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Segunda chamada – S01E03 – Episódio três

“Viver é sofrer e sobreviver é encontrar um significado no sofrimento”.

                                                                                                     Friedrich  Nietzsche.

Segunda chamada continua sendo assertiva e realista em sua abordagem. Trazendo temas cada vez mais importantes temas para a reflexão da sociedade.

A escola talvez seja o maior berço de interação social existente na história e, interação social envolve gostos, costumes, crenças e raças totalmente distintas umas das outras. Mas, e quando as realidades se chocam? Como fazer para que elas conversem e se alinhem como um só? A intolerância religiosa é um dos conflitos mais sofridos em nosso país, estamos constantemente vendo cristãos tentando se sobressair e criar uma separação que nem Jesus criou, católicos querendo se afirmar cade vez mais como uma supremacia e o candomblecista sempre em modo de ataque que é resultado de toda a pancada que leva pelo decorrer de sua caminhada. Mas antes de tratarmos sobre esse tema que foi tão importante nesse segundo episódio, vamos conhecer um pouco da Gislaine, mulher negra, periférica com um filho para criar e que tem como meio de sustento de vida a prostituição. A mulher negra vista na sua ótica mais covarde, como um pedaço de carne feito para satisfazer as necessidades sexuais do homem branco que a explora. Difícil de descer pela nossa garganta, porem, não deixou de ser uma realidade. Gislaine não deixou com que seu trabalho muito mau visto pela sociedade como todo atrapalhasse o seu sonho e sempre lutou muito para que o seu trabalho não convergisse em sua educação. O que Gislaine não esperava é que um de seus clientes estaria oferecendo uma bolsa de estudos para a faculdade e ela viu o preconceito em sua pior forma, pois, para puta ela servia, mas, como estudante não. Mesmo tendo a melhor redação da sala, ela perde a bolsa para o Maicon, pois, ele não ia aceitar uma puta como aluna em sua instituição.

Como se isso já não fosse o bastante, Gislaine passou a ser perseguida pelo filho do diretor que agora estava estudando na escola como uma espécie de castigo dado pelo seu pai. Um menino extremamente machista e preconceituoso que tem muito mais a ver com seu pai do que imaginamos, quando o menino confessa ao pai que está afim de Gislaine, Jaci logo trata de barrar o filho e adverti-lo que ela não era mulher para ele, pois, era “Puta”. O filho dele nojento que é, tratou Gislaine como ela “merece” fez o favor de humilhá-lá sem peso nenhum na consciência.

Voltando para a questão religiosa que foi muito bem abordado diga-se de passagem… Temos alguns contextos conflitantes aqui, pois, uma escola que deveria ser um lugar totalmente laico, tem uma imagem de uma santa que é misteriosamente quebrada por algum dos alunos. A questão é levantada quando Eliete se declara evangélica e diz não concordar nem com o fato de ter uma imagem de uma santa na escola e ainda mais de terem quebrado a santa. Uma divisão foi criada: De um lado temos a bancada religiosa que apoiou a destruição da santa, e do outro, a bancada católica que resolveu se manifestar e impor sua posição enquanto a isso. Uma das pessoas que faz parte do lado evangélico assume que quebrou a santa e que não se arrependeu do que fez e provavelmente faria de novo, sua declaração resultou na sua expulsão da escola, o que ninguém contava é que a bolsa dela iria romper no meio da escola. E como é que presta socorro em uma escola alagada pela chuva e onde a saúde pública é inteiramente um caos? Daqui que uma ambulância chegasse para prestar socorro, ou o bebê já teria nascido, ou os dois teriam morrido ali mesmo no local.

É muito difícil conseguir escolher um dos professores para amar, pois, todos tem histórias completamente apaixonantes e mostram cada vez mais camadas, só que Eliete te cativa num grau que não da para explicar, ver como ela se envolve com seus alunos e tenta sempre dar suporte para eles. Quando a sua aluna teve a bolsa estourada no meio da escola, foi ela quem estava ali para ajudar e auxiliar no parto que foi feito por Eliete, Jurema e Gislaine. A professora separada, a católica religiosa e a prostituta.

A série termina nos dando uma lição de empatia e nos ensinando que na hora da dificuldade não existe religião ou um Deus especifico, no fim das contas somos todos humanos ajudando outros humanos a passar pelos problemas dessa vida. Segunda chamada não está ensinando os seus personagens, mas sim os seus telespectadores que precisamos olhar para o outro, perceber o outro e amar acima de tudo.

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Dam Souza

Baiano que tem caruru e vatapá no sangue, aquele que é o canto da cidade e só discute com quem entende de Inês Brasil.

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