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The 100 – S07E16 – The Last War [Series Finale]

Your fight is over

Depois de longas 7 temporadas The 100 chegou ao fim. Com altos, baixos e o fundo do poço, a série nos proporcionou momentos inesquecíveis (e alguns que a gente esconde no fandom). Em setembro, a trama liderada por Clarke exibiu seu último capítulo e devo dizer que apesar de não ter sido o pior da temporada passou muito longe de encerrar de uma maneira a altura do que a série representou.

É fato que ninguém gostou desse final todo apressado e sem sentido, o que é uma pena pois até Anaconda a série estava em um ritmo muito bom, acredito que se tivessem investido mais tempo no clímax da trama (a última guerra, o teste da transcendência e até mesmo a luta entre Indra e Sheidheda) e menos nos fatos menos importantes que levaram até lá (Bellamy convertido, Octavia, Hope e Diyoza) ou nos plots sentido (quase tudo que aconteceu no Sanctum) o resultado seria bem mais satisfatório (ou menos insatisfatório).

Depois de algumas semanas tentando escrever essa review eu não cheguei a lugar nenhum, todos os textos que eu escrevi não ficaram bons ou não conseguiam expressar todas as emoções que esse finale me despertou. Por fim, decidi que ao invés de falar mal de todas as cagadas do Jason Rothemberg (e foram muitas rs) vou falar de tudo que me fez gostar dessa série (mesmo com esse final).

In Peace, May You Leave The Shore.

Convenhamos que no fim das contas as heroínas da história foram Octavia e Raven, sim Clarke sacrificou tudo pela sua família e amigos, mas foi a partir da evolução das duas que a humanidade foi salva e pode transcender.

Octavia foi de longe a segunda personagem que mais mudou durante as sete temporadas (e uma das que mais sofreu). Durante os anos vimos uma evolução gigantesca passando da ingênua menina que vivia sob o chão, para a sanguinária skairipa e pela implacável Bloodreina, e por fim, fechando o ciclo, como a Tia O.

Outro reflexo de sua evolução pessoal foi os relacionamentos que O desenvolveu, primeiro com Lincoln, depois com Indra, com Clarke, Echo, Diyoza e finalmente com Hope, sem contar o laço com Bellamy que apesar de sofrer alguns abalos nunca deixou de existir. Mesmo não gostando do final da série, a conclusão de Octavia para mim foi incrível.

Raven por outro lado teve uma evolução menos evidente. A personagem que, por incrível que pareça, não foi inicialmente pensada como uma personagem regular da série, teve sim um arco de evolução significativo. De início tínhamos uma Raven que via o mundo na dicotomia entre certo e errado, foi através dos aprendizados e laços criados com alguns personagens, como Abby, Sinclair, Emori e Murphy, que a fizeram entender que as vezes pessoas boas fazem coisas ruins, achei muito significativo a entidade assumir a forma de Abby quando Raven a confrontou, mostrando o quão forte o laço maternal que Raven criou com Abby. Ao contrário de Octavia, Raven não teve um tratamento digno nessa última temporada, sendo deixada muitas vezes de lado, gostaria de ter visto mais dela, apesar de ter desempenhado um papel fundamental no Finale.

In Love May You Find The Next

Outro personagem que merece destaque foi o que teve a maior mudança e possivelmente o único que conseguiu ser o pior e o melhor personagem da série. Sim, senhoras e senhores, estou falando de John Murphy.

Murphy, assim como Octavia, passou por uma evolução gigantesca, ele foi de vilão, para anti-herói e nessa última temporada para herói, e aos poucos foi se tornando um dos melhores personagens da série.

A evolução de Murphy só teve início com a introdução de Emori, seu futuro par romântico. Emori era uma Frikdreina, por ter uma mão deformada ela foi descartada e forçada a viver como pária na sociedade grounder, a identificação com Murphy foi inevitável, já que ele também era um pária, no entanto por suas ações e não por sua aparência.

