LUTO!

Depois de 3 anos, inicio esse texto e pergunto a vocês, o que dizer diante deste adeus precoce? Quais palavras farão jus à jornada memorável desta série maravilhosa? Pois bem, nem sei ainda a resposta para essas perguntas. Estou demasiadamente desolado após conferir este final, que mesmo sendo um grande desfecho, me pareceu algo feito no improviso. Por mais que alguns fatores tenham mantido a essência do que Penny Dreadful sempre transmitiu a todos nós que tivemos o prazer de acompanha-la. Sigo sem aceitar, pois penso no tamanho potencial e quantidade de coisas que a trama poderia render. Então, estou mais uma vez unindo-me ao meu leitor fiel e parceiro de review, Rick Valério, falando sobre o nono e último episódio.

O episódio 8 foi inteiramente de Lily. Billie Piper soube deixar sua marca na série e a transição e evolução entre suas personagens foi uma das coisas mais incríveis que já tive a oportunidade de ver ganhando vida em uma produção televisiva. Sua atuação foi impecável, dando-nos a oportunidade de imaginarmos a situação em que ela se encontrara na época em que tinha perdido sua filha. Seu discurso sempre carregado de um valor lírico potente, foi capaz de arrancar lágrimas de meu rosto enquanto que ela sucumbia ao chão. Foi muito lindo de assistir. O momento em que Victor segurava a seringa, por um momento imaginei que ele fosse injetar em si mesmo. Mas, ele ter soltado Lily, me pareceu a melhor forma de demonstrar esse amor no qual tanto se fala, tanto se aclama. Dorian, por sua vez, ganhou força nos últimos episódios, mas foi ofuscado pelos arcos principais da trama. Sendo assim, sua despedida, findando o núcleo com Lily, Justine e a luta feminina, se fez de forma vaga e poderia ter sido melhor finalizado.

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O outro personagem super marcante na trama, principalmente agora no fim, foi John Clare. Segui todo o episódio emocionado e torcendo pela sua felicidade, afinal de contas, estava mais que ciente que não iria vê-lo novamente. E essa ideia de despedida foi o que me deixou cada vez mais descontente com os rumos que a série estava tomando. Fiquei muito triste com a morte de Jack, por mais esperada que fosse. Mas o que me deixou mais cabisbaixo ainda foi a forma que Marjorie reagiu, a atitude que ela tomou. Depois de tanto sofrimento durante todas as temporadas, esperei que John pudesse ter um final feliz, ao menos isso para alegrar meu coração, pois tudo já parecia perdido e acabado. O momento em que Jack parou de respirar doeu na minha alma, imaginem um pai que há pouco tempo reencontrou sua família, e todas as promessas e planos que foram feitos e não serão cumpridos. Foi duro pra mim de aceitar, sem contar da rejeição nos últimos momentos.

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Apesar de toda a perfeição feita por Penny Dreadful, fico muito infeliz em afirmar que seu final não tenha sido desenvolvido de forma justa. Me pareceu algo precoce, precipitado e no decorrer dos episódios só clamava pela aparição de Vanessa Ives, que ela chegasse e mostrasse do que é capaz. PELA ÚLTIMA VEZ! Mas sua ausência justo no fim da jornada da série em que ela desempenhou esse papel tão sagaz, foi de partir corações. Sinceramente, o episódio começou de forma tão bela, eles se empenharam em preparar um desfecho esplêndido, mas infelizmente ficaram de fora alguns fatores que poderiam ter feito deste um final muito, muito melhor.

The Blessed Dark começa como a névoa macabra como pano de fundo do cenário, pestilência e decadência na Londres vitoriana, perfeito ambiente gótico de nossos livros preferidos do gênero. Vemos que as trevas tomaram conta da cidade por completo e as criaturas da noite saíram para se alimentar, de acordo com a profecia citada por Vanessa no episódio 7: Ebb Tide. O mal que antes habitavam as sombras e o medo humano, agora são reais: monstros, demônios, peste apocalíptica, tudo se tornou real. E a canção interpretada pela mulher que segurava o bebê esperando a morte, simbolizava o início do fim, dando realmente o clima de que o mundo acabaria naquela noite.

Ethan e Kaetenay resolvem seus problemas do passado ao verem que possuem a mesma maldição da licantropia e o nosso querido Mr. Chandler aceita que possui o destino ligado ao de Vanessa Ives, a famigerada Mãe do Mal. Ambos seguem para se juntar a Sir Malcolm e sua trupe formada por Dra. Seward, Victor que se encontram num momento meio non-sense a meu ver, do tipo:

“Oi, Vanessa está em perigo, venha nos ajudar!”

