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The Handmaid’s Tale – S02E02 – Unwomen

Será que é um papel que diz o que é ou não uma família?

Após se rebelar e matar um Olho, Emily foi enviada para as Colônias, onde as mulheres são obrigadas a limpar lixo tóxico. É uma punição pior que a morte, provavelmente, pois elas ficam lá morrendo um pouco a cada dia, porque tudo está contaminado: a água, a comida, o ar. Então é como se elas cumprissem aquela sentença de morte dia após dia, sabendo que um dia não estarão mais lá.
Ela cuida de forma muito atenciosa de todas as suas companheiras, tratando de seus ferimentos e das doenças que surgem pelo trabalho. Todas parecem gostar muito dela e é até bacana ver como elas se apoiam nessa situação, porque todas ali estão juntas, não tem pra onde correr, não tem pra onde fugir. Então o mínimo que podem fazer é tentar fazer daquele tempo o menos sofrível possível.

Então somos enviadas ao passado de Emily, para quando ela era professora numa universidade. Os efeitos do novo governo já estavam chegando e ela iria perder suas aulas, sendo limitada apenas a trabalhar no laboratório apenas por expor sua vida pessoal, ou seja, deixar claro que era casada e tinha um filho com outra mulher. Ela diz que não vai aceitar isso, que o período onde eles deveriam ficar dentro do armário tinha passado e que ela continuaria lecionando. Seu chefe, também gay, talvez não estivesse fazendo por mal, talvez quisesse protegê-la, mas aceita seu pedido de continuar na sala de aula. Só que as consequências de ser homossexual chegou à universidade, sim, mas não atingiu Emily primeiro, atingiu Dan. Ele é enforcado na frente de todos. Talvez como um aviso, mostrando que a nova inquisição estava chegando. Estava, não, já tinha chegado.

Emily e Sylvia, sua esposa, tentam seguir para o Canadá, fugindo da loucura que os Estados Unidos se tornaram, mas o aeroporto está lotado. Sylvia é canadense e Oliver tem a cidadania por ser filho, mas Emily tem apenas o visto, o que não vale mais. Ela tenta seguir viagem mostrando o documento que comprova que elas são casadas, mas escuta que aquele documento não vale mais. Que elas não são casadas. Se você divide a sua casa, sua vida, tem um filho com alguém, se você diz que é, se sente comprometido com esse alguém, você é casado com essa pessoa. Independente de documento, independente de sexo ou orientação sexual. E não deveria ter nada ou alguém que pudesse tirar isso de você de forma tão rápida e cruel. Mas Emily viu sendo tirado dela, em pouco minutos, tudo o que ela tinha de mais importante: a sua família. Enquanto Slyvia e Oliver seguiram, ela ficou para trás, para tentar a liberação para viajar, e com a promessa de encontrá-los depois, mas nós sabemos que isso não aconteceu. E provavelmente nunca acontecerá.

June continua em fuga, ela é levada por diversos membros do Mayday, para vários lugares diferentes, sempre sendo visitada por Nick. Ela está indo para cada vez mais longe da cidade, para mais longe de Fred e Serena. E o último lugar para onde ela é levada, é a antiga sede de um jornal, que deixou de existir. Ela fica lá sozinha, aguardando novas instruções, mas ela não quer esperar, ela quer pegar Hannah e fugir logo. Quer seguir para o Canadá, quer estar em segurança, com a sua filha. Só que Nick diz que ela não vai conseguir fazer isso agora, que ele não sabe onde Hannah está, que June precisa esperar. Que tudo o que ele está fazendo é para protegê-la, ela e o bebê deles (meu coração não aguenta esse casal). Mas June quer ir naquele momento e Nick não vai impedi-la, ele a deixa ir. Ou pelo menos tentar, porque ela coloca a mão na consciência e percebe que só vai colocar tudo a perder se tentar fazer alguma coisa agora. Então só resta mesmo esperar.

E sobre o lugar em que estava, June percebe que as pessoas deixaram muitos pertences pelas mesas, como se tivessem saído apressadas. Alguma mulher deixou, até mesmo, um dos sapatos pelo caminho. Saindo do escritório e seguindo até a área onde fica o maquinário, ela se depara com um espaço cruel e que é um retrato fiel do que é aquela sociedade em que eles vivem. Aquele espaço tinha servido como um matadouro, na parede tinha marcas de tiro e manchas de sangue, haviam cordas para enforcamento penduradas no teto. As pessoas não deixaram seus pertences para trás enquanto fugiam, elas deixaram tudo para trás quando seguiam para morte. Provavelmente nenhum deles teve um enterro decente ou sua família pode se despedir de forma digna. Então June recolhe objetos de das mesas e monta uma espécie de memorial para essas pessoas. Uma forma simples de homenageá-las, porque elas não estão sozinhas. Nunca estiveram e nem nunca estarão.

ps. O título do episódio traz uma comparação dúbia muito interessante, que não sei se foi a intenção, mas deve ter sido, sim. “Unwomen” significa, de forma simples, “não mulher”, fato que pode ser atribuído a grande protagonista desse episódio: a Emily. Ela é lésbica, uma traidora do gênero, que foi mantida viva apenas por ser fértil. Seguindo essas ideias absurdas e tortas, ela seria mulher apenas por ser capaz de gerar uma vida. Nesse universo de The Handmaid’s Tale, a mulher foi rebaixada à apenas essa capacidade, sendo as outras não “categorizadas” como mulher se não podem exercer essa função. Uma lésbica infértil poderia muito bem ser considerada uma “não mulher”, pois além de uma traidora de gênero, não era capaz de cumprir sua única função no mundo: gerar filhos.
E dando uma googleada no termo, me deparei com a ONU Mulheres ao pesquisar. A UN Women atua com base na premissa de que toda mulher tem o direito de viver uma vida livre de violência, pobreza e discriminação, e que a igualdade de gênero é fundamental para alcançar o desenvolvimento. E é dessa forma que, dia após dia, vamos diminuir a violência contra a mulher: com suporte e políticas públicas de apoio à mulheres em condições de perigo.

UN Women – United Nations Entity for Gender Equality and the Empowerment of Women

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Thais Pereira

Feminista, leonina com ascendente em gêmeos e lua em virgem, viciada em memes, em Friends e problematizar na internet. Formada em História da Arte, mas consciente que nunca vai trabalhar com isso na vida. Normalmente eu escrevo e falo mais do que deveria. Eu mesma, Thais Mello.

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