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The 100 – S07E03 – False Gods

Não há escolhas corretas em um mundo cinza.

A premissa do livro e consequentemente da série era bastante simples, cem jovens voltam a terra após o “fim do mundo”. Durante especialmente a primeira temporada, nós vimos os grupos tendo que aprender a conviver e buscando recursos para sua sobrevivência. Muito pouco do universo tão bem apresentado nas temporadas seguintes era mencionado, a primeira fez questão de focar no grupo e como eles lidavam com os problemas mais “simples” e esse episódio foi uma homenagem a essa época.

Deixando um pouco de lado a anomalia, o episódio focou apenas no santuário, focando na possível morte do Russell e apresentando um novo problema para nossa equipe resolver.

Como eu havia dito na premiere dessa temporada, o santuário é um barril de pólvora, há 4 grupos diferentes querendo diferentes coisas. Shaidhead ainda não se mostrou, mas após uma decisão impulsiva de Gaia, os Wonkru descobriram que não há mais comandante, esse sem dúvida será um grande fator para tudo explodir.

Gaia vem ganhando bastante destaque nessa temporada, ainda mais agora que as suas questões se parecem muito com os seguidores dos Primes. Quem é ela sem uma comandante? Sua vida inteira foi baseada na sua fé e agora sem esse proposito, ela se vê sem rumo e essa situação tem feito sua relação com a Clarke se estreitar mais e mais através do luto de ambas.

A fé foi algo apresentado em The 100 com a a aparição da finada Lexa, por ser vista e venerada como uma deusa, a fé que sua população tinha nela era algo indiscutível. Com a chegada da sexta temporada, o assunto fé pode ser ainda mais discutido.

Seguir cegamente algo ou alguém nunca é algo saudável, a história humana através da igreja e a atual situação política evidenciam bem isso. Mesmo após tantas evidências de que os Primes nunca foram deuses, há uma parte da população que continua acreditando neles. O pensamento que essa população tem é o mesmo que tantas outras pessoas preconceituosas tem, elas se escondem através da fé e se recusam a ver a verdade, mesmo após tantas provas, pois se aceitarem que estão errado, tem que aceitar que fizeram tudo aquilo em vão.

A outra parte do episódio me lembrou muito o episódio “Earth Kills”, o terceiro episódio da primeira temporada, um casal qualquer é apresentado e logo após são mortos por até então algo que não entendemos.

Já era certo daquele não ser um problema real, lógico que o santuário não seria explodido matando a todos ali dentro, mas foi muito bem vindo por a Raven em destaque. A personagem sempre foi alguém muito importante, mas na temporada passada, ela parecia quase uma figurante. Esse episódio pôs ela como salvadora, igual a primeira temporada, e ainda apresentou um trio maravilhoso que com certeza vou querer ver ainda mais interações.

Nas últimas duas temporadas, a Raven havia se tornado a bússola de moral, pois segunda a mesma, ela nunca errou e fazia questão de julgar a Clarke o tempo inteiro, se esquecendo completamente que ela havia pedido para Clarke matar a Lexa e ofereceu o Murphy à morte no lugar do Finn. Esse episódio mostrou para personagem da maneira mais direta que quando se está em uma posição de liderança, não há escolhas fáceis. Não importa que esteja arrependida ou tenha se deixado apanhar como punição, ela escolheu deixar aqueles homens para morrer, pois decidiu que a vida deles valia menos.

A personagem sempre fui uma das favoritas e não vai ser essa decisão que irá tirar o amor que tenho por ela, mas me senti um tanto vingado vendo ela finalmente entendeu que não há heróis, são apenas humanos suscetíveis ao erro, algo tão bem apresentado por Murphy ao falar “Bem vindo ao mundo cinza”.

E não é isso que The 100 sempre focou? Não há mocinhos ou vilões na série, há apenas lados e nós só estamos do lado dos protagonistas, pois estamos vendo através da perspectiva deles, afinal de contas odiamos Mount Weather por tentar pegar a medula óssea deles, mas não odiamos a Clarke por ter matado todos que moravam lá. Nós odiamos os Primes por tomarem corpos que não eram seus, mas não odiamos a Clarke e Abby por fazerem experimentos em um homem inocente ou o Bellamy que matou milhares de grounders desarmados. A série sempre mostrou que naquele universo tudo é cinza e não há um personagem que nunca tenha errado e agora a Raven aprendeu isso.

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Ives Gonçalves

Um carioca estudante de direito querendo se formar, viciado em x factor´s do mundo e que ama uma praia

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