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Sharp Objects – S01E02 – Dirt

“Não venci os meus demônios, só estão um pouco adormecidos”, e parecem querer acordar, não é Camille?

O segundo episódio de Sharp Objects consegue nos fazer mergulhar na história de uma forma mais profunda, buscando compreender os detalhes que giram ao redor dos cidadãos de Wind Gap e ao redor dos personagens que vemos na tela por mais tempo. Apesar de cada personagem buscar por respostas à sua maneira, seja coletando informações de pessoas-chave, como Camille faz, seja tentando se colocar no lugar de outras pessoas, como o detetive Willis, a gente percebe que ambos estão lendo só metade da história, enxergando metade da narrativa, uma vez que não conseguem transitar entre os dois métodos. Claro, o encontro dos dois pode sinalizar uma complementação, pode mostrar que unidos eles consigam fechar o quebra-cabeça. Mas ainda há um longo caminho a percorrer.

Por falar em Willis, ele se tornou um personagem mais interessante no episódio, primeiro levantando o questionamento sobre as diferenças entre os dois recentes assassinatos da cidade, e depois arrancando os dentes daquele porco. A questão é que Willis se encontra numa situação atípica, uma vez que ele não consegue enxergar as motivações e as nuances dos dois assassinatos. Ele precisa de ajuda no caso, e talvez tenha encontrado essa ajuda em Camille, que mesmo há muito tempo longe da cidade, ainda respira o ar de culpa que ronda Wind Gap.

E é a culpa que parece estar cercando esse episódio. Seja pelo irmão de Natalie chorando sem freios, seja por Camille escrevendo “mentirosa” na calça com uma agulha depois de ter mentido a seu chefe, a culpa atormenta a cidade. E a última cena, entre Camille e sua mãe, mostra um pouco disso. A família com certeza tem problemas, inclusive a irmã mais nova, que eu já havia desconfiado no episódio anterior. Mas o foco aqui é a mãe de Camille, que parece sufocar a filha, impedi-la de fazer o que quer, coordenar seus passos, e ditar até o que vestir. Seria isso culpa por ter deixado Camille de lado quando sua outra filha morreu? Estaria Adora ainda tratando a filha como uma adolescente, parada no tempo? Eu não duvido.

Enquanto o primeiro episódio nos mostrou um pouco mais de ação, com a chegada de Camille, um novo assassinato e tal, este pareceu ser um episódio mais de observação. Observação por parte de Camille e observação por parte do espectador, que tenta enxergar nos detalhes as características necessárias para julgar alguém culpado. E essa é a premissa que torna a série tão encantadora. A gente mergulhar na investigação, ficar atento aos personagens, às narrativas de cada um, como a de James, contando da mulher de branco. E, ao mesmo tempo, o delegado da cidade recusando a hipótese de que uma mulher poderia ter cometido os assassinatos. Fato é que Camille consegue enxergar isso, e enquanto a gente acha que ela deixar passar algumas informações, ela vai coletando tudo e montando um quebra-cabeça. E não se deixem enganar, ela consegue analisar até mesmo as atitudes da irmã mais nova, sempre se colocando no lugar e revivendo o passado.

Bom, eu ainda tenho problemas em compreender como os americanos transformam um funeral em um evento, mas o detalhe importante aqui é que podemos notar que ninguém é inocente nessa cidade. Todo mundo tem uma história pra contar de alguém, e Camille se vê rodeada de histórias novas, de personagens novos, que podem ter papel fundamental na sua história, e no desfecho dos casos de assassinato. Pra gente resta fazer uma lista de suspeitos, pensar nas diferentes possibilidades e motivações e tentar dar um palpite final.

Antes de encerrar, quero mais uma vez destacar a aventura brilhante que Sharp Objects tem se tornado, inclusive para quem não teve contato com o livro ou a história. As atuações de Amy Adams e Patricia Clarkson tem sido fenomenais e, mais uma vez, a trilha sonora tem acompanhado muito bem os momentos e estados de espírito que a protagonista passa. Esses detalhes fazem toda a diferença!

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Gerson Elesbão

Um @gerson incomoda muita gente, um @gersonrealoficial incomoda incomoda incomoda muito mais! É DC, é Marvel, é Netflix, é reality. Se a série for boa, chama no probleminha, bebê!

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