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Panelaço: Melhores séries dos Anos 2000

Isso é tão 00’s

Olá milenares. Parece que foi ontem que dançamos Ragatanga, ou que estroiou o clássico que definiria toda uma geração: Meninas Malvadas. Mas na verdade, já fazem mais de 15 anos! Quem nasceu em 2000 já tem 18 anos, dá inclusive para pegar sem ser preso. Britney sobreviveu a 2007 assim como nós passamos a fase emo (saudades Evanescence).

Brinks a parte, com a virada do século, natural que a humanidade passasse por significativas transformações. A era de Aquário chegou com suas características de comunicação rápida (web, smartphones), busca pela tecnologia e oposição ao autoritarismo (valorização de liberdades individuas) ao mundo real, assim como o das séries.

Olhando essa década dos 10’s, é notória a diferença do antes e depois dos 2000 no mundo das séries. Pensando nisso, separamos uma lista das melhores e mais importantes séries da última década. Os critérios preponderantes foram: relevância, inovação artística, e contexto da época inserida. Só entraram séries que estrearam nos anos 2000 ou que tenha sua maior parte situada nessa década, então queridinhas como Friends ficaram de fora.

Vamos lá.

– The Sopranos:

Família Soprano, considerada a melhor série já feita (aqui),definiu o antes e depois da TV. Estreou em 1999, como que dizendo: “vamos encerrar esse milênio mostrando o poder que o próximo trará”. Se você se considera seriador de carteirinha e não viu ainda, se envergonhe. Volte duas casas e faça sua lição netflizeiro.

A série trata a vida de um chefe da máfia, Tony Soprano, dividido entre seu trabalho, o crime, e sua família, e que ao ter crises de pânico, começa a consultar uma psicóloga. Os paralelos com O Poderoso Chefão são inevitáveis. Inovou ao trazer o primeiro personagem principal anti-herói, dúbio, sem características maniqueístas e por vezes amorais. Antes, todos os principais eram aquele tipo bonzinho infalível Maria do Bairro, que sempre faz o certo, sem qualquer complexidade ou coerência com a realidade.

Além de trazer ação estilo Tarantino (todo ep temos uma briga, confusão ou pior), a série foca em questões psicológicas, sociais e culturais. Quase todos os temas da humanidade foram tratados na série, inclusive genocídio indigena, suicídio adolescente (aprende aqui 13 Gores) e homossexualismo (um tema controverso para época, que simplesmente ou não era abordado, ou o era de forma caricata).

O 4 ep é um marco na tv. Nele, Tony Soprano, leva sua filha para visitar universidades as quais ela poderá estudar. A questão familiar é abordada com perfeição. Um homem que é duas pessoas: uma em casa, outra no trabalho. Enquanto sua filha espera inocentemente no carro, ele estrangula uma testemunha a sangue frio. A cena é pesada e crua. Os produtores da HBO tentaram cortar por achar inadequada, mas o criador insistiu em deixar, para assim mostrar que estaríamos de frente ao personagem mais complexo já mostrado na telinha.

– A sete palmos:

Sabe aquelas produções que mudam seu modo de ver o mundo e te fazem repensar questões sobre vida, morte e existência? Pronto. A sete palmos é uma delas.

Trata da família Fischer, dona de uma agencia funerária, seguindo com seu trabalho e questões existencialistas. A família é composta por mãe, filha rebelde, filho gay, e mais velho modelo da família. Todo ep começa com uma morte (dos tipos mais inusitados possíveis), e a partir disso, vai desenvolvendo um tema. O tom é sombrio, encaramos com assuntos que gostariamos de evitar, como a morte, mas acima de tudo, a série é uma celebração da vida em forma de drama de primeira. Tem indiscutivelmente, o melhor final da história já feito, impossível não chorar litros.

– Lost:

Pode até não ser a melhor serie do mundo, e tr um final bem questionável, mas sua importância é inegável. A série inaugurou o vicio no mundo das series que vemos hoje, batendo recordes de download (ela praticamente inventou o “baixar series pela internet”, saudades rmvb). Deixou milhões viciados em suas perguntas sem explicações, muitas nem esclarecidas ao final, trazendo outro fenômeno que vemos com frequência hoje: o de não explicar. Foi literalmente o primeiro grande fenômeno de series com trama complexa.

