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The Flash – S03E23 – Finish Line [SEASON FINALE]

Uma sucessão de erros chamada “Terceira Temporada de The Flash“.

Eu me decepcionei demais com essa temporada de The Flash. Tipo, muito. Todo mundo envolvido nessa série, personagens e roteiristas, erraram as escolhas que fizeram. E basicamente esse foi o tema por trás de toda a temporada: escolhas erradas.

Tudo já começou muito errado naquele erro chamado de Flashpoint. A história original, nos quadrinhos, é muito bem feita e uma das melhores coisas recentes que a DC fez. Os acontecimentos são bem parecidos com o que fizeram na série, com o Barry voltando no tempo pra impedir que o Flash Reverso matasse a mãe dele. Na história em quadrinhos, todo o universo foi alterado de tal maneira que o Flash nunca virou herói, o Bruce Wayne morreu no assalto aos pais e o Thomas virou um Batman altamente feroz e cruel e a Martha virou uma Coringa absurdamente enlouquecida e traumatizada pela morte do filho, Aquaman e Mulher-Maravilha brigam pelo controle do mundo, Superman foi preso pelo governo e nunca foi exposto ao sol e portanto o herói que conhecemos nunca existiu, pra dizer umas poucas coisas que aconteceram. O mundo ficou um caos e o Barry descobre que mexer com a linha do tempo é uma coisa que ele nunca mais deve fazer. Já na série, tudo foi mal feito. A vida de todo mundo ligado ao Barry mudou, naturalmente, mas a ideia de criar um novo universo foi tão mal aproveitada que nada que os roteiristas fizeram em seguida deu muito certo. (A propósito: o melhor universo alternativo dessa temporada em séries nos Estados Unidos tá em Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D., caso vocês realmente queiram ver algo bem feito).

Em seguida, tentando consertar os erros, Barry voltou no tempo e impediu que ele salvasse a mãe dele. Até aí, ok, consertar os erros é muito legal. Mas a linha temporal já tinha sido alterada de uma maneira meio que permanente e algumas mudanças aconteceram na volta do Barry pro tempo normal. O irmão do Cisco morreu, a filha do John e da Lyla virou um filho, o Wally ganhou poderes, esse tipo de coisa. E daí a história começou a focar nos dramas pelos quais cada uma dessas pessoas tava passando, mas ainda a história não andava. Como fizeram nas outras temporadas, tentaram introduzir um vilão velocista, não aprendendo com o erro que isso já não funcionou muito bem na segunda temporada. OK, o Savitar era legal, o Deus da Velocidade e era muito mais rápido do que o Barry era. Mas ainda assim, ele foi mal explorado.

A ideia das várias idas e vindas no tempo fez com que qualquer compreensão da história dele fosse bem difícil de se fazer. Mas dando o braço a torcer, a ideia do vilão ser um remanescente do tempo do próprio Barry criado pra derrotar o vilão é bem criativa e dá uma forte opinião sobre a visão dos roteiristas sobre as pessoas estarem presas ao destino. E a atuação do Grant Gustin como Savitar foi bem boa, até. Mas o próprio vilão foi mais um velocista que surgiu nessa temporada e foi mal aproveitado. Toda vez que o Jay Garrick aparecia eu ficava bem feliz, pela questão da referência de trazer o Flash da série antiga e tudo o mais. Referências, como diria o Capitão América. Mas ainda assim, ele aparecia e logo em seguida sumia, inclusive ficando preso na Força da Aceleração como punição por um erro que o Barry cometeu. Daí teve a Jesse Quick, e eu consigo contar nos dedos as vezes que ela apareceu como uma velocista de fato. Pra que dar poderes pra ela se a gente nunca vai ver ela utilizando eles? Pra que introduzir essa personagem com todo esse potencial só pra não utilizar direito ele? Aí tem o Wally. O início dele, toda aquela coisa da Pedra Filosofal e ele ganhando poderes que não teria foi legal, admito. Era legal ver ele ganhando os poderes e a felicidade que ele sentia por isso. Mas à medida que a temporada foi passando, aconteceu algo muito louco. Quanto mais rápido ele ficava, menos falas e aparições ele tinha. Volta e meia o Wally tava correndo com o Barry e só o Barry tinha falas, enquanto tudo que o Kid Flash fazia era correr.

