Porque setembro é hora de falar do Oscar!

Há um ano, escrevi aqui uma coluna de previsões sobre o que poderia acontecer no Oscar desse ano. Com exceção do otimismo por Carol, boa parte do que eu já havia falado àquela altura foi se concretizando ao longo da corrida de premiações, como o crescimento de Perdido Em Marte e o “rebaixamento” de Vikander à categoria de coadjuvante, o que serve para concretizar justamente o que eu sempre falo sobre o Oscar: é uma premiação que soma pré-hype com pós-hype. Não adianta um filme ser excelente ou até mesmo “apenas” bom, ele tem que fazer barulho e chamar a atenção para si antes e após o seu lançamento, e deve fazer com que esse burburinho permaneça forte nos últimos meses do ano.

Além disso, é inevitável falar sobre Oscar sem falar sobre política. Spotlight, Birdman, 12 Anos de Escravidão, Argo, os últimos vencedores refletem muito mais uma mensagem que a Academia quer ressaltar do que uma celebração à qualidade inerente da obra. Mas essa política não atinge somente positivamente quando se trata dessa premiação não. Em 2013, A Hora Mais Escura minguou em seu favoritismo após ser acusado de apoiar a tortura (o que é algo ridículo e qualquer um que já viu o filme sabe disso) e acabou perdendo a chance de ficar com qualquer um dos prêmios principais da noite. Já nesta corrida, The Birth of a Nation, apontado bem cedo como um dos favoritos, praticamente perdeu qualquer chance que tinha de ser indicado por causa da polêmica envolvendo o diretor do filme e uma acusação de estupro. Particularmente, já considero o filme morto quanto ao Oscar.

E é com essa mistura de hype, política, qualidade e afinidade que temos três nomes como os grandes favoritos ao Oscar do ano que vem. O primeiro é La La Land: Cantando Estações, novo filme do diretor que Whiplash (que surpreendeu e levou 3 Oscars), um filme que era muito esperado e que vem fazendo um bom desempenho em festivais, o que, somado com a recepção da Academia com o trabalho anterior do diretor, deve ser uma combinação que garanta, no mínimo, um punhado de indicações à obra. O segundo é Loving, um drama sobre um romance inter-racial, que já foi exibido em Cannes, recebeu excelentes críticas e que pode embarcar na vibe #OscarsSoWhite para receber muitas indicações. O terceiro é Moonlight, uma obra que está sendo bastante elogiada, pode também embarcar na vibe #OscarsSoWhite, está recebendo uma crescente atenção desde que foi exibido em festivais e é da A24, uma produtora que vem investindo pesado em filmes para o Oscar e tem neste a sua maior aposta. Haveria uma quarta aposta grande caso Silence estivesse firme para ser lançado esse ano, porém, como pode ser lançado apenas em 2017, eu prefiro deixá-lo de lado aqui e apenas citá-lo nas categorias onde há a possibilidade de ele concorrer, caso seja lançado.

Mas vamos falar de cada categoria separadamente aqui, mostrando os prováveis indicados e outras possibilidades que podem surpreender. Vamos lá?

moonlight

MELHOR FILME

La La Land: Cantando Estações;
Moonlight;
Loving;
A Longa Caminhada de Billy Lynn;
A Chegada;
Silence;
Lion;
Fences;
Sully: O Herói do Rio Hudson;
Manchester By the Sea;

Outros prováveis indicados:

Rules Don’t Apply;
Passageiros;
Hell Or High Water;
Aliados;
Animais Noturnos;

Ao contrário do ano passado, onde boa parte dos prováveis indicados eram blockbusters (a maioria dos títulos já eram traduzidos porque já haviam estreado aqui no Brasil), aqui temos nomes menos grandiosos, o que é curioso, visto que desde a ampliação do número de indicados temos ao menos um filme que atraia uma bilheteria expressiva, o que me faz pensar que poderá haver algum blockbuster aí no meio futuramente (Mogli?) ou que já haja um filme aí que cumpriria essa “cota” (A Chegada?). Pelo bem ou pelo mal, aposto nos cinco primeiros nomes como indicações quase garantidas (principalmente o filme de Ang Lee, diretor que é um queridinho da Academia), e nos cinco nomes da primeira lista como os outros prováveis indicados por motivos de campanha dos estúdios, já que, fora os front runners, eles parecem estar misturados com os demais em uma enorme bola de neve. Embora não esteja aí, não descarto totalmente uma aparição de The Birth of a Nation na lista futuramente, mesmo que a possibilidade seja bastante pequena.

