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The Handmaid’s Tale – S02E06 – First Blood

E a Gilead levou o primeiro baque

Eu tava com umas opiniões estranhas sobre essa segunda temporada. Não abordando a questão da necessidade da existência dela ou não, tinha toda a coisa da forma como a violência vinha sendo abordada. Muita gente que eu conheço reclamou dessa segunda temporada, dizendo que os abusos, agressões e a violência no geral contra a mulher tava sendo muito mais além do que havia sido na primeira temporada, como se quisesse reforçar uma ideia. De certa forma, era exatamente isso que tava acontecendo, porque a gente já sabia que todas aquelas mulheres sofrem absurdos, mas ainda assim a série continuava jogando na nossa cara cada vez mais sofrimento, em novas formas a cada episódio. Mas daí esse episódio, que vinha seguindo essa mesma linha, chegou ao fim mostrando que, talvez, muito talvez, toda essa violência gratuita tinha um motivo.

Depois da hemorragia e da quase morte no último episódio, a June acorda numa maca de hospital e já vê a Serena, muito ansiosa e nervosa com a situação da vida do filho dela. Após alguns exames, o médico diz que tá tudo bem, que tanto a Aia quanto a criança estão saudáveis, mas que ela vai precisar de bastante repouso e de muita harmonia quando voltar pra casa. Aí, na imagem do ultrassom, em um ato de boa vontade da Serena, as duas conseguem ver o feto se mexendo no útero da June.

E o Nick casou, né. Agora ele tá morando com uma adolescente de 15 anos, criada seguindo todos os ideais da Bíblia e da Gilead, mas ele não sente nada por ela. Só que nada é por acaso e eles têm uma função: procriar. E com o Nick não sendo exatamente muito fã dessa ideia, a Eden tá sentindo uma vibe estranha vindo dele, tanto que vai falar com a June sobre isso, buscando alguma resposta.E por melhores que sejam as respostas, ela ainda não tá muito confiante. E tudo melhora, já que antes disso o Nick diz que ama a June, mas até eles sabem que não tem muito o que fazer em relação a isso. Essa discussão rola no novo quarto dela, que vai ser no andar térreo, já que subir escadas não faz bem pro bebê. E por chegar na hora que o Nick e a June tavam bem próximos, a Rita já sacou o que tá rolando entre os dois. Mas, além disso, quando a Rita responde pro Nick, é possível ver que tá começando a surgir uma espécie de união (não tão) velada entre as mulheres vítimas do regime. Afinal de contas, a própria June disse na primeira temporada, que essa ideia de dar uniformes pra elas acabaria criando um exército.

Só que a tensão entre a Serena e a June não para de aumentar, porque ninguém quer ceder, ninguém quer abrir mão do pouco que tem; uma tem a vida da filha da outra na mão, no fim das contas. A todo momento, a Sra. Waterford precisa garantir que tem algum poder, e mesmo quando ela tenta ser bondosa de alguma forma com a June, a coisa não rola muito bem.

Caso alguém tenha se perguntado o que a Serena fazia durante o período de transição entre Estados Unidos pleno e desenvolvido e Gilead plena e desenvolvida pero no mucho, ela fazia uns discursos motivacionais pra mostrar pro mundo que o futuro era fazer com que as mulheres assumissem os seus papeis biológicos e fossem as mães que o país e a humanidade tava precisando. Ela até foi numa universidade falar sobre isso, mas obviamente os estudantes nem sequer deixaram ela falar. E não é só isso, já que chamam de várias coisas, tipo nazista, fascista e outras coisas não tão comportadas (sempre lembrando que combater atitudes machistas com xingamentos machistas é só mais machismo, amiguinhos). E quando começam a arremessar coisas nela, ela é retirada do palco e o Fred brada muito brabo “THIS IS AMERICA!”, reclamando que as pessoas deveriam poder falar o que pensam. O Childish Gambino te mandou um abraço.

Aí, de volta pro presente, a June e o Fred se encontram na cozinha e a conversa rapidamente vira um espécie de flerte, já que ela sabe que esse é o poder que ela tem. Por mais que tenha algum interesse genuíno da parte dele e ela finja ter algum por ele, esse encontro só serve pra reforçar o controle que ela ainda tem sobre ele. Depois de conversar com a Eden sobre o Nick e a possibilidade dele ser um Traidor do Gênero – e dar umas risadinhas negando veementemente essa possibilidade, a June é chamada pela Serena só pra ver que ela tinha convidado as outras Aias, “amigas” dela, pra uma refeição. A Serena tá tentando controlar o rumo da conversa, escolhendo sobre o que elas vão falar, mas aí a June começa a falar sobre algo do passado, sobre um brunch em Boylston, querendo saber se as outras Aias lembravam. Ninguém lembrava o nome do lugar, só do que acontecia lá, aí a Serena diz o nome, tentando fazer parte do assunto. Mas aquele momento é da June, então ela começa a falar do bebê e as Aias se levantam pra tocar a barriga e sentir ele se movimentando.

