Posts Populares

Panelaço: séries que decepcionaram

A difícil tarefa de falar de séries que decepcionaram sem falar de Game of Thrones

Pensar em séries que decepcionaram talvez seja uma das tarefas mais fáceis que a gente pode fazer. Levando isso em conta, a ideia desse post é pensar além de “finais ruins”, independente de quão ruim ele tenha sido. Ou seja, não vai ter Game of Thrones, Dexter ou Lost nessa lista, por maior que seja a minha vontade de falar mal. Vai todo mundo concordar com essa lista? Possivelmente não, então deixem as opiniões de vocês nos comentários, quem sabe vocês lembrem de alguma coisa que eu esqueci ou vocês conseguem me convencer de que, na verdade, a série não foi tão decepcionante assim.

The Twilight Zone – a versão nova

Em outro panelaço aqui pro site, eu recomendei fortemente que todo mundo assistisse a nova versão de The Twilight Zone, que seria produzida pelo Jordan Peele. É errado recomendar algo sem nem ter visto? Geralmente é, mas dei essa oportunidade pro Jordan. Infelizmente, me arrependi demais. Eu tinha altas expectativas em relação à série (e talvez esse tenha sido o problema), já que eu gosto muito da versão antiga. Os episódios têm premissas interessantes, como um humorista que fica sucesso eliminando pessoas da existência ao fazer piadas com elas, uma criança de 11 anos que vira presidente dos Estados Unidos ou quando um cometa cai na Terra e faz com que os homens sejam vítimas da masculinidade tóxica (veja só), mas tudo para aí, na premissa. Não há um grande desenvolvimento das histórias, só focando no que é visível e não utilizando o que está no segundo nível para dar mais peso à trama, como acontecia na versão original. E, quando a gente coloca um GRANDE ELENCO na jogada, como John Cho, Jacob Tremblay, Seth Rogen e Kumail Nanjiani, dentre vários outros, tudo fica ainda pior.

Dá pra botar nesse mesmo pacote Black Mirror? Dá, Depois que a Netflix trouxe a série de volta, pouca coisa foi realmente boa, já que virou uma série que fala como a tecnologia é malvada e vamos todos morrer e nada muito além disso.

American Gods

Eu poderia começar esse texto falando sobre o racismo dos produtores da série, mas aí teria que fazer um texto especificamente sobre isso. Mas, vou optar por falar do desânimo que me deu ao ver o rumo que essa série tomou. Antes de mais nada, a gente precisa falar do livro do Neil Gaiman, que deu origem à produção. Dizer que é uma obra de arte é dizer o óbvio, é afirmar o mínimo. Ao trazer a premissa de deuses antigos e modernos vivendo entre nós e lutando por reconhecimento, Gaiman criou uma vasta gama de possibilidades para adaptações ou continuações. Os Filhos de Anansi é um livro que está no mesmo universo, embora foque apenas em um dos deuses. Porém, voltando pra série, fica a impressão de que nada deu muito certo. Apesar da primeira temporada ser bastante interessante, tudo foi por água abaixo na segunda, com a mudança do showrunnner. Antes, eu via os episódios assim que eles saíam, com certa expectativa para saber o que aconteceria com Odin, com Shadow e Laura Moon, mas depois eu desisti de ver. Isso mesmo, nunca mais voltei a ver nenhum episódio, e não acho que tô perdendo alguma coisa.

Sim, eu sei que não é uma adaptação perfeita do livro, e eu cuido muito pra não comparar as duas coisas ao analisar a série. Ainda assim, os episódios iniciais mostram o potencial da série, que nunca foi alcançado; inclusive, o que aconteceu foi quase que o oposto, com a série piorando a cada episódio. Mais uma produção que, mesmo com um bom elenco, não conseguiu traduzir isso em qualidade.

P.S.: a primeira temporada toda vale pela abertura do segundo episódio, quando o Mr. Nancy fala sobre o que é a realidade de um negro nos Estados Unidos.