Seria um erro acreditar que Emori teve sua jornada apenas para ajudar a redimir Murphy, pelo contrário, The 100 tem um histórico de dar destaque as suas personagens femininas e dessa vez não foi diferente, em sua jornada para provar a si mesma e a todos que não era uma pária acabou por ajudar Murphy a se redimir.

O final do casal me agradou muito. Emori teve seu arco concluído na quinta temporada, o que faltava era a conclusão do arco de Murphy. Ao se sacrificar por ela, esse arco foi concluído, por mais triste que tenha sido, o desejo dele de não se separar dela foi o ato final mais bonito e que condizia com a mudança que o personagem sofreu, é certo que no fim os dois retornaram ao negarem a transcendência, mas isso não muda nada

Safe Passage on Your Travels

Eu não poderia deixar de falar dela, Clarke Griffin, indiscutivelmente a protagonista da série. Desde o primeiro episódio Clarke assumiu a responsabilidade por tudo e todos e, por mais irritante que isso fosse algumas vezes, participou de todos os momentos importantes da série.

Essa última temporada foi notadamente pesada para Clarke, depois de ter que matar Finn por misericórdia, perder Lexa e de executar Simone Lightbourne que se apossou do corpo de Abby, Clarke ainda teve que matar seu melhor amigo e ver sua filha morrer. Apesar de mais tímida não é possível ignorar as mudanças de Clarke, ela aprendeu cedo que nenhuma decisão é fácil e que as consequências de seus atos a assombrariam para sempre. Ela notadamente aceitou esse fardo, Tondc, Mount Weather a lista dos que entrariam no bunker do segundo amanhecer, todas essas decisões foram suportadas pela loira e mesmo sendo confrontada se manteve firme.

O final de Clarke foi até que feliz, ela lá na segunda temporada aceitou se sacrificar por aqueles que amava e isso se provou verdade durante toda a série, saber que todos se salvaram, especialmente Madi, mas que ela teria que viver sozinha era um preço que ela estava mais que disposta a pagar, ver que seus amigos escolheram voltar para ela foi só a cereja do bolo.

Until our Final Journey on The Ground

É claro que eu poderia ainda falar de tantos outros personagens, Echo, Bellamy, Gabriel, Hope, Jordan, Miller, Jackson, Indra, Niylah etc. Sim, eles foram extremamente importantes para a série em si, mas essa última temporada não deu o destaque devido a todos, fiquei feliz que Jackson e Miller puderam terminar felizes e juntos, que Gabriel finalmente teve seu descanso e odiei o relacionamento forçado de Jordan e Hope. Ah e quanto a Niylah? A coitada ficou esquecida no churrasco, pelo menos ficamos sabendo que ela não escolheu a transcendência e voltou para viver com Clarke e Cia.

De Bellamy falamos dele AQUI e eu acho que eu não teria nada mais a acrescentar (além, é claro, que o Jason Rothemberg estragou o personagem porque estava de birra com o Bob Morley).

Echo também mereceria uma menção maior, mas acredito que o seu arco terminou na 5ª temporada, o tempo que ela passou no espaço fez com ela mudasse e que os laços que ela criou, principalmente com Bellamy e Raven, se tornassem mais fortes que o seu passado, a 7ª temporada foi marcada pelo seu luto por Bellamy, ainda que eu não consiga aceitar a reação dela quando o Bellamy morreu de verdade.

Ainda caberia uma menção a Indra, durante a série Indra acabou se tornando a mãe que Octavia perdeu e Octavia foi a filha que Gaia se recusou a ser, A confissão de que a culpa pelos eventos do bunker também era culpa dela é um dos momentos mais fortes da relação das duas, o que eu esperaria para o final de Indra era um conflito final com Sheidheda, foi satisfatório ve-lo explodir, mas foi muito rápido, Indra merecia um momento mais glorioso que aquele.

 

The 100 terminou sem atender qualquer expectativa, até agora não encontrei um fã da série satisfeito. Ficamos com esse gostinho amargo de que as coisas poderiam ser diferentes, mas nada apaga o quão fenomenal a série foi, nos resta agora esperar que o bendito spin off seja aprovado e que seja minimamente parecido com “Anaconda”.

May We Meet Again

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Felipe Tanabe

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