 

– Breaking Bad:

A serie foi outro marco no fenômeno de divulgação de séries. Antes dela e de Lost, as pessoas viam mais filmes, e tv não era tão popular. Tudo mudou com BB. Seu anti-heroi cativou tanto, que abriu caminho para tornar as series populares mundialmente, além de lucráveis no comercio. Breaking Bad praticamente inventou o merschan e lucrou milhões com isso. Quem nunca viu uma camisa da série por ai ? Ou alguém se referindo a Heisenberg Já é um ícone na cultura pop.

Outro feito, foi inaugurar a migração de grandes nomes do cinema para as séries. Depois que Bryan Craston se tornou mundialmente famoso, muitas artistas já consolidados na carreira, toparam partir para a TV, algo que simplesmente não acontecia antes.

Vale lembrar, Heisenberg e suas atitudes moralmente discutíveis, só foram possíveis graças a The Sopranos. A série inclusive, copia muitos plots de Sopranos, mas bem inferiormente claro. Seus maiores méritos são a difusão que teve e a lucratividade. O que era um assunto de nerd, virou pop.

– Glee:

Encerrando a década, Glee veio para mostrar que realmente estávamos diante de um a nova era de luta nos direitos civis. Uma comedia, musical, teen colegial, tratando perdedores do colégio. Parecia uma bagunça de gêneros nunca misturados. Que chance tinha de dar certo ? Nenhuma. Mas de algum modo aconteceu. Talvez pela sociedade ter mudado também.

Glee inaugurou e difundiu temas importantes-complexos que vemos aos montes hoje em dia, como racismo, homofobia, gordofobia, e principalmente bulliyng. Parece até que serie inventou a palavra e deu voz a uma legião de oprimidos. Todos nós fomos um pouco influenciados por Glee. Ser criança ou teen, sofrer de problemas comuns na idade como esses, e poder ver na TV que não havia nada de errado com você, é um privilegio que maior parte das gerações não teve. Representatividade importa sim! A série veio para mostrar que uma revolução estava chegando com tudo.

Menção honrosa: BBB

Como falar dos anos 2000 sem falar do formato inventado na década que mais rende até hoje? Os realities shows. A proposta é bem clara. Ver pessoas comuns de nossa realidade em sua vida, não apenas no aspecto competitivo. Se hoje temos Master Chef, The Voice, De Férias com o Ex, é tudo graças ao BBB.

Além de torcer pelo talento no aspecto da competitividade, teríamos um olhar mais apurado sobre essas pessoas. Em suma, a personalidade, fama, paparazzi, persona, vida intima e sua invasão, sendo mais improtantes que o talento. A celebração da cultura fútil e narcisista que vivemos. Ta satisfeita Paris Hilton? Kim kardashian?

Queria ou não, o programa foi um sucesso. Edições como a de Jean, Alemã o e Dourado provam isso. Conhecemos, invadimos a privacidade dessas pessoas e passamos a amar, odiar e torcer por elas. Temas importantes e contexto de nossa época foram tratados no programa. Lembra quando Jean se assumindo publicamente em rede nacional?

Outro quesito interessante é: notem que nenhuma mulher gostosa ganhou o prêmio nessa década. Apenas mulheres pobres carentes não tão atraentes. Mulher pode ganhar dinheiro pousando pelada, falavam. O machismo era claro na vitória, não importava quanto guerreira fosse a mulher. O Max que não fez nada, ganhou. Na atual década houve uma inversão. Apenas dois homens ganharam desde então. Não dá para dizer que a sociedade esta mudando a partir disso ?

Menções honrosas: Toma Lá Da Ca, Todo Mundo Odeia o Chris. Eu a Patroa e as Crianças, formado em medicina na faculdade Greys Anatomy;

 

 

 

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Autor

Roz

Engenheiro por formação, escritor wannabe por obrigação. Nem exatas, nem humanas, renascentista. Reinventando-se. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. De Pepita a Bowie. De 80s cheese a Sopranos.

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