“Agora!”

Claro que sabemos do vínculo emocional dos personagens, afinal, Victor e Vanessa se tornaram bons amigos na segunda temporada, mas veja bem que a terceira temporada Victor ficou completamente fora de sua existência, sem nem ao menos pensar que ela poderia precisar de um ombro amigo, mas enfim, coisas de series finale que não deveria ter acontecido. O grupo se junta para encontrar nossa heroína amaldiçoada, com a ajuda das técnicas hipnóticas de Dra. Seward em cenas ótimas com Renfield, por que adorei aquela visualização das cenas que ela acompanhava o servo de Dracula, por que realmente dava a impressão que ela entrava na mente da criatura por completo. Ao descobrirem onde se refugiava Dracula e os asseclas junto com Vanessa, temos uma sequência de ação muito interessante. Algo que talvez esperássemos desde a primeira temporada, cenas de combate emocionantes contra os vampiros.

Sei que o estilo do Logan para  Penny Dreadful eram mais batalhas ideológicas, psicológicas e místicas, mas mesmo assim, a ação mostrou a que veio na terceira temporada desde o início dela.

As resoluções dos outros personagens foram rápidas, deixaram pontas soltas, mas não achamos sem sentido. Pelo menos o criador deu um fim para os personagens que tornaram o final de cada um palatável, exceto para alguns personagens, como Lily, Victor, Caliban, Catriona e Dra. Seward. Os protagonistas Ethan e Sir Malcolm reforçaram seus vínculos e definiram uma relação entre pai e filho, outro que não teve um final descrito foi Kaetenay que fez bonito na temporada toda, mas não se falou mais nada após a luta final contra Dracula, que também surpreendeu ao não ser derrotado de forma definitiva. Ou seja, deu um espaço para um possível spin-off ou mesmo uma outra temporada.

Mas agora vamos ao derradeiro final de Ethan e Vanessa. Ela, enquanto Mãe do Mal, estava claramente esperando que o Lobo de Deus fosse ao seu encontro: “Ele e eu daremos um fim nisso com sangue!”. Ao entrar no local ornamentado com velas acesas e o lindo ambiente que parecia ser um altar em sua honra, não soube dizer se quem falava era Amunet ou Vanessa ou ambas numa harmonia perfeita quando falam sobre a perda de sua identidade, sua alma, seu coração a partir do momento que ela abandonou sua fé no último episódio da Segunda Temporada. Vemos a mulher com alma machucada, que está cansada de ser objeto de cruzada de monstros e demônios, sentindo-se responsável pelo mal que cobre a terra. Assim, Ethan tenta convencer Vanessa de que pode protegê-la na esperança que ela concorde e fujam dali, mas não era isso que estava no coração dela. No fundo, ela sabia que esse era seu destino: sacrificar-se para que a caça à Amunet termine e a Mãe do Mal deixe de existir. Ela, abdicando de sua vida, pede para ele completar aquilo que ele não fez na primeira temporada: mata-la com um tiro no peito.

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Recuperando sua fé, em que para nós foi intenso e emocionante, ambos oram o Pai Nosso e quando finalizam com o “Amém”, Ethan atira, dando um fim na profecia da Mãe do Mal governando as trevas ao lado de Drácula ou Lúcifer. Daí que eu achei que aconteceria o inevitável, Drácula seria morto finalmente já que perdeu sua amada dama das trevas, mas ele fugiu (dando-me a esperança que haja um spin-off ou possível temporada especial). Carregando a querida Vanessa até o matadouro que foi o campo de batalha contra os vampiros, a batalha cessa e a fuga de Drácula dá a entender que seus planos foram frustrados, mas ainda não acabou.

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Neste seguimento, vemos cenas da despedida dos personagens da série, como: Lily e Dorian terminando sua parceria enquanto ela vai embora, pois ele mostrou-se um ser tão indiferente às paixões humanas que no final, é um ser que vive um tédio descrito pelas filosofias existencialistas, pois a vida passa a ser um tédio quando acompanha a história como um expectador, não um protagonista dela. Ao mesmo tempo que sua arrogância lhe traz superioridade, traz solidão, destacada pela cena do corpo frio de Justine ao chão, que teve um final digno e interessante para a personagem.  Victor e Jekyll discutiram suas diferenças e este último conseguiu um título ao qual desejava após a morte do seu pai: Lorde Hyde. Pensei que este era o título de seu pai, ou seja, o conto do Médico e o Monstro foi simbolizado através do pai tirano e cruel que Jekyll tinha.

