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The Handmaid’s Tale – S02E13 – The Word [SEASON FINALE]

Cuide bem dela…

Após uma temporada que trouxe bastante polêmica para a série com algumas insatisfações e aclamações, chegamos enfim ao último episódio desta season. Eu já adianto que achei essa temporada bem inferior a primeira, mas tivemos pontos importantes durante toda a jornada dessa trama e que irei destaca-los ao final dessa review, assim como os pontos negativos que vocês já devem esperar quais são. Com isso, vamos começar avaliando este grande episódio final que me fez derramar várias lágrimas, e ficar apreensivo com a situação que ocorreu nos minutos finais. 

Depois da triste execução de Éden, todos aqueles que presenciaram esse terrível fato ficaram marcados pela horripilante cena que se decorreu. Rita se mostrou muito arrependida de não ter a tratado melhor, e June fica apreensiva pelo futuro de sua filha. Remexendo nas coisas de Éden, June acaba encontrando uma bíblia da qual tinha inúmeras anotações de Éden (coisa que é proibido de se fazer) e com isso ela percebe que a jovem tinha uma outra percepção de Deus, e que ela não era de acordo com os ideais de Gilead. Sendo assim, Offred acaba indo até Serena, e tenta alerta-la da possível e temível situação sobre o futuro de Holly/Nichole. A essa altura, Serena já se encontra bem mais “aberta” ao que June diz, e apesar de em primeira instância ela rejeitar aquilo que a Aia disse, ela acaba por remoer isso, o que acabou gerando toda a situação futura do episódio. 

Ao ficar sabendo das anotações de Éden, Serena se reúne com as outras esposas para debaterem sobre o futuro de seus filhos. Após os mais diversos tipos de acontecimento/sofrimento que todas elas já presenciaram, mesmo seguindo as leis de Gilead, o instinto materno por vivência/vínculo que elas possuem com seus/suas filhas(os) despertam um medo com relação ao futuro dos mesmos. O que seus filhos se tornarão? Eles terão os mesmos diretos delas? E se eles fizerem algo de errado, serão punidos assim como Eden foi? Creio que isso e outras coisas foi o que elas estavam pensando, e por fim, elas decidem agir com relação a isso. Indo até o conselho dos comandantes, Serena juntamente com todas as outras esposas demandam que seus filhos cresçam sabendo ler. Claro que essa demanda não seria bem aceita, e os comandantes acabam ignorando o pedido, entretanto, Serena se arrisca e começa a ler a bíblia na frente de todos, e é nesse momento que ela acaba por entender sua verdadeira posição de inferioridade dentro da série. Após isso, Fred condena sua esposa a penalidade de quem acaba por ler dentro de Gilead, que é perder um dedo… Sim, ele condena a própria esposa a arrancando um dedo. Felizmente somos poupados desse momento, mas é nauseante ver o próprio marido condenar a esposa assim. 

Outro ponto a se destacar durante o episódio foi o quase assassinato de Lydia por Emily, que encontrou uma brecha na casa de seu comandante para guardar uma faca e com isso, no momento em que Lydia estava lá, ela acabou a esfaqueando nas costas, e a jogando de cima da escada da casa. Lydia não morreu, mas seu estado foi bem grave, e ela só não foi morta porque a Martha da casa interviu na situação. Com isso, Emily acaba por esperar sua punição, que possivelmente será a morte, mas uma surpresa acaba acontecendo. 

Voltando para a casa de June, um incêndio se inicia em uma casa em frente a de Fred, o que causa um grande tumulto no local. Rita chega em June, dizendo que isso foi causado pelas Marthas para fazer com que June escape junto com sua filha. É nesse momento que uma enorme tensão toma conta quando acompanhamos mais uma vez June em sua tentativa de escapar de Gilead. No momento que June saía da casa, Serena a aborda, e uma cena muito intensa se desenrola, com June tentando convencer de que isso é o melhor para sua filha. Como eu havia dito, após todo o baque que Serena sofreu com relação a Éden e a sua própria punição, ela percebeu que esse lugar não é um lugar seguro para sua filha, e com isso, ela acaba por deixar June levar a criança em uma triste e esperançosa despedida. Iniciamos assim uma grande cena, com June percorrendo vários lugares e sendo guiada por diversas Marthas, em uma crescente e iminente rebelião que futuramente teremos na série. Ao chegar no local do encontro do resgate, para a nossa surpresa, Emily também chega lá, e assim descobrimos pelas próprias palavras do comandante Lawrence que ele também está nessa causa e ajudará elas a fugirem dali. Tudo parecia que iria dar certo dessa vez, mas June percebe que não pode escapar e deixar sua filha Hanna para trás, e com isso, ela entrega Nichole nos braços de Emily, e fica, para o então resgate de sua outra filha. 