 

The Handmaid’s Tale

Aqui posso estar sendo polêmico, já que a série ganhou altos prêmios e reconhecimento mundial. E devo dizer que gostei da primeira temporada, antes que a crítica venha. Porém, entretanto, todavia, não obstante, qual é a necessidade da segunda temporada? De verdade, sério, qual a moral de fazer toda uma temporada que fica mostrando estupro, mutilação, tortura, assassinato e várias outras formas de sofrimento sem oferecer nenhuma justificativa pra isso tudo? Sim, a Gilead é malvada, o regime é péssimo com mulheres e as transforma em animais de reprodução. Mas isso é de conhecimento de todo mundo que passou da primeira temporada. Tudo que a série fez a partir da segunda temporada é mostrar mulheres sofrendo das mais diversas formas apenas porque sim. Andar na rua é cruzar com pessoas vestindo camisetas de “nolite te bastardes carborundrum” (não deixe os bastardos te oprimirem), enquanto opressão é tudo que a série nos mostra.

Há uma distinção muito grande entre usar a violência como forma de contar a história, que é algo que acontece em Laranja Mecânica, por exemplo, e como apenas forma de diversão e para chocar as pessoas. Qualquer filme de terror B consegue fazer isso, mas eles raramente se propõem a algo além disso. Quando O Conto da Aia se oferece como série política, que mostra o que os Estados Unidos poderiam ser caso homens como Donald Trump seguissem no poder, mostrar o sofrimento sem propósito é uma grande decepção.

 

The Walking Dead

Falar dessa série é quase a mesma coisa que falar de decepção. Os quadrinhos são bons? São. As primeiras quatro temporadas são boas? São muito boas, inclusive. Mas parece que a série parou aí. Depois disso, é uma série de contemplação, de diálogos longos chatos e que não levavam a lugar nenhum, assim como a história como um todo. Os zumbis, que dão nome à história (ou não, já que os mortos-vivos podem ser os próprios humanos né), sumiram e só aparecem em alguma eventualidade quando o roteiro demanda. É outra série da qual eu desisti, assim como boa parte dos fãs e dos atores envolvidos. Depois da febre inicial que TWD foi, quando todo mundo só falava disso e a gente ficava ansioso por novos episódios, é meio decepcionante ver o que a série se tornou.

 

Séries Netflix/Marvel

Esse texto podia ser sobre Iron Fist e ninguém ia reclamar, eu tenho certeza. Depois de duas temporadas horríveis, o final do último episódio é a única coisa que salva e que chegou perto de me fazer querer uma terceira temporada. Mas ficou nisso. Daredevil foi a melhor das quatro, mas isso não quer dizer muita coisa. Jessica Jones não chegou a ser ruim, já que o Kilgrave era o Loki desse lado do MCU. Luke Cage foi outra série que ficou naquele limbo de não ser boa nem ser ruim e que, por não ter um final concreto, apagou toda a história do Luke ao fazer ele se tornar o mal que jurou combater (eu acho que ele fez por uma boa razão, que possivelmente seria explicada em outra temporada, mas como essa temporada nunca veio…). Ah, cês lembram daquele delírio coletivo que foi The Defenders? Pra muita gente, essa série nem sequer existiu; eu, que vi, acho que a série nem deveria ter existido.

Dá pra fazer um esforço e pensar que o maior problema foi a forma confusa pela qual eles se conectavam com a Marvel no cinema. O logo do estúdio tava lá, as séries foram vendidas como parte do universo, mas não podia haver nenhuma menção concreta e explícita, apesar do elefante na sala estar lá e todo mundo sentir o impacto quando ele caminhava. Havia pôsteres, “o evento de Nova Iorque” e coisas do tipo, mas nada de Vingadores ou afins. Não serei eu a falar que se tivessem liberado menções e aparições as séries seriam melhores, até porque eu não sei se concordo com isso, mas dá pra afirmar com tranquilidade que a ausência se tornou tão forte quanto a presença.

 

 

Talvez Você também goste de...

gostou da matéria? deixe um comentário!

Autor

Rafael

Um hiperativo que não sabe viver sem ler, escrever, ouvir música, ver séries e filmes, geralmente tudo ao mesmo tempo. Fã de ficção científica, suspense, Stephen King e histórias em quadrinhos.

Tema por Gabriela Gomes Todos os direitos reservados ao Panela de Séries