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The 100 – S07E13/14 – Blood Giant/A Sort of Homecoming

Uma história de amor.

Antes de tudo, eu gostaria de deixar estritamente claro que a relação que eu falarei nesse texto não é estritamente como um casal. A necessidade de escrever sobre os dois veio porque Bellamy Blake e Clarke Griffin, sem dúvida alguma, carregavam o relacionamento mais bem trabalhado e complexo da série, mas que teve um fim completamente sem sentido.

Não é um exagero dizer que a dinâmica entre Bellarke desde o primeiro momento da série é fundamental para a narrativa e que dita muito sobre os temas que seriam explorados pela série nos anos seguintes. Muito antes mesmo de existir o “The Heart and Head”, as ações e pensamento dos dois era o que ditava o caminho que a série seguiria. Enquanto inicialmente a Clarke era a protagonista bondosa que queria a união e ajudar a todos, o Bellamy era o antagonista egoísta, mas a partir do momento que ele demonstra mais emoção ao não conseguir matar seu amigo, a Clarke assume a liderança e o mata por misericórdia. Apesar do Bellamy ser conhecido como o coração e a Clarke como a cabeça, acompanhando a série podemos perceber que eles sempre trocam de título quando o outro precisa, pois a balança precisa sempre estar equilibrada, aos poucos ambos percebem que precisam um do outro na liderança e assim passam a crescer juntos e dividir o fardo de tomar decisões difíceis.

A segunda temporada é a melhor da série, a mitologia se expande, personagens novos apenas acrescentam e os antigos ganham ainda mais complexidade, o roteiro surpreende há cada episódio. The 100 começa a fazer algo que se torna recorrente, que é criar “vilões” bem construídos e que sempre tem uma razão para fazer o que fazem, tanto que a série passa a pregar “não há mocinhos”, nós só escolhemos um lado, porque é lado que acompanhamos desde o início e no meio de tudo isso, a relação de Bellarke só cresce e mostra o quanto um precisa do outro, tanto que os episódios iniciais do segundo ano é um tentando encontrar o outro, ocasionando no primeiro abraço que fez a maioria dos fãs surtarem. No final nossos protagonistas tem que fazer outra escolha para salvar seu povo, mas dessa vez eles teriam que dizimar uma população inteira e no final eles resolvem novamente dividir esse fardo ao falarem “Juntos” quando tomam a decisão e aqui é mostrado que não importa o que acontecesse, eles teriam esse vínculo em comum e sempre saberiam que não importasse o que acontecesse, eles teriam um ao outro.

A terceira temporada foi ano em que eles ficaram mais separados, praticamente cada um tinha seu próprio núcleo e isso apenas evidenciou o quanto o Bell precisa da Clarke, foi só ela sair de cena que ele começou a agir apenas pela emoção e fez merda atrás de merda, mas no final, ao se reencontrarem, da mesma maneira que no passado o Bellamy havia dado o perdão que ela precisava, ela deu o que ele precisava e assim ambos puderam seguir em frente com suas escolhas.

Os três anos seguintes são fundamentais para se aprofundar na relação entre os dois, mais uma vez a humanidade se encontra a beira do colapso, o Pramfaya vai acabar com qualquer possibilidade da Terra continuar sendo habitada, por causa da radiação. Sendo assim, mais uma vez Bellarke são colocados na linha de frente e tem que encontrar uma solução para garantir a sobrevivência da raça humana. Bellamy e Clarke estão em perfeita sintonia, um praticamente completa o pensamento do outro e vice versa. Inclusive, durante uma das interações entre os dois, nasce o tão lema que é a definição perfeita dessa dupla: the heart and the head (o coração e a mente), Bellamy é o coração e a Clarke é a mente, quando um não consegue tomar uma decisão com clareza, o outro está ali para equilibrar.

“Eu e você passamos por muitas coisas juntos. Eu não gostava de você no começo, isso não é nenhum segredo. Mas até naquela época, cada coisa estúpida que você fez foi para proteger sua irmã. Ela nem sempre viu isso, mas eu sim. Você tem um coração tão grande, Bellamy. As pessoas te seguem, você as inspira por causa disso. Mas a única forma de garantir sua sobrevivência é se usar sua mente também.”

