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Strike – S02E01 – The Silkworm, Part 1 [Season Premiere]

É tudo uma questão de ritmo.

Nos episódios que adaptaram a trama de O Chamado do Cuco havia algo que eu não tinha comentado aqui, mas que, com a transição para O Bicho-da-Seda, se faz necessário abrir um espaço para comentá-lo. Esse algo é o ritmo dos episódios. Nos três primeiros episódios da série, o ritmo fluía tão bem que era prazeroso ver os episódios passando. Nada parecia minimamente arrastado, apressado ou fora do lugar e tudo se encaixava completamente, muito devido à direção de Michael Keillor. Essa fluidez mudou nesse episódio, e de maneira drástica.

Com os personagens estabelecidos e o plano de fundo mais ou menos preparado, seria coerente pensar que a série se tornaria naturalmente mais ágil, o que não foi exatamente o caso. Sim, ela está mais rápida, mas essa rapidez não é refletida na agilidade da trama e sim em um ritmo apressado que não nos dá tempo para absorver os acontecimentos, digeri-los e as vezes nem mesmo entendê-los.

Pegando como exemplo o novo caso investigado por Cormoran, nós conseguimos compreender perfeitamente sua relação com a família e que o seu novo livro, Bombyx Mori, está relacionado com a sua morte, porém, ir além disso exige um esforço grande de qualquer um que não leu o material original. A pressa em avançar a trama não delimita bem as relações entre os personagens (a cena entre Liz e Fancourt é bem deslocada), não nos faz conhecê-los de maneira satisfatória e não nos instiga em acompanhar todo o caso da morte de Owen Quine.

E enquanto o acerto na adaptação de O Chamado do Cuco devia-se muito à direção, o equívoco aqui também se deve muito à mudança dela. Com Kieron Hawkes assumindo o comando, a elegância anterior dá lugar a uma crueza (que comentarei detalhadamente no próximo parágrafo) que, somada ao ritmo apressado, tornam o episódio nem tão agradável assim de assistir. O que era para parecer pesado e impactante, pode soar desnecessário e até mesmo apelativo. O que era para auxiliar na criação do clima de mistério resulta mais em uma tentativa falha de criar tensão do que em uma eficiente. São falhas pequenas, mas que comprometem o potencial do resultado entregue.

Ainda assim, é possível encontrar pontos positivos que compensem por essas falhas e um deles está, paradoxalmente, a um dos problemas. A transição de climas entre esse e os três episódios foi muito brusca, no entanto a atmosfera sombria e macabra serve muitíssimo bem ao caso da morte de Owen. Tanto a montagem epiléptica da encenação dos acontecimentos de Bombyx Mori quanto o aumento da violência gráfica condizem com a natureza obscura da história e dos personagens que estamos acompanhando. Toda a sequência de Cormoran achando o corpo estripado de Owen, aliás, foi ótima por conseguir mostrar toda a crueldade do assassinado sem ser exageradamente explícita.

Também gostaria de elogiar a maneira como a série lidou com a condição de Dodo e Leonora. Enquanto muitas séries aproveitariam tal situação para criar um melodrama excessivo, aqui vemos a singela relação entre ela e a mãe ser o destaque, e é por causa desse foco que nos emocionamos genuinamente quando elas se separam ao final do episódio. Leonora pode ser impaciente com toda a situação da morte de Owen e com todos ao seu redor, porém ela mostra que ser importa de verdade com Dodo e mostrar todo o carinho que sente por ela. Dessa forma, a série consegue nos convencer de toda essa relação, tornando este o melhor aspecto da nova investigação. Monica Dolan e Sarah Gordy merecem parabéns pelas interpretações.

Mesmo que no âmbito da investigação a série tenha apresentado tropeços, quanto ao desenvolvimento de Robin e Cormoran ela continua tão ótima quanto estava anteriormente. Separadamente, os dois vivem problemas quanto aos interesses amorosos, já que Cormoran ainda é perseguido pelo fantasma de Charlotte enquanto Matthew insiste em querer manter Robin o mais longe possível do detetive. Aliás, isso fica evidente no encontro entre ele e Cormoran, pois lá ele se esforçou pra deixar claro que reprova tudo o que o investigador e sua ligação com Robin significa na vida deles.

Se para Robin sua função como secretária de um detetive significa tudo o que ela sempre desejou, para Matthew ela representa tudo o que ele não quer: o ponto inconveniente na sua vida padronizada. Futuramente isso pode significar algo para o noivado deles, entretanto, no momento, esta diferença de sentido para cada um deles implica em um abalo na relação entre a secretária e o detetive.

Visualmente sinalizada por enquadramentos que mostram os dois distantes, como aquele que ilustra essa review, a dinâmica entre os dois ficou menos fluida, como se tivesse uma parede invisível entre eles. Cormoran não quer interferir no relacionamento entre os dois, porém Robin quer se tornar mais ativa nas investigações, quer se colocar numa posição onde ela possa ser efetivamente essencial para cada trabalho. Isso pode até mesmo refletir um desejo velado dos dois onde, sob uma visão mais romântica, Cormoran deseja Robin e não pode tê-la pelo seu noivado ao passo que Robin não se encontra plenamente feliz no seu noivado e vê em Cormoran uma possibilidade de achar essa plenitude. Ou então isso pode ser meu coração shipper vendo coisas onde não tem, tudo é possível.

Em um episódio problemático e uma transição mais problemática ainda, o saldo ainda é positivo, mas espero encontrar algo mais polido como vimos na adaptação de Cuco no próximo episódio, um episódio que, por sinal, vai ter que condensar bastante coisa em 60 minutos para concluir dignamente a trama. É esperar para ver.

 

PS’s:

  • Adaptação mínima que não entendi: Fancourt no livro se chama Michael e não Andrew. Por que mudaram? Não faço ideia! Alguém tem palpites?
  • Não vou dar spoilers sobre quem matou, porém, no livro, há uma personagem chamada Pippa que sofreu um corte. Eu deixaria ela na série, porque acho interessante, mas visto que sua função pode ser substituída por outros, entendo o corte;
  • Se Robin estivesse usando fones de ouvido enquanto estava dirigindo, poderíamos apelidá-la de Baby?

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Autor

Ícaro

Cinéfilo de carteirinha e atual professor de Herbologia em Hogwarts, tem a escrita como uma de suas paixões e acha que o mundo seria um lugar melhor se as pessoas não ligassem tanto para a opinião dos outros.

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