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The Handmaid’s Tale – S01E06 – A Woman’s Place

“Are you happy?”

Não tem muito tempo, recebi em um grupo qualquer do whatsapp uma espécie de receita do que a mulher deveria fazer para ter um casamento feliz e duradouro. De modo resumido, o “manual” ensinava que a mulher deveria estar sempre disponível para as vontades do marido e que sua função era basicamente cuidar do lar e dos filhos. O texto continha inúmeras barbaridades e me parecia algo irônico para falar a verdade, mas percebi que naquele grupo muita gente realmente deu crédito para o que esse texto dizia, concordava e aplaudia. O que me chocou ainda mais foi o fato do texto ter sido compartilhado por uma mulher. Parecia surreal!

Em Handmaid’s Tale nos deparamos com Serena Joy assumindo o papel da mulher que segue fielmente os passos do conservadorismo. Em inúmeros momentos a série nos faz enxergar o quanto ela se anula para um tal “bem maior” ao qual ela defendeu, ajudou a construir e hoje se volta contra si. É importante observar, que mesmo Serena sendo uma ferrenha apoiadora do sistema, ela entra como vítima e o seu sofrimento é claro em diversos momentos como em seu diálogo com a embaixadora Sra. Castillo. Seu livro “O lugar de uma mulher” parecia uma revolução rumo a uma sociedade conservadora que Serena acreditava, porém quando ela escreveu e lutou pelo que acreditava, ela não imaginava que as mulheres viveriam em uma sociedade onde seriam privadas de direitos básicos, como o acesso a leitura (que claramente era uma de suas paixões).

A comparação do que essa história distópica tem em comum com a realidade vem sempre à tona. Em quantos momentos não nos deparamos com situações similares ao que descrevi no começo de meu texto? É possível que a mulheres que compartilham deste tipo de “ideologia” estejam realmente felizes nessa posição ‘sagrada’? Ou não passam de Offred’s tendo que manter as aparências, pois não tem voz e força suficiente para viver como realmente querem?

Nesta distopia, ainda encontramos a figura da Sra. Castillo. A princípio, ela poderia parecer uma voz ativa entre as mulheres. Uma mulher com poder entrando em Gilead para analisar como aquela sociedade se comportava? Sendo tratada com toda a cautela possível e tendo seu “poder “reconhecido? Confesso que para aquela realidade achei muito estranho tudo aquilo. Esse meu estranhamento foi sumindo aos poucos, pois ao tempo que a personagem parecia incomodada com alguns aspectos dessa nova sociedade conservadora  e “abençoada”: como por exemplo o fato das mulheres não lerem, seu questionamento quando à dedicação das aias com um propósito maior ou até mesmo sua pergunta sobre a preocupação com a felicidade de Offred; as reais intenções iriam ser reveladas aos poucos.

Conseguimos por fim entender que nada do que se passava ali era importante de fato, pois as relações políticas falavam mais alto. O diálogo devastador e finalmente sincero (longe dos olhos “dele”) entre Offred e Sra. Castillo nos expõe um lado ainda mais cruel de tudo que acontece com este mundo. Para eles nenhuma das mulheres tem realmente importância, senão para servir aos propósitos divinos de conceber a vida. Suas dores, seus sacrifícios, seus sentimentos, suas vontades e seus desejos foram reduzidos a nada. Por mais que Sra. Castillo tente se comover com tudo que ouviu da boca de Offred, nada daquilo é o suficiente e ela está impossibilitada de oferecer qualquer tipo de ajuda. Sra. Castillo representava então uma briga interna da mulher conservadora, ao passo que se procurava se preocupar com os sentimentos das mulheres, era reprimida de poder agir pela sociedade que a cercava.

 

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Nyegirton

Sarcástico e bêbado sempre que possível. Ama um bom meme e uma problematização. Apaixonado por humor, suspense, terror e trêta. Professor nas horas vagas.

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