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Panelaço: Séries que exaltam os negros

Mais uma vez celebrando o Dia da Consciência Negra, data que marca o falecimento de Zumbi dos Palmares e é feriado (infelizmente) em apenas alguns dos Estados brasileiros, mas que deveria ser em todos pela importância significativa da data e do seu significado simbólico. Assim, vamos trazer algumas séries que exaltam a população negra, trazendo pessoas negras como protagonistas, ou que simplesmente trazem narrativas negras relevantes e não apenas como “o melhor amigo negro que está ali somente para apoiar o branco e não tem qualquer linha narrativa própria”. Como sempre, sem ordem de qualidade ou relevância!

1. ATLANTA (FX)

Atlanta é uma série que exemplifica tudo que queremos trazer com este Panelaço. Ela trata de vidas negras, possui negros como personagens principais e mostra suas histórias com profundidade, sem cair no clichê de tentar ser “milituda” demais e ficar chata. É uma série de comédia/drama que trata principalmente do cotidiano do Earl, um cara comum que gerencia a carreira do seu primo, Paper Boi, que é um rapper em busca da fama. O mais interessante da série são as críticas sutis, como por exemplo o episódio em que uma pessoa negra com claros distúrbios mentais está numa delegacia fazendo várias coisas absurdas que afetam o seu próprio bem estar, como beber água da privada, e todos ao redor dão risada e não tomam uma atitude no sentido de impedi-lo, mas no momento em que ele chega perto de um policial é brutalmente agredido sem necessidade alguma. É uma série ótima e que evidencia muitos dos preconceitos que nós, negros, sofremos sutilmente no dia a dia e que as pessoas brancas muitas vezes não percebem que estão cometendo, e acabou de ser renovada para a quarta temporada. Está disponível na Netflix!

2. GREY’S ANATOMY (ABC)

A série de Shonda Rhimes (mais uma mulher negra incrível) foi se tornando mais e mais “consciente” com o tempo, e agora, na 16ª temporada, estamos tendo ao menos um comentário social por episódio (não daremos spoilers, mas o sistema de saúde americano e suas consequências estão sendo bastante questionados o tempo todo, porque é um sistema caríssimo ao qual grande parte da população acaba não tendo acesso porque não tem milhares de dólares para pagar por um simples exame ou curativo). Mas, para quem ainda não chegou na temporada atual, pode se deliciar com personagens como Miranda Bailey, uma mulher negra que (SPOILER LEVE!) se tornou chefe do hospital depois de anos e anos de muita luta e dedicação, e Catherine Avery, chefe da Fundação Harper Avery e que promove prêmios de inovação médico e gerencia hospitais em todo os Estados Unidos (e ainda é mãe do Jackson). Quem gosta de uma militância boa vai amar Grey’s! Também disponível na Netflix.

3. DEAR WHITE PEOPLE (Netflix)

DWP provavelmente é a série menos sutil desta lista. Ela, que se baseia em um filme de mesmo nome lançado em 2014, foi feita com o intuito principal de criticar abertamente diversas situações que pessoas negras sofrem no dia a dia, seja em qual ambiente for. No caso, se trata de um ambiente universitário de elite, e podemos ver que mesmo assim algumas questões que deveriam estar totalmente superadas não o foram (como o caso, na primeira temporada, de uma festa com tema de blackface, ou seja, pessoas brancas que se fantasiam de pessoas negras pintando a própria pele de preto ou marrom escuro e forçando trejeitos racistas). Existem inclusive diversas piadas internas com outras séries, como Scandal, ou referências à cultura e política norte-americanas que talvez não sejam totalmente compreendidas por pessoas que não acompanham estes cenários. Mas continua sendo bem didática para quem quer aprender sobre o assunto.

4. EVERYBODY HATES CHRIS (CW)

Seguindo a linha de séries de comédia da nossa infância, “Todo Mundo Odeia o Chris” provavelmente é a favorita da maioria até hoje. Principalmente quem é negro vai lembrar e talvez até se identificar com a figura da professora branca que trata os alunos negros com uma condescendência ridícula, como se eles fossem muito burros ou no mínimo menos capazes, ou do tênis branco que você precisa conservar branco a todo custo porque seus pais não vão te dar um novo tão cedo, ou o bullying constante dos garotos mais velhos te chamando de “pixaim” o tempo todo. A série é mais um exemplo de como, revendo hoje, percebemos que há vários elementos racistas na nossa cultura que talvez nós não víssemos assim naquela época, mas que nos marcaram e que, felizmente, não seriam mais aceitas hoje em dia. A vida do Chris não era brincadeira, e nem a nossa!