MELHOR DIREÇÃO

– Ang Lee, A Longa Caminhada de Billy Lynn;
– Damien Chazelle, La La Land: Cantando Estações;
– Barry Jenkins, Moonlight;
– Martin Scorsese, Silence;
– Jeff Nichols, Loving;

Outros prováveis indicados:

– Denis Villeneuve, A Chegada;
– Clint Eastwood, Sully: O Herói do Rio Hudson;
– Denzel Washington, Fences;
– Morten Tyldum, Passageiros;
– Rebecca Miller, Maggie Tem Um Plano;

Embora ache que o favorito dessa categoria seja Chazelle, preferi colocar Ang Lee como a mais provável indicação porque ele é um veterano (três indicações e duas vitórias!) e a Academia ama bater na mesma tecla, principalmente se essa tecla é um nome consagrado. Já não podemos falar isso com “novos” nomes, por isso que deixo Chazelle e Jenkins abaixo de Lee, pois ambos estão há pouco tempo na indústria, o que pode lhes deixar menos garantidos na competição. Para completar os cinco, aposto em Scorsese, que é um nome de peso e que tem um trabalho consistente demais para duvidar que ele seja capaz de entregar um material de um nível que justifique sua indicação, e em Nichols, que vem flertando com a Academia há um bom tempo e finalmente parece estar diante de um trabalho com grande potencial para figurar nas categorias no ano que vem. Quanto aos outros prováveis, eu só acredito mesmo que, de fato, Villeneuve e Eastwood sejam capazes de abocanhar uma indicação, mesmo que o hype do restante não possa ser desconsiderado de maneira alguma, principalmente o de Denzel, pois se o filme emplacar mesmo, ninguém segura!

MELHOR ATOR

– Joel Edgerton, Loving;
– Casey Affleck, Manchester By the Sea;
– Tom Hanks, Sully: O Herói do Rio Hudson;
– Andrew Garfield, Silence;
– Ryan Gosling, La La Land: Cantando Estações;

Outros prováveis indicados:
– Denzel Washington, Fences;
– Dev Patel, Lion;
– Ethan Hawke, Born To Be Blue;
– Brad Pitt, Aliados;
– Jake Gylenhaal, Animais Noturnos;

Aqui estamos observando uma terra de ninguém. Não há sequer nenhuma atuação neste ano que tenha chamado tanto a atenção ou que tenha criado algum hype grande em torno dela, o que me faz pensar que a maioria das indicações, se não todas, serão indicadas em apoio ao filme em si, o que se pode perceber pelas minhas escolhas, pois mesmo no caso de Affleck o filme está entre um dos mais cotados a aparecer nas categorias principais. A partir do 8º nome é que estamos diante dos primeiros que deverão chamar a atenção por fora de seus filmes para poder conseguirem ser lembrados em janeiro na cerimônia que anuncia os indicados.

loving

MELHOR ATRIZ

– Natalie Portman, Jackie;
– Viola Davis, Fences;
– Emma Stone, La La Land: Cantando Estações;
– Ruth Negga, Loving;
– Meryl Streep, Florence: Quem É Essa Mulher?;

Outras prováveis indicadas:

– Amy Adams, A Chegada;
– Jennifer Lawrence, Passageiros;
– Isabelle Huppert, Elle;
– Annette Benning, 20th Century Women;
– Emily Blunt, A Garota No Trem;

Essa categoria está complicadíssima. Até o momento, parecia que Viola Davis estava com quatro dedos na estatueta, mas aí veio Portman em Jackie que foi ovacionada no mesmo festival que a catapultou para a vitória em 2011 com Cisne Negro. Quer mais outra coincidência? Portman está grávida novamente, assim como estava quando ganhou o prêmio! Quer dizer, tudo aponta para seu segundo Oscar! Coincidências de lado, embora a performance de Portman como a mulher do presidente Kennedy nunca tenha ficado em escanteio, ela também nunca foi apontada como uma grande favorita, o que só torna todo esse burburinho algo completamente ligado ao que ela faz em tela e, por mais que o pré hype seja válido, nada como uma boa dose de puro talento para chamar a atenção e é exatamente isso que parece estar acontecendo. No momento, não consigo imaginar outro cenário em fevereiro que não seja Portman ganhando sua segunda estatueta.

