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Panelaço: Motivos para assistir Years and Years

Vivemos em tempos sombrios meus caros e a Years and Years chega com tudo para jogar isso right on our faces!

A minissérie é uma produção britânica da BBC One que teve recentemente seus direitos comprados pela HBO para exibição em países como o Brasil e conta com um elenco em sua maioria desconhecido, dando destaque a participação de Emma Thompson como Vivianne Rock, uma celebridade política conhecida por suas falas canastronas e sua sinceridade desmedida com posições políticas que dividem o Reino Unido.

Isso lembra alguém não acham? Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência, TA OK?

A trama se inicia no ano de 2019, onde as mudanças tecnológicas, políticas e sociais no mundo pelos anos são contadas através da ótica da família britânica Lyons, que ao mesmo tempo enfrenta suas questões rotineiras e se vê diretamente influenciada pelos acontecimentos recentes de seu país.

A família é composta por 4 irmãos completamente diferentes: Daniel, gay assumido que decide se casar com seu companheiro Ralph e posteriormente se apaixona por Viktor, imigrante ucraniano; Rosie, irmã mais nova, cadeirante e mãe solteira de dois filhos de pais desconhecidos; Stephen, irmão mais velho, casado com Celeste, com quem tem duas filhas, Bethany e Ruby; e por fim, Edith, ativista que viaja o mundo defendendo causas humanitárias. Toda a família gira em torno da impetuosa Muriel, avó materna da família e de personalidade forte com tiradas geniais.

Ficaram curiosos né? Sim, essa é mais uma ótima minissérie que compõe o cartaz da HBO, que inclusive vem emplacando grandes produções de altíssima qualidade e com elencos poderosíssimos. Years and Yeas não é diferente minha gente e por isso, nós do Panela separamos seis motivos para você assistir essa obra prima. Vamos lá!

#1 UMA FAMÍLIA COMO QUALQUER OUTRA

A minissérie, além de curta (Somente seis episódios) e bem fácil de ser apreciada, aposta sua trama numa cartada genial: utiliza de personagens “normais” no sentido de apresentarem personalidade tipificadas e de fácil criação e aposta na rotina comum de uma típica família britânica. Isso ajuda muito a identificação de quem assiste com a trama contada pelo enredo e por isso consegue envolvê-los de forma leve e natural.

Destaque principal é a atuação de Anne Reid que vive a personagem Muriel, avó materna e centro da Família. Vivemos uma relação de amor e ódio com a personagem durante grande parte da série, já que mesmo defendendo métodos e modelos tradicionais de se fazer coisas e agindo de forma um tanto quanto autoritária, ignorante e racista, a avó consegue brilhar em falas extremamente bem colocadas e sensatas, que nos emocionam bastante. A pegada lembra um pouco com a série da FOX, This is Us, que também tem uma família inserida no centro de sua narrativa.

#2 CRÍTICAS SOCIAIS NATURALMENTE INSERIDAS NO ROTEIRO

Pessoalmente, essa foi uma das questões que mais me atraiu e que me fez gostar tanto da proposta da minissérie. Por mais que o enredo envolva uma família e suas peculiaridades e divergências, eles não são o foco principal do roteiro e sim são usados como caminho de discussões éticas, morais, críticas sociais da forma mais natural possível.

Daniel, o irmão mais novo, se mostra como um dos maiores críticos à Vivianne Rock, uma figura política contraditória e sem noção que se torna celebridade ao reproduzir discursos vazios e repletos de radicalismo, ódio e posicionamentos polêmicos. Ao mesmo tempo, sua irmã, cadeirante, é mãe solteira de dois filhos um tanto quanto diferentes, se declara grande fã da personagem interpretada por Emma Thompson e é o espelho de todo cidadão de bem que levanta a bandeira de governos de extrema direita sem ter noção do que realmente está por trás de seus discursos. Stephen, casado com Celeste, mulher negra com duas filhas também negras é mais um exemplo da figura masculina de diversas famílias pelo mundo, sem contar do perceptível incomodo de Muriel (Avó) em aceitar Celeste e do tratamento que a senhora branca classista dá a mulher.

O enredo levanta temáticas como imigração, ascensão de governos autoritários pelo mundo, uso das mídias sociais, homossexualidade, transexualidade, limpeza social, segregação social e diversos outros temas que são muito atuais e tem se tornado cada vez mais importantes inseri-los em discussões levantadas pela minissérie.

#3 DIVERSIDADE

No quesito diversidade, Years and Years dá um show com histórias não só reais, mas extremamente coerentes tanto com a causa LGBTQI+ quanto para questões raciais, questões relacionadas à imigração e todo sofrimento do povo imigrante.

Os Lyons conseguem levantar diversas bandeiras de uma forma muito leve e muito gostosa de se assistir. A condução do personagem Daniel durante os episódios é apaixonante e já vou adiantando, muito emocionante. Em especial no episódio 04, aconselho que tenham bastante lenço de papel ou até mesmo uma toalha perto. A família ainda trata da temática com a filha Edith, que também é homossexual. A leveza, naturalidade e respeito com o qual essa temática é tratada na série é um dos grandes destaques da produção. A série também mostra a transição do filho mais novo de Rosie, que se identifica como Trans no decorrer dos anos.

A série levanta questões raciais muito importantes. Claramente conseguimos ver a rejeição de Muriel à Celeste com alguns indícios de preconceito racial por trás do comportamento da senhora idosa branca e cria do conservadorismo britânico. De qualquer forma, o enredo se encaminha pra cenas que nos emocionam bastante e até mesmo de certa redenção de Muriel em relação aos seus conceitos ultrapassados e racistas.