E a cena que me fez desestabilizar, me emocionar muito foi o funeral de Vanessa. A poesia citada por Caliban que assistia escondido enquanto os outros personagens saíam do cemitério, foi arrebatador. Um discurso triste que só evidencia o quanto a humanidade é fraca ante os medos e angústias que carregamos nos corações, o peso de viver, sofrer e lutar diariamente pela vida, são alguns elementos que podemos descrever na poesia citada de Caliban no funeral de Srta. Ives. Foi um episódio intenso, apesar de seus furos no roteiro claramente desejando finalizar os núcleos de forma rápida para o encerramento da série, as cenas finais dos protagonistas foram realmente tensas e tocantes. As lágrimas não paravam de descer enquanto Caliban pronunciava…

“Houve um tempo em que a campina, o bosque e o córrego…

A terra e toda sua vista, para mim, pareciam envoltas em uma luz celestial.

A glória e o frescor de um sonho.

Não é mais o que foi outrora.

Virar-me para algum lugar, irei, dia ou noite, as coisas que vi, não posso mais vê-las.

Mas há uma árvore, de tantas, uma.

Um único campo para qual uma vez olhei.

Ambos falando de algo que sumiu.

O amor-perfeito em meu pé conta o mesmo conto de novo.

Para onde fugiu o visionário brilho?

Onde está agora…

A glória e o sonho?”

William Wordsworth

 

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Últimas considerações (Netto):

– A amizade criada entre Kaetenay e Sir Malcom foi memorável, sentirei falta desses dois juntos.

– Fico triste em saber que as adições no elenco poderiam ter rendido muito mais, no entanto, morreram na praia.

– Ainda estou horrorizado com aquele tanto de sapo na primeira cena do finale, foi angustiante.

– Dentre os três finales, digo a vocês de coração aberto que esse foi o que menos tirou meu fôlego, tiveram momentos que até pausei.

– Meio que não caiu a ficha, continuo pensando no que poderia acontecer se houvesse uma nova temporada.

– Acompanharei Eva Green e torço pra que faça parte de outra série em breve, o mesmo serve pra Billie Piper.

– Fará muita falta esse elenco magnífico e toda a ansiedade sentida semana após semana.

Pois bem, tendo tudo isso pontuado, agradeço a todos os que acompanharam as reviews, foi um sucesso. Sintam-se à vontade para compartilhar suas opiniões e espero que possamos nos encontrar em um futuro próximo, chequem o catálogo de séries em nosso site pra saberem o que posso estar reviewando.

Obrigado mais uma vez a Rick Valério, por todo a ajuda e compaixão, ambos estamos bastante desolados após o fim de nossa série querida. Espero que possamos nos reunir novamente para passarmos o verbis diablo pra vocês.

#PennyDreadfulForever #SoWeWalkAlone


Créditos

Rick Valério: psicólogo, nerd, amante de livros, filmes, animes, séries, sobretudo Penny Dreadful, Game of Thrones, How to Get Away With Murder, Bates Motel, The Originals e outros, jogador de RPG e muito agradecido pelo convite para a construção dessa maravilhosa review. Beijos a tod@s!

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Antonio Netto
Antonio Netto

Estudante de Engenharia Química. Pernambucano engraçado, dono de uma gargalhada única e de um sotaque marcante. Apaixonado por comida, séries, química e cálculos. Até gosta de estudar mas, sempre que pode, está pelo mundo curtindo e falando da vida alheia.
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  • Heloisa

    Tô abalada e chorando até agora com o final… Queria tanto que ela fosse feliz com o lobinho e que o John também tivesse mais sorte. Mas este final mostrou como é a vida real: nem sempre ganhamos (no caso, todos perderam alguma coisa), mas temos de continuar… Até mais!

  • Rick

    Concordo em tudo, Diego. E toda a mitologia de Amunet foi deixado de lado, o Lobo de Deus não teve serventia nenhuma, enfim… Desrespeito com os fãs mesmo. Nem é pelo encerramento da série, mas como a colcha de retalhos que foi e as coisas fundamentais que a construíram ignoradas.

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