Isto deixa Davis confortável numa segunda colocação, pois ainda é a performance com mais buzz na temporada até então, seguida de Stone e Negga, que devem embarcar no sucesso dos filmes com os votantes e também serem indicadas, e de Streep, que… Bem, é Streep. Não se pode desconfiar dessa mulher nunca! Mas sabem o que é curioso? Não dá para descartar nenhuma das outras que coloquei abaixo, pois, com exceção de Portman e Davis, que são as front runners do momento, temos a queridinha Amy Adams, que deve ir para sua sexta indicação a um Oscar, a outra queridinha Jennifer Lawrence, que parece ter um certo tipo de magia com os votantes. Temos também as veteranas Huppert e Benning, que se estiverem tão bem quanto se espera, provavelmente receberão uma indicação porque os votantes amam um comeback. E, pra encerrar, temos Blunt em sua eterna corrida para ganhar uma indicaçãozinha sequer, e quem sabe é dessa vez, não é mesmo?

Ainda é cedo para afirmar com tanta certeza uma coisa dessas, mas acho que não é loucura falar que a categoria de Melhor Atriz provavelmente será a mais acirrada e imprevisível da premiação do ano que vem. E olha que eu queria tanto ver Sonia Braga lembrada aqui :/

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

La La Land: Cantando Estações
Loving
Jackie
Manchester By the Sea
Capitão Fantástico

Outros prováveis indicados:

O Lagosta
20th Century Women
Ave, César!
Hell Or High Water
Zootopia: Essa Cidade É o Bicho

Das categorias que vou escrever sobre, talvez essa seja a mais fácil. Simplesmente não apareceu até agora nenhum filme que quebre a configuração dos cinco primeiros citados. Claro que nunca podemos descartar outras possibilidades, mas acho bastante difícil aparecer algum filme que sequer abale este grupo, e se aparecer provavelmente será um dos cinco citados abaixo.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

A Longa Caminhada de Billy Lynn
Moonlight
Fences
Silence
A Chegada

Outros prováveis indicados:

Animais Noturnos
Lion
Amor e Amizade
A Lei da Noite
Indignation

Se na categoria de roteiro original, a coisa parece estar fechada, aqui o papo é outro. Os sete primeiros citados parecem estar igualmente fortes na categoria e com possibilidade de indicação, o que me faz dar preferência àqueles que parecem estar fortes na corrida como um todo e, dessa forma, “rebaixar” Lion e Animais Noturnos aqui, mesmo sem achar tão difícil que eles troquem de lugar com algum dos outros cinco. Amor e Amizade também vem recebendo certo destaque e creio que, caso receba uma campanha adequada, pode acabar sendo indicado à categoria. Já os outros dois são mais um tiro no escuro do que qualquer outra coisa, pois há uma disputa acirrada entre, no mínimo, dez títulos de Amor e Amizade para baixo.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

– Aaron Eckhart, Sully: O Herói do Rio Hudson;
– Liam Neeson, Silence;
– Mahershala Ali, Moonlight;
– Hugh Grant, Florence: Quem É Essa Mulher?;
– Steve Martin, A Longa Caminhada de Billy Lynn;

Outros prováveis indicados:

– Michael Shannon, Animais Noturnos;
– Lucas Hedges, Manchester By the Sea;
– Jeff Bridges, Hell Or High Water;
– Stephen Henderson, Fences;
– Warren Beatty, Rules Don’t Apply;

Ao contrário da categoria de protagonistas, a de coadjuvantes tem três concorrentes bem delineados. Eckhart, Neeson e Ali parecem estar garantidos nas indicações da categoria, principalmente Neeson, que só será impedido de aparecer caso o filme não lance a tempo do intervalo obrigatório para ser indicado. Grant é um “quarto lugar” quase que isolado, pois ele não possui a força dos outros três acima, mas é consideravelmente mais provável como indicação do que aqueles que vem abaixo. Para fechar os cinco, escolhi Martin porque acho que a Academia vai abraçar o filme de Lee tanto a ponto de indicá-lo. Os cinco restantes podem crescer na corrida e surpreender, porém, não creio que esse seja o caso desse ano e acredito que, no máximo, Shannon possa retirar a indicação de um dos outros.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

– Naomie Harris, Moonlight;
– Michelle Williams, Manchester By the Sea;
– Nicole Kidman, Lion;
– Felicity Jones, Sete Minutos Depois da Meia-Noite;
– Lupita Nyong’o, Rainha de Katwee;

Outras Prováveis indicadas:

– Helen Mirren, Decisão de Risco;
– Kristen Stewart, A Longa Caminhada de Billy Lynn;
– Laura Linney, Animais Noturnos;
– Aja Naomi King, The Birth of a Nation;
– Greta Gerwig, 20th Century Women;

Semelhante ao que vimos na categoria de protagonistas, aqui parece que temos um embate direto entre as duas favoritas. Uma que já é consagrada na Academia e que teve buzz em sua atuação desde o início da corrida, outra que está nunca foi indicada, mas que chamou a atenção no festival de Toronto. Não sei quem está possivelmente na frente neste momento, no entanto não consigo olhar para fevereiro sem ver as duas garantidíssimas na premiação. De Kidman até Linney existe uma diferença mínima, já que ou elas foram bastante elogiadas em suas performances ou há o bendito hype em torno das mesmas. Fora essas oito, não vejo neste momento chances reais de nenhuma outra ameaçar uma roubar uma indicação, mas pra ficar bonitinha a postagem coloquei King e Gerwig pra ocupar espaço.

MELHOR ANIMAÇÃO

Kubo e as Cordas Mágicas;
Zootopia: Essa Cidade É o Bicho;
A Tartaruga Vermelha;
Procurando Dory;
April and the Extraordinary World;

Não. Não acho que Moana consiga garantir um lugar nessa categoria. O filme parece estar mais focado em sua parte musical do que em sua trama, o que me deixa com alguns pés atrás diante de sua indicação aqui…

MELHOR TRILHA SONORA

La La Land: Cantando Estações;
A Chegada;
Rogue One: Uma História Star Wars;
Moana;
A Luz Entre Oceanos;

… E é por isso que eu acho que o filme deverá ser indicado a Trilha Sonora. E, pelo que já ouvi, tá merecendo bastante.

MELHOR FOTOGRAFIA

A Longa Caminhada de Billy Lynn;
A Chegada;
Silence;
La La Land: Cantando Estações;
Moonlight;

Lubezki ficou exausto de ganhar três vezes seguidas e deixou os outros brincarem dessa vez. Agradeço não só a Deus como a Jesus também.

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

La La Land: Cantando Estações;
Silence;
Animais Fantásticos e Onde Habitam;
A Longa Caminhada de Billy Lynn;
A Chegada;

Pelos trailers de cada filme, é impressionante como o design de Animais Fantásticos e Onde Habitam se destaca do restante, mas, por algum motivo, os sites de apostas estão todos focando em La La Land e Silence, então não vou discordar.

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Mogli: O Menino Lobo;
Rogue One: Uma História Star Wars;
A Chegada;
Sete Minutos Depois da Meia-Noite;
Doutor Estranho;

MOGLI FOI FILMADO APENAS EM ESTÚDIO E TODA A FLORESTA FOI FEITA POR CGI EU NÃO ACEITO ISSO NÃO PODE SER VERDADE TEM QUE GANHAR ESSE OSCAR SIM!

MELHOR FIGURINO

La La Land: Cantando Estações;
Fences;
Amor e Amizade;
Animais Fantásticos e Onde Habitam;
Silence;

Se a categoria for essa mesmo, já estou aplaudindo aqui de pé.

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO

Florence: Quem É Essa Mulher?;
Silence;
Star Trek: Sem Fronteiras;

Os dois primeiros são os grandes nomes que devem concorrer, o terceiro é um desejo desesperado de alguém que não quer que a Academia esqueça de um trabalho desse só porque é blockbuster de ficção-científica.

MELHOR MONTAGEM

La La Land: Cantando Estações;
A Chegada;
Loving;
A Longa Caminhada de Billy Lynn;
Silence;

Se a montagem de Whiplash não foi um acerto de sorte, La La Land já pode levar esse prêmio que eu fico contente.

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

Toni Erdmann;
The Salesman;
Neruda;
De Longe Te observo;
Julieta;

Ninguém se importa com Pequeno Segredo e todos sabemos que ele não tem a menor chance de aparecer entre os indicados, então, whatever! #JusticeForAquarius

 

E essas foram as minhas primeiras previsões para o Oscar do ano que vem. Em janeiro do ano que vem, voltarei com as previsões finais e com os restantes das categorias (que são quase impossíveis de prever a esta altura). Vamos ver o que mudará até lá!

Ícaro
Ícaro

Cinéfilo de carteirinha e atual professor de Herbologia em Hogwarts, tem a escrita como uma de suas paixões e acha que o mundo seria um lugar melhor se as pessoas não ligassem tanto para a opinião dos outros.
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