No fim das contas, quem morreu não foi a Iris, mas sim o H.R. Já era uma suspeita que pipocava em vários grupos,m mas eu desconfiava por ser uma saída fácil demais pra tudo que a série construiu. Afinal de contas, o transmutador do H.R. tinha acabado de ser reinserido, episódio passado. Mas foi por isso que os roteiristas optaram. E como a Iris não tava mais morta, o Barry nunca entrou na bad e os eventos que deram origem ao Savitar já não existiam mais. OU SEJA, a existência do Savitar virou um paradoxo, ou uma aberração temporal. Portanto, mais cedo ou mais ele iri deixar de existir.

Naturalmente, ele tinha um plano pra que isso não acontecesse, e esse plano envolvia o Cisco e a Nevasca. Ele iria reformar a Bazuca da Aceleração e transformar em algo que faria com que o Savitar existisse em todos os momentos da história, do primeiro até o último segundo do universo. Egocêntrico demais, sempre querendo ser um deus. O estranho, e de certa maneira isso é abordado no episódio, além de ter um sofrimento e dor que o Barry não sentiu, o Savitar ainda tem das coisas boas do herói. Memórias, na real. Eles até fazem um momento dramático entre os dois relembrando um passeio de família, mas ainda assim tudo soa meio forçado demais.

No fim das contas, outro erro da série foi a maneira como a Nevasca/Caitilin foi usada nessa temporada, principalmente nesse arco final. Ela virou totalmente malvada, não tendo mais sentimento nenhum por ninguém do Team Flash. Daí, algum tempo depois, a Caitilin assume o controle e deixa de ser malvada. A construção da vilã foi mal feita, apressada demais, e não funcionou do jeito que deveria.

O parte mais chata de The Flash não é nem as idas e vindas do Barry e da Iris, que aparentemente nunca vão ficar juntos. O maior problema da série é que o Barry ainda não é um herói, principalmente porque a história da trama gira ao redor de erros que ele segue repetindo, dia após dia. A Força da Aceleração segue dando chance após chance pra ele, mas ainda assim ele não aproveita.

Depois de resolver o problema do Savitar e ao mesmo tempo tirar o Jay Garrick da Força da Aceleração, tudo parece resolvido. Mas a Força da Aceleração é faminta e no fim das contas alguém precisa ficar lá dentro correndo pra contrabalancear as coisas. Aí, finalmente, depois de muito muito tempo, o Barry finalmente toma uma decisão correta e assume que tudo isso foi causado pelo egoísmo dele. Ele se despede de todo mundo, passando o manto de Flash pro Wally, e como o pessoal que escreve essa série não sabe o que a expressão “que tal fazer um final criativo?” quer dizer, e faz o sacrifício de ficar preso na Força da Aceleração, repetindo o cliffhanger das duas primeiras temporadas.

O que esperar dessa próxima temporada?

Eu queria muito que os roteiristas fossem corajosos. A gente sabe que o Barry vai voltar, óbvio, mas pelo menos tenham coragem de deixar ele lá dentro por um tempo, pra que ele amadureça como pessoa e principalmente, como herói. Deixa o Cisco crescer como o herói que ele tem potencial pra ser, assim como o Wally, que tem tudo pra sair da sombra do Barry e virar um ótimo Corredor Escarlate. Além disso, seria legal ter um pouco de inovação. Chega de vilões velocistas, chega dos maiores problemas da série serem causados pelo próprio Barry. O Flash tem toda uma Galeria de Vilões pra combater, sabe.

P.S.: depois de escrever esse texto, pensando em Flashpoint, percebi que essa temporada tem muitas coisas parecidas com a história dos quadrinhos. A história do vilão sendo criado pela viagem no tempo do Flash, esse vilão sendo morto no fim por outra pessoa enquanto se aproximava do Flash. Além disso, o Flash guardou as memórias da realidade alternativa. Nos quadrinhos, o vilão criado foi o Zoom, que pelas ações do Barry era um paradoxo vivo, enquanto na série foi o Savitar, mas ambos foram criados da mesma maneira, pelo egoísmo do herói. A questão é que, apesar de ter essas semelhanças e fazer várias referências ao gibi, a temporada ainda não é boa. Eu trocava todas as referências por uma temporada que tivesse qualidade e não ficasse oscilando e enrolando os fãs. Agora é torcer por algo melhor daqui uns meses.

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Rafael Augusto

Um hiperativo que não sabe viver sem ler, escrever, ouvir música, ver séries e filmes, geralmente tudo ao mesmo tempo. Fã de ficção científica, suspense, Stephen King e histórias em quadrinhos.


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