Bom gente, agora vem a parte mais difícil, que é dizer o que eu achei da temporada. Sinceramente? Eu achei que poderia ser melhor, mas ainda assim a série mantém um bom nível. Creio que durante toda temporada, as inúmeras referências a acontecimentos reais como a guerra do Irã, a separação dos filhos de suas mães nas fronteiras americanas e principalmente os assuntos que envolvem a luta contra o patriarcado mostram que sim, The Handmand’s Tale ainda é uma série importante. Tivemos pontos positivos nessa temporada, que se resumem em pequenos picos de esperança na trama, como as possíveis rebeliões que acontecerão cada vez com mais intensidade, os ideais de Serena que estão mudando aos poucos, e principalmente a relação de June com a esposa, que eu tenho como crença, que elas acabarão se unindo contra esse sistema. Mas, infelizmente tenho que dizer que os pontos negativos (da trama) por diversas vezes se sobressaíram sobre os pontos positivos. É muito cansativo ver todo esse sofrimento sem ter um ponto em que realmente poderemos dizer “eu tenho certeza que após isso as coisas irão começar mudar”, pois toda vez que pensamos que isso acontecerá, como na primeira tentativa de fuga de June, ou após a explosão na cúpula, tudo volta a ser exatamente como era. É óbvio que as coisas não mudam da noite para o dia, mas para se começar algo, é preciso agir, e pouco vimos isso durante a temporada, principalmente tendo em vista que ao final da primeira, essa segunda temporada seria totalmente focada na rebelião. Penso eu que algo já era para estar sendo feito com todas as informações que os países de fora possuem sobre Gilead, principalmente o Canadá, mas nada acontece, e não creio que se June tivesse escapado dessa última vez algo também aconteceria no país vizinho. Então marcando outro ponto que muito se critica nessa temporada, as tentativas frustradas de June escapar aumentam a exaustão e vem deixando a maioria dos seus fãs frustrados. Creio eu que a decisão de ficar em Gilead por Hanna foi algo bem nobre, mas penso que ficar só trará mais sofrimento e exaustão para todos nós e para a própria personagem. Esperamos que ela inicie o quanto antes algum movimento em Gilead, mas se ela tivesse saído, ela também poderia fazer o mesmo. Então as chances de ela somente sofrer mais e as coisas simplesmente voltarem a ser como era (assim como foi na maior parte dessa temporada) são enormes. Sendo assim, eu espero que nessa terceira temporada eles finalmente iniciem (com força total) algum tipo de movimentação, tanto dentro de Gilead, quanto fora, para que a série não promova mais sofrimento e sim mais resistência, o que vem sendo prometido desde sua premissa.  Por fim, pontuo ainda alguns temas que a série vem explorando de forma não satisfatória, como a questão racial e a interseção das lutas feministas, que foi duramente criticada na primeira temporada, e as relações internacionais/econômicas da série (ponto esse que particularmente me incomoda, já que não vejo tantas críticas a esse tema). Mas claro que não vamos desmerecer todo o trabalho artístico da série, que apresenta uma das melhores fotografias atuais, com planos abertos de tirar o fôlego e cenas de baixa profundidade de campo que só aumentam o brilho das atuações dignas de prêmios. Esperamos que a série volte a brilhar com intensidade, assim como na tão aclamada primeira temporada, e que ela finalmente nos entregue momentos de esperança que nos tire desse sufoco, e nos faça crer que pelo menos na ficção as lutas sociais podem vencer. Blessed be the fruit, e até a próxima temporada. 

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Ricardo Souza

Tem gente que diz que sou um amorzinho, eu digo que sou um trouxa. Viciado em maratonar séries e ficar na bad depois de assistir tudo em um dia. Amo muito música indie, quando quiser me chamar pra ouvir Florence já sabe onde procurar. Mineiro do interior que não puxa o 'r' quando fala, mas adora um pão de queijo.

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