E no passado, as coisas continuam a dar errado. Por mais quase ninguém escute o discurso da Serena, o Fred fica feliz porque eles não foram embora correndo e ela ainda conseguiu passar a mensagem que queria passar desde o primeiro momento. Aí, quando a assistente dela tá contando que o que ela disse tá bombando no Twitter, ela leva um tiro. E, logo em seguida, a Serena também leva um tiro, mas não é mortal como é pra assistente dela (se por um acaso alguém gostar de falar sobre simbologias, a forma como focam o sangue após o tiro pode vir a lembrar o sangramento de um aborto ou algo do tipo, mas né, tem uma chance muito alta de eu tá só viajando).

Quando a Serena mostra pra June como ficou o quarto do bebê, com berço e tudo o mais, a Aia começa a falar de como era a decoração do quarto da Hannah, contando sobre as estrelas no teto e como o Luke sabia bastante dessas coisas de constelações e afins. Aí a June pede pra ver a filha, dizendo que ia ajudar bastante. A Serene nega e, com as duas quase chorando,manda a June ir buscar as coisas dela lá embaixo que ela já tem condição de voltar pro quarto dela, E depois de ouvir os comentários da June sobre como a Eden tá preocupada com ele não querer manter relações com ela, o Nick decide que precisa resolver a situação. Então, após rezarem juntos, eles têm a primeira noite – inclusive, a coisa funciona de um jeito bem estranho: a Eden se deita e tem um lençol sobre ela, com apenas um único furo, provavelmente pro pessoal não ceder ao pecado da luxúria.

Aí, numa mescla entre passado e futuro, a série nos mostra que na verdade a pessoa forte do casal Waterford é a Serena, e que o sistema faz com que o Fred seja a pessoa mais importante. No presente, ela tá contando a história da June ter pedido pra ver a filha que já foi dela e no passado, enquanto se recupera do tiro, ela diz que ele precisa ser forte, que precisa ser homem. No presente, ele até comenta que reza pra ser digno dela, inclusive. Mas aí, já que ela sabe que a polícia não vai ser capaz de achar o terrorista que atirou, não adianta ter fé em Deus, com uma polícia tão ineficiente. Aí, na cena seguinte, tem um cara amordaçado e amarrado, já com sinais de ter sido espancado, que o Fred diz ser responsável por ter tentado matar a esposa dele. A imagem começa fechada, mostrando só o cara, o Fred e alguns seguranças armados, mas enquanto o Fred vai falando, a câmera vai abrindo e mostrando que não é só ele que tá ali. E ele pergunta pro cara se ele faz ideia da sensação de ver a esposa sofrendo, pedindo pra Deus pra que ela sobreviva. E diz: agora tu vai saber. E dá um tiro na esposa dele, que tava ali do lado.

Porém, querendo apaziguar as coisas e mostrar que tá na hora dele agir dentro daquela casa, o Fred vai no quarto da June e entrega uma foto da Hananh atualmente. Mas nada nessa Gilead é de graça, então ele começa a passar a mão nela, primeiro na barriga, interessado no bebê, mas aí a mão sobe… Eles se beijam e tão indo pra cama, mas a June diz que não vai rolar, já que ela tá preocupada com o bebê né. Ele vai embora, mas a foto fica. Mas as coisas não vão ser tão legais. A Serena tá costurando enquanto a June tá comendo, e quando a Aia diz que não quer comer mais, a Waterford diz pra Rita embrulhar a comida, pra depois. Aí, entra a menina Eden, daquele jeito todo infantil dela, e a Serena resolve se mostrar. Pega a agulha de tricô e joga no chão, mas que não era pra Eden pegar, mas sim pra June. Ela se levanta, junta e entrega pra Serena, que passa pra Eden e diz que como ela vai ter uma família e uma casa no futuro, ela precisa saber como tratar a criadagem. E a Eden faz a mesma coisa. Mas aí ela usa o Super-Trunfo da gravidez e pode ir pro quarto ficar vendo a foto da Hannah.

Falando no Fred, é o lançamento do Centro que ele tá supervisionando. E todo mundo tá lá, os Comandantes, as Aias e todo mundo que é importante naquela região. Inclusive até o Nick tá por lá, mas só pra pedir um novo posto, dizendo pro Comandante Pryce que quer ser transferido de posto, que não aguenta mais ficar naquela casa e que o Waterford é o problema, e que têm coisas que ele não contou, mas que o importante é proteger a Aia. O Pryce promete, mas já fica aquele ar de ‘ih, deu merda, de novo’. Aí, tá todo mundo sentadinho enquanto o Waterford faz o discurso de inauguração, com as Aias esperando do lado de fora pelo chamado. Aí, a última da fila começa a se mexer e ir em direção ao prédio, muito antes do que era combinado, com o próprio Fred percebendo isso. Daí, já lá dentro, ela se vira pras outras e mostra que tá com uma bomba e elas saem correndo, desesperadas. Mas o pessoal lá dentro não têm essa opção; no meio do salão, lotado de pessoas, a Aia aperta o botão e explode.

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Rafael Augusto

Um hiperativo que não sabe viver sem ler, escrever, ouvir música, ver séries e filmes, geralmente tudo ao mesmo tempo. Fã de ficção científica, suspense, Stephen King e histórias em quadrinhos.

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