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The Handmaid’s Tale – S01E08 – Jezebels

I will not be that girl in the box…

June segue tentando buscar pequenas vitórias em uma situação que lhe foi imposta. Sua busca para reencontrar sua filha, reencontrar Luke é digna, é bonita em certo ponto afinal que forças teria um ser humano em uma situação dessa? É dificil imaginar para nós que vivemos no ocidente uma sociedade assim em certos pontos, mas não é muito diferente do que temos aqui e menos diferente ainda das sociedades que existem no Oriente, em especial o Oriente Médio onde a mulher é tratada apenas como um objeto, algo para satisfazer as vontades do homem e basicamente vemos isso aqui em Handmaid’s Tale.

As cenas iniciais exploram um outro lado de June, ela acaba aproveitando-se do tempo junto a Nick, apesar de tudo fazer parte de uma pequena vitória para ela. Ela acaba encontrando prazer em apenas ficar olhando para Nick e começa a refletir sobre como ela vem pouco a pouco esquecendo seus momentos calorosos com Luke.

Falando em Nick, conhecemos um pouco mais sobre o Nick antes do grande golpe. Nick vivia mudando de emprego, tentando se encaixar em um país com a economia devastada, Nick vivia em desespero de certa forma, precisava sustentar seu pai, seu irmão sem juízo e a si mesmo. Nick não tinha uma formação e tinha zero perspectivas de mudanças, quando surge a ele a oportunidade dos Filhos de Jacó, ele acaba abraçando e fica surpreso de certa forma tudo que ocorreu com si mesmo.

Mas com todas essas mudanças, Nick acabou se tornando o motorista da casa dos Waterford, e lá ele faz o papel do olho e de certa forma é uma ameça constante a todos ali presentes, tanto para June, como para o Sr. Waterford ou sua esposa, todos estão sob o seu olhar e seu julgamento, um passo em falso pode significar um futuro incerto.

Nick pode não concordar com toda aquela merda que está em sua realidade, mas é passivo a tudo e segue o fluxo, como todos nós seguimos em nossas respectivas sociedades, infelizmente seguir o fluxo é algo normal, comum e quase sempre são as classes dominantes que ditam o ritmo e o sentido desse fluxo.

As cenas de flashback, onde vemos 3 héteros brancos planejando como será o futuro da sociedade apenas me enojou, buscando precedentes bíblicos para justificar o injustificável, enfim foi nojento e asqueroso, mas não é muito diferente do que ocorre no mundo, do que ocorre nas reuniões de políticos influentes com os donos das grandes companhias e todo o resto da sujeira que já podemos imaginar.

Saindo do passado e voltando ao presente, vemos que a aproximação de Waterford e June ocorre cada vez mais, suas visitas ao escritório dele começam a se tornar visitas dele ao quarto dela. Waterford começa a presentear June, e traz a ela uma proposta de transgressão, sair em uma noite um pouco diferente do habitual.

Quando ele raspa as pernas dela, June acaba sentindo que ele já fez isso antes, ela sabe que a aia anterior que acabou dando um fim a sua vida teve algo a mais com ele. Mais tarde descobrimos o destino da outra aia, ela acabou cometendo suicídio e segundo Serena Waterford, a culpa foi toda de Fred.

June/Offred segue toda produzida, vestida para uma bela noite e se dirige a Casa de Jezebel. Mais uma referencia a bíblia, Jezebel é retratada como uma mulher corrupta, poderosa, pagã e de certa forma suas características fortes se destoavam em relação ao seu esposo. Em uma sociedade que o prazer ficou teoricamente proibido, a casa de Jezebel faz o papel dos prostíbulos, o lugar onde os senhores encontram prazer e satisfazem seus desejos.

Apesar de ter sido arrastada para uma verdadeira armadilha e apenas para ser exibida como um troféu e no meio de tanta merda que June acaba encontrando um fio de esperança, ela acaba se reencontrando com Moira. Ao contrário do que Jeanine havia dito, Moira está VIVAAAAA, VIVISSIMA, ela conseguiu sobreviver e acabou indo a casa de Jezebel ao invés de ir parar nas Colônias.

Para Moira aquele abraço significou talvez uma renovação de esperanças, ela agora sabe que Luke está vivo e talvez com isso ela consiga mudar seu pensamento de apenas ser passivo a toda essa merda e aceitar viver assim para sempre. Para June, significou muito mais, ela agora sabe onde encontrar Moira e sabe da existência de um grupo que ajuda a retirar aias e para todos nós que assistimos The Handmaid’s Tale com perplexidade, acaba sendo um alívio uma pequena cena de conforto para duas mulheres que vem sofrendo tanto.

O final veio com uma cereja para um bolo, um bolo estragado e difícil de engolir que fique claro. Offred recebe um presente de Serena, uma pequena e delicada boneca em uma caixa de música. E a reflexão que ela faz e a cena final onde ela afirma que não será uma garota dentro da caixa que dança no ritmo que lhe for imposto, isso é uma lufada de ar de esperança. Amém June!

Nós resta esperar agora o que acontecerá nos dois últimos episódios dessa série que chegou dando o que falar.

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Lindomar Albuquerque

A indie/gótica do @PanelaDeSéries! Paulista, canceriano, 27 anos de dores na coluna, faço Doutorado em Biotecnologia e vivendo pelo mundo. Me chama para beber @ e vamos falar de série, falar de Imagine Dragons e Lana Del Rey, falar de signos, falar de ciência e xingar os fascistas.

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