#4 UMA BIZARRA PROXIMIDADE COM A REALIDADE

É assustador e por vez aterrorizante a forma como a história se aproxima muito da nossa realidade e de um provável futuro caótico. O diretor trabalhou muito bem a história em cima dos fatos históricos que vem ocorrendo ao longo desse ano e de uma tendência global que caminha a favor de lideres autoritários e sem noção como Donald Trump e Bolsonaro, de uma afrouxada guerra econômica entre China e EUA (que me preocupa muito hoje em dia pensar no que os norte-americanos são capazes de fazer pra não perder seu poderio econômico pros chineses) e outras questões envolvendo países como a Rússia, questões que envolvem tecnologia e até mesmo pandemias virais. A série soube aproveitar muito bem as sementes plantadas e premeditar os frutos que, sim, irão chegar.

Conforme os anos vão passando, a série apresenta as mudanças que vem ocorrendo no mundo segundo a visão da família Lyon. O mais impressionante é que, por essa perspectiva, tudo que a série mostra como “previsões” do futuro são muito prováveis de realmente acontecer sobre a nossa própria ótica e por isso, o enredo se torna tão assustador. Guerras, armas nucleares, líderes autoritários e loucos por todo o lugar do mundo, crises econômicas globais, fome e outras coisas que deixam qualquer um com medo de pensar no futuro nem tão distante.

#5 CENAS CHOCANTES QUE NOS FAZEM REFLETIR

A série também é bem ousada em relação à algumas cenas e algumas de suas visões do futuro.  Esse tópico não poderei comentar muito porque não quero dar spoiler e acabar com a graça por trás da história. O que posso dizer é: Se preparem para o futuro meus caros.

Uma das melhores reflexões é sobre a ideia de democracia que temos hoje e como nos comportamos sobre o efeito de uma “crise”, seja ela qual for. Coisas ruins e desastres acontecem repetidamente na trajetória da humanidade e a gente simplesmente não liga, o tempo passa e continuamos em frente. Parece que nunca aprendemos e nem nunca vamos aprender, até que uma hora talvez seja tarde demais para querer mudar alguma coisa, não é mesmo? Talvez nem seja possível mais. E onde será que vamos parar? Essa é uma mensagem passada repetidamente pela minissérie da BBC One.

As cenas mais chocantes da série giram em torno de Daniel e Viktor, imigrante ucraniano com quem Daniel se apaixona e mantém um relacionamento e que fugira de seu país por correr risco de vida em ser quem era. Após ser extraditado de volta para Kiev, Daniel tenta ajudá-lo a passar pelas fronteiras migratórios dos países de todas as formas possíveis e impossíveis e trazê-lo de volta ao Reino Unido.

#6 PROJEÇÕES MEDONHAS E POSSÍVEIS DO FUTURO

Como eu disse, esse talvez seja o tópico mais importante da série. Por mais assustador que seja assistir ao futuro mostrado por Years and Years, o mais aterrorizante para quem assiste a história é o caminho lógico e possível que esses acontecimentos tomam ao longo dos anos, o que os torna bastante prováveis de acontecer na vida real.

Vivianne Rock é a figura política escolhida com tom irônico ao representar os novos líderes das nações pelo mundo. Munida de um discurso vazio, preconceituoso e sem conteúdo, a candidata promete quebrar o sistema com falas radicais e extremistas, abordando temas sem noção.

Sabe o que é mais impressionante? A série tentou nos assustar com essa personificação política ruim, mas ela não chega ou chegou aos pés do que o nosso atual presidente defende e discursa. Na história, esse é um típico discurso que caminha para um governo autoritário e violento. Aguardemos.

A minissérie traz questões relacionadas ao aumento da poluição, aquecimento global, derretimento total das calotas polares, inundação de áreas habitáveis, processo imigratório caótico, guerras, autoritarismo, avanços tecnológicos, inteligência artificial, imortalidade e por aí vai.

Para quem curte Black Mirror, Years and Years é uma ótima recomendação. Diferente da série original da Netflix, que usa muito mais o surrealismo como forma de crítica e de reflexão em relação às questões éticas relacionadas ao avanço tecnológico, a minissérie transmitida pela HBO insere isso de uma forma muito lógica e bem-feita na rotina de uma família britânica comum. Isso confere realismo as “previsões” escritas por Russell T Davies e nos deixa indignados e assustados pensando: “Até que ponto a raça humana vai chegar?”, “Quando vamos parar de regredir?” e “Como será o mundo daqui a 5, 10 anos?”.

A minissérie já é considerada por alguns críticos uma das melhores produções do ano e destacamos a atuação de peso do elenco formado por Emma Thompson (Viv. Rock), Russel Tovey (Daniel), Jessica Hynes (Edith), Anne Reid (Muriel) dentre outros do elenco que se destacaram, como Bethany (Lydia West) que dá um show ao dar vida a personagem Bethany, filha mais velha dos personagens Stephen (Rory Kinnear) e Celeste (T´Nia Miller).

A minissérie é bem rápida de ser assistida e segue o formato de episódios de séries como Chernobyl e Euphoria, também transmitidas pela HBO. Fiquem com o trailer e espero que gostem do nosso panelaço com essa indicação especial!

MENÇÃO HONROSA

E pra quem já viu a série, uma cena icônica em que Muriel faz seu discurso afirmando que o futuro é todo nossa culpa, de cada um de nós.

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Carlos Alberto

Estudante de Engenharia, amante de música, viciado em séries e programas de TV! Fã de carteirinha de The 100, Flash, Game of Thrones e etc, se arrisca escrevendo reviews de suas séries favoritas!

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