5. FRESH PRINCE OF BEL-AIR (NBC)

Conhecida no Brasil como a queridinha das nossas infâncias “Um Maluco no Pedaço” (que tradução foi essa, gente?), estrelada pelo perfeito Will Smith e que foi ao ar de 1990 a 1996 nos Estados Unidos. Essa série conta a história de como o Will, que possui o mesmo nome do ator, um encrenqueiro da periferia, foi enviado por sua mãe para morar com seus tios e primos ricos em Bel-Air, região abastada de Los Angeles. A série possui diversas críticas que talvez nós não fôssemos capazes de entender quando éramos mais novos, mas que hoje são claríssimas, como aquela notória em que um parente ou amigo do Will se encontra perto de um policial e levanta os braços na mesma hora. Quando dizem que ele pode abaixar os braços, ele diz algo como “eu não vou abaixar, vai que o policial decide dar 6 tiros de advertência nas minhas costas?”. Essa cena foi escrita como uma piada, mas todos sabemos que a violência policial racista é uma das maiores causas de morte de negros, principalmente homens jovens, tanto nos EUA quanto no Brasil até hoje.

6. HOW TO GET AWAY WITH MURDER (ABC)

HTGAWM é mais um exemplo de série que tinha críticas mais sutis no começo, mas que atualmente se baseia muito mais em questões sociais em seu enredo. A quinta temporada da série foi quase que inteiramente baseada na Annalise defendendo o caso de um homem condenado injustamente por um tribunal de brancos (não entraremos em mais detalhes para não estragar caso alguém não tenha visto), quando ele deveria ter sido reconhecido incapaz (e, portanto, não poderia ter sido responsabilizado pelo assassinato que ele cometeu. Além disso, Annalise lida até hoje com os traumas de se sentir insuficiente a vida toda, e como isso ajudou para que ela se apaixonasse por Sam, seu marido morto que era também seu terapeuta muitos anos atrás. A série mostra pessoas negras e extremamente bem sucedidas, como a Michaela, o Nate, entre outros, que mesmo assim carregam nas costas algumas das marcas do racismo institucional. O enredo da série no geral vai piorando ao longo das temporadas, mas a perspectiva social só melhora, e é por isso que a série mereceu seu lugar no nosso pódio.

MENÇÃO HONROSA: SEGUNDA CHAMADA (Rede Globo)

Cada vez mais discutimos a presença da população afrodescendente nos nossos meios comunicação, nos comerciais de TV, em novelas, em filmes e em séries. Segunda Chamada é uma série que retrata a realidade das escolas públicas periféricas, focando no EJA (Ensino para Jovens e Adultos) e consegue, com um elenco diversificado, mostrar os diferentes traços da sociedade brasileira.

Temos brancos, temos negros, temos bolivianos, temos alunos de classe alta, alunos da favela, professores brancos, professores negros e por aí lá vai. A série não se limita a discutir questões das pessoas excluídas pela sociedade usando atores cis brancos, mas ela discute trazendo Thalita Carauta como a maravilhosa Professora Eliete, a talentosa Teca Pereira dando vida à doce Dona Jurema, que reascendeu a sua vontade de estudar depois de tantos anos sem oportunidades ou até mesmo dando voz à maravilhosa Natasha, interpretada pela atriz e cantora Lynn da Quebrada. Outros atores/atrizes negros como Silvio Guindane (Marco André), William Costa (Cleiton), Mariana Nunes (Gislaine) marcam presença.

Segunda Chamada discute questões pertinentes como aborto, acesso à educação, ressocialização de prisioneiros, aceitação da comunidade trans, a sobrevivência dos refugiados, a violência e o machismo, o confronto de religiões, e não deixa de fora um problema presente em nossa sociedade desde o seu início: o racismo. Nesse especial sobre o dia da Consciência Negra não poderíamos deixar de mencionar essa série. Vocês podem conferir tudo que rolou nas nossas reviews aqui no site.

 

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Isabella Oliveira

Poderia estar matando ou roubando, mas provavelmente levaria pouquíssimo jeito para a coisa, daí eu faço Direito. @brockhxmptxn no Twitter.

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