abraacine com os 100 melhores filmes brasileiros. [DRIVE – 100 Melhores Filmes Brasileiros – Abraacine]

Espero que vocês tenham gostado, aproveitem esse momento em que devemos ficar em casa para assistir algumas dessas grandes obras, que provam a grande importância e relevância do cinema nacional. Até a próxima pessoal.

gostou da matéria? deixe um comentário!

Ricardo Souza

Tem gente que diz que sou um amorzinho, eu digo que sou um trouxa. Viciado em maratonar séries e ficar na bad depois de assistir tudo em um dia. Amo muito música indie, quando quiser me chamar pra ouvir Florence já sabe onde procurar. Mineiro do interior que não puxa o 'r' quando fala, mas adora um pão de queijo.

Tema por Gabriela Gomes Todos os direitos reservados ao Panela de Séries