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The Order – Season 1 & 2 – A série mais guilty pleasure da história.

Eu preciso começar essa review dizendo, a ordem é uma série ruim, mas ela é tão ruim, mais tão ruim que se torna maravilhosa. Geralmente eu curto séries com uma pegada mais séria, com atores bons e próxima da realidade, ou seja, o completo oposto dessa aqui. Inicialmente, podemos descrever “a ordem” como uma típica série teen sobrenatural, temos um protagonista homem, branco e hétero que possui um senso de moral altruísta, tem o casal protagonista que pertencem a grupos diferentes e o vilão mais previsível possível, é o pai do protagonista e líder do culto que busca apenas poder, não importando o que custe.

Olhando através do parágrafo acima, não há motivo algum para assistir essa série, quando ela parece ser uma versão piorada das outras, mas o que faz a série se destacar é a sua rapidez, uma nova roupagem a contos conhecidos e o fato de tirar sarro de si mesma. Através do trailer da primeira temporada, a trama se apresenta como o Jack se tornando bruxo, com os lobisomens sendo os vilões, mas logo nos capítulos iniciais, o Jack se torna um lobisomem e descobre que na verdade eles caçam apenas os integrantes da rosa azul.

Os lobisomens matam sempre que podem, inclusive o próprio protagonista da série é o único do grupo a sentir remorso, seus outros companheiros não ligam nem um pouco e aqui se apresenta o estilo “no sense” que a série possui, as mortes e atitudes questionáveis são completamente ignoradas ou tiradas sarro quando beneficiam a si próprio. O quarteto que constitui os Cavaleiros de São Cristovão são a melhor parte da série, todas as interações são muito engraçadas e modo como eles reagem a tudo, quase como se fosse o público assistindo e debochando são o ponto alto para mostrar que não se deve levar a sério os furos do roteiro. Isso fica ainda mais claro na segunda temporada, quando há o resgate da Lilith no tártaro (o que supostamente era para ser o reencontro emocionante), somos presenteados com essa cena:

Como eu já havia dito, o modo como a série trabalha a mitologia dos lobos e bruxas também é bem vinda, geralmente essas duas criaturas vem junto com os vampiros, mas aqui elas são o destaque e inimigas, o modo como se torna um deles é inusitado no mundo da fantasia. Nos sempre vemos nas literatura ou dramaturgia que para se tornar um lobisomem, é preciso ser mordido por um, mas aqui é como se os lobisomens fossem uma espécie de protetor e só há apenas 6 disponíveis. Já a bruxaria é a mais “parecida” com a que é conhecida como bruxaria no mundo real, que essa questão de tudo que você faz vem ou precisa de um preço, você não nasce com magia e sai fazendo por aí, é no mínimo necessário cortar sua mão.

A primeira temporada termina previsível com a morte do Edward Coventry, mas deixa como gancho a perda de memória dos cavaleiros, o fato da série não enrolar em suas tramas e não se levar a sério, trazendo piadas do próprio gênero a fizeram brilhar e talvez sabendo que esses fatores foram o que mais agradou aos telespectadores, tudo isso foi aumentado ainda mais na segunda temporada.

A segunda temporada começa nos situando onde e como os cavaleiros e a Alyssa estão, cada cavaleiro não sabe que algum dia já foi um lobisomem e quatro membros da ordem ficam responsáveis por vigiá-los, enquanto nossa protagonista feminina fica sofrendo por seu amado não se lembrar dela e tenta descobrir quem tem praticado magia em estudantes. Provando a minha teoria acima, logo no primeiro episódio o quarteto já descobre suas verdadeiras identidades e se unