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The Handmaid’s Tale – S03E05/06 – Unknown Caller/Household

Traição ou armação para o futuro?

Quando eu comecei a temporada escrevi aqui mesmo que pelo rumo dos três primeiros episódios liberados juntos, nós iríamos finalmente acompanhar a revolução acontecendo e o desdobrar disso o mais rápido possível, pois a narrativa deixou isso um tanto quanto implícito. Mas agora chegando no quinto e sexto episódio da série, percebo que me equivoquei ao pensar assim, já que chegando na metade da temporada, a série volta ao ciclo de tomar nossas esperanças de que teremos essa revolução acontecendo pelo menos nessa temporada.

O que aconteceu nesse quinto episódio creio que não estava nos planos de ninguém que acompanha a série. Pelo que estávamos sendo introduzidos, era quase impossível imaginar que isso aconteceria.

Após Luke aparecer nos protestos com Nichole, Fred e Serena acabaram descobrindo sua participação e com isso começaram a bolar um plano para tentar entrar em contato com ele com o propósito de Serena rever Nichole. Para tal coisa acontecer, eles precisam da ajuda de June para fazer com que Luke aceite tal proposta. Com isso, June é colocada em um telefone para falar com seu marido sobre essa negociação, o que já começa a levantar questionamentos sobre a atitude de Serena, já que ela havia concordado com June que Nichole, para o bem dela, deveria ser criada fora dali, sendo assim Serena deveria abrir mão dela. A ligação de June para Luke foi totalmente controlada, e ela não deveria falar nada que comprometesse a situação, apenas explicar que Serena queria encontrar sua filha e ele deveria permitir.

Obviamente June ficaria defensiva sobre tal atitude, mas ela foi obrigada a fazê-la. Então com o encontro já marcado, Serena e Luke se encontram no aeroporto do Canadá, e ambos são constantemente vigiados para que nada saia do controle. De início foi algo bem conflituoso, um questionando o outro sobre o fato de Nichole não ser verdadeiramente filha de nenhum deles. Ao final, Luke pareceu se compadecer da atitude de Serena, que fez todo esse “esforço” para poder rever Nichole, e acabou deixando com que ela segurasse sua filha. Além desse encontro, Serena também é rapidamente abordada pelo rapaz que tentou persuadi-la no Canadá a expor o que acontece em Gilead, mas mais uma vez, ela recusa sua oferta.

E é aí que a virada da narrativa acontece, fazendo o gancho com o sexto episódio e com a minha reclamação ao início dessa review. Por conta desse encontro, Fred decidiu montar um plano para tentar recuperar Nichole, e com a ajuda e consentimento de Serena, eles montam um espetáculo televisivo em que acusam Luke de ter raptado Nichole. June é pega de surpresa com tal manobra, e a mesma é colocada em frente às câmeras para dar veracidade ao apelo dos Waterford’s. Seu estado é de completo choque e raiva pelo fato de Serena ter aceitado tal coisa. Por conta disso, toda nossa esperança de uma revolução vai por água abaixo com o confronto entre June e Serena sendo novamente explorado. Agora, mais do que nunca, June irá lutar contra os Waterfor’s pela sua filha, e terá que deixar mais uma vez Hanna e a própria liberdade de lado.

Sendo assim, o sexto episódio, Household, traz os desdobramentos desse pedido revoltante dos Waterford para o governo Canadense e como isso está afetando June.

Os Waterford planejam um grande evento televisivo sendo transmitido da capital Washington. Por conta disso, eles acabam indo até lá a convite de uma poderosa família que reside lá. Ficando hospedados em sua casa, começamos a entender um pouco das diferenças entre a capital e os arredores, e percebemos que lá as coisas são ainda mais brutas do que imaginamos. As aias são tratadas apenas como objetos, sendo assim, elas não precisam de suas vozes, apenas de seus corpos. Então, praticamente todas as aias de lá usam uma espécie de grampo em suas bocas que não permite que elas falem (o questionamento de como elas se alimentam não é levado em consideração).

June fica extremamente chocado ao ver tal coisa, mas isso foi apenas o princípio, que deixaria ela ainda mais destruída. Fred e Serena começam então ensaios para o grande evento que será realizado em frente ao que antigamente era o Capitólio. Nick acaba surgindo então de surpresa, fazendo com que June sinta uma ponta de esperança ao revê-lo. É desconfortável ver esses ensaios e saber que June está sendo obrigada a fazer aquilo tudo que vai ao descumprimento de algo tão forte que tinha sido estabelecido entre ela e Serena, então as cenas do ensaio acabam tomando um grande significado.