Em mais uma das milhares de atitudes altruístas, Clarke acaba ficando para trás, enquanto Bellamy e o resto do grupo seguem para os seus destinos acreditando que ela está morta. Quando Bellamy retorna para Terra, Clarke agora é mãe da Maddie, já o Bell está em um relacionamento com Echo. Agora ambos possuem outras prioridades e se passaram 6 anos sem se ver, mas todo dia a Clarke falava com o Bell no rádio, mesmo que ele não ouvisse e como ela mesma pontuou, era o que mantinha ela sã. Mas ainda sim ela se viu tendo que escolher quem era mais importante para ela e não pestanejou em escolher sua filha e deixar seu amigo para morte. Ela ficou seis anos apenas convivendo com a Maddie, ela e o Bellamy não se conheciam mais, mas a partir do momento que não houve mais escolha, ela fez de tudo para salvá-lo e vice versa. A maneira como os dois funcionavam era muito bonita de assistir, não importava o que acontecesse, eles estavam ali se perdoando e seguindo em frente, ainda mais quando eles sabiam que havia um novo planeta a frente e eles novamente seriam os líderes.

Com o corpo da Clarke sendo habitado por outra pessoa, o grande desafio do Bell nessa temporada é trazer sua dupla de volta e eu não sei se foi o roteiro querendo nos enganar mais uma vez ou se porque os atores Bob Morley e Eliza Taylor haviam se casado na vida real e ele não conseguia mais esconder o amor que ele sentia por ela dentro das câmeras, mas a sexta temporada meio que havia deixado claro que Bellarke estava próximo de se tornar algo amoroso. O desespero do Bellamy em traze-la de volta, se recusando a acreditar que ela estava morta e ter sido a sua voz que tenha feito ela voltar, deixava claro que aquilo seria mais que amizade.

Bellarke foi provavelmente o casal que eu mais shippei depois de Stydia (TeenWolf), toda a relação entre eles era tão pura, mas ao mesmo tempo carregada de culpa e dor, ambos sabiam tudo que eles haviam feito para sobreviver e um precisava do perdão do outro para seguir em frente. Bellamy e Clarke se completavam de uma maneira que nenhum outro relacionamento na série chegava perto, não importava o que acontecesse eles estavam ali liderando juntos.

E Bellamy, apesar dessa não ter sido uma homenagem a você em si, foi uma homenagem a você e a pessoa que te ajudou a crescer, você muitas vezes me ensinou a como ser leal, a como amar incondicionalmente, que ta tudo bem errar algumas vezes e que esses erros não nos definem e foi você que disse a frase que definiu o tom da série até os dias atuais “Quem somos e o que temos que fazer para sobreviver são coisas bem diferentes.”

Sua luta acabou e que nos encontremos novamente.

Eu iria comentar o episódio 14 também, mas não quero me esticar muito e tirar o foco da review, então vou apenas pontuar algumas coisas que achei importante.

  • Se a morte do Bell serviu de algo, foi para mostrar a atuação maravilhosa da Eliza Taylor.
  • Echo finalmente se assumindo como Ash <3
  • Que saudades da dupla Octavia e Indra!!!!!
  • Ninguém aguenta mais o Shaidheda!!!!!
  • Ninguém pediu Jordan e Hope.
  • Gabriel morreu como um héroi, emocionante sua despedida.
  • Raven não teve destaque algum, temporada final e essa merda continua acontecendo.
  • Antes mesmo de ser uma comandante, a Madi era uma guerreira, não entendi o porquê de insistirem nela como uma criança indefesa, ela e a Indra unidas matando o Shaidheda seria o final digno que nós precisávamos.
  • Bellamy morreu sem ler a carta da Octávia, jamais saberá a mulher que ela se tornou.

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Ives Gonçalves

Um carioca estudante de direito querendo se formar, viciado em x factor´s do mundo e que ama uma praia

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