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Segunda Chamada – S01E01 – Episódio um [Series Premiere]

“Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro”.

                                                                                                       Belchior.

Em um país onde 2,8 milhões de jovens abandonam a escola por ano, uma série que mostre a realidade do ensino público do Brasil é muito importante e mostrar o ensino público noturno é algo mais especial ainda. E essa série é “Segunda Chamada”. Ela foge totalmente dos padrões de dramatização que vemos da classe pobre e do que realmente é uma escola pública. Como plano de fundo dessa obra de arte nós temos os professores que lutam por seus alunos para que eles não percam a esperança no futuro; Lúcia, Jaci, Sônia, Eliete e Marco André lecionam na mesma escola, porém, ocupam núcleos totalmente diferentes abordando questões reais na nossa sociedade como: Homofobia/Bullying na escola, alunos de terceira idade, gravidez na adolescência e aqueles que trabalham durante o dia. Natasha, Maicon, Solange, Dona Jurema são alguns dos personagens que protagonizam os temas abordados na série. Natasha, travesti que luta todos os dias para alcançar seu objetivo de concluir o ensino médio, sofre todos os dias um tipo de preconceito diferente, onde, sua própria vida está em risco constantemente e até usar o banheiro é uma questão que a fere profundamente. A falta de respeito com a sua identidade e o descaso com os conflitos que sofre faz até Natasha pensar em desistir, mas essa não é uma opção para Lúcia que será capaz de tudo para manter a aluna perto dela.

Correndo ao lado de Natasha temos Maicon, motoboy que ta na correria da vida para conseguir o pão de cada dia e que assim como Natasha não desistiu de estudar. O cansaço é algo constante na sua vida e por mais que ele lute em se manter acordado, não é algo muito fácil para ele. Como um escape para tentar manter o foco, Maicon acaba recorrendo a uns remédios que não fazem bem a ele e acaba sendo levado ao hospital em estado grave. A situação dele abre o precedente para Sônia que sem sombra de dúvidas é a que mais se aproxima da realidade dos professores de ensino público. Desmotivada com a incapacidade de educar como se deve e esgotada com seus problemas pessoas, Sônia é o tipo que vive do piloto automático e que os seus alunos já não mais um agente motivador.

Dona Jurema talvez seja um dos casos que mais converse com Natasha, pois, a travesti que luta pelos seus direitos diverge com a senhora conservadora que foi criada e ensinada numa cultura machista e segregadora. Jurema é o verdadeiro retrato da senhora que abandona a escola no ensino fundamental, casa, tem filhos, vive para família e marido e os sonhos acabam que ficam de lado. Mas… E quando estamos na idade em que já fizemos tudo o que tínhamos que fazer da vida? Talvez essa seja a motivação de Jurema e de muitas outras pessoas de terceira idade que não desiste de seus sonhos. Ali, ela não vai apenas aprender português, matemática ou história, Dona Jurema vai aprender a romper barreiras sociais e entender que somos todos um só.

Solange talvez seja o caso mais recorrente e comum nas comunidades do Brasil, a menina que engravida na adolescência e é obrigada a mudar o turno, pois, não te aceitam mais como uma jovem. Abandonada pelo parceiro, sozinha no mundo sem nenhuma instrução de como lidar com problemas e com uma criança, Solange tenta não ceder ao destino mas a pressão é maior que ela e todas as suas questões fazem com que ela abandone sua filha nos braços de Eliete que não acha justo a bebê ser jogada em um juizado de menores sem amor de um pai e mãe. A série termina com Lúcia levando o bebê para casa e indicando que talvez aquela criança tenha um lar.

Eu acho que uma série nunca mexeu tanto comigo como essa. Ver a realidade cruel e estampada na cara das pessoas foi uma das coisas que eu mais desejei. Atualmente vivemos em uma sociedade onde as pessoas querem se esconder nos seus mundos e ignorarem os problemas agravantes que existe.

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Dam Souza

Baiano que tem caruru e vatapá no sangue, aquele que é o canto da cidade e só discute com quem entende de Inês Brasil.

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