Por conta desse evento, o governo Canadense é obrigado a tomar uma iniciativa, e vai até Gilead para saber quais são as reais intenções. Com isso, June consegue uma reunião privada com os líderes de lá, e cria um acordo que determina que eles não irão ceder aos apelos dos Waterford’s. Novamente somos conduzidos a um clima de esperança, juntando Nick e o acordo canadense, mas as coisas começam a desandar quando June tenta convencer Nick a depor contra Gilead e ele recusa. Mesmo indo para a reunião, ele acaba por não contribuir em nada com o que June disse, e faz com que o governo volte atrás em seu acordo pré estabelecido. June acaba ficando em choque, e pelas bocas de Serena, descobre que Nick nunca esteve ao seu lado, e sim ao lado de June, já que ele foi um dos responsáveis pelas cruzadas que aconteceram antes da fundação de Gilead. Nick, ao contrário do que parece, é alguém respeitado e importante para Gilead, o que acaba por ser um dos plots que essa temporada propôs, a meu ver, para desviar a atenção da tão aguardada revolução.

Entendemos então a real dimensão da situação quando June descobre a traição de Nick. Apesar do choque, acho que ainda devemos esperar mais alguns desdobramentos para então concluirmos se Nick realmente está do lado de Gilead, mas fez aquilo por June por amá-la, ou se ele é realmente um traidor que esteve infiltrado o tempo todo na resistência.

Ao final, já no antigo Capitólio que foi totalmente modificado por Gilead em uma visão assustadora, June consegue finalmente confrontar Serena sobre tais atitudes. O embate das duas é bem emblemático, e concluí que a temporada muito provavelmente será focada nisso. “[…]Eu deveria ter te calado logo no início quando te conheci. […] E eu deveria ter deixado você queimar quando você colocou fogo na sua casa.”

A imagem que temos do discurso de Fred é assustadoramente orquestrada. Centenas de aias reunidas para a celebração dessa “missa” para o resgate de Nichole. E o que resta é saber até onde Gilead irá para conseguir resgatar Nichole, e como eles irão fazer isso.

Alguns pontos são interessantes de serem levantados aqui com esse sexto episódio. O primeiro deles é o compadecimento de Tia Lydia com as aias de Washington. June acaba tocando Lydia quando precisa usar a veste que tapa sua boca, não a permitindo falar. Essa situação aparentemente feriu muito Lydia, que mostrou total desconforto. Com isso teremos o gancho já teremos um episódio contando a história de Lydia. O segundo ponto foi a aproximação do comandante de Washington com Fred, que pareceu ter segundas intenções com ele. Sabemos que relacionamentos homoafetivos são estritamente proibidos, mas a aproximação de Fred e ele levantou esse questionamento pelas investidas que Fred acabou recebendo. Talvez o influente comandante irá oferecer algo (como forte ajuda no resgate de Nichole) em troca de ter uma relação com Fred, o que colocará muitas questões para jogo.

Minha crítica para esses episódios vai para a capacidade que os produtores possuem de desviar o assunto e colocar nós telespectadores em um looping eterno. Foi o que aconteceu na segunda temporada, com as tentativas de June para escapar de Gilead, e agora está sendo com a tentativa de se criar uma revolução, principalmente com a ajuda de Serena. Eu particularmente venho achando isso exaustivo, e creio que eles fazem isso muito claramente para render mais temporadas da série. Conheço muitos fãs do show que compartilham do mesmo sentimento que o meu. Mas como ainda estamos na metade da temporada, vamos esperar que pelo menos na reta final eles retomem de vez o tão aguardado tema da revolução, e avance na história quanto a isso.

Nos vemos na próxima galera e desculpe pelo atraso da review. Até mais! 😀

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Ricardo Souza

Tem gente que diz que sou um amorzinho, eu digo que sou um trouxa. Viciado em maratonar séries e ficar na bad depois de assistir tudo em um dia. Amo muito música indie, quando quiser me chamar pra ouvir Florence já sabe onde procurar. Mineiro do interior que não puxa o 'r' quando fala, mas adora um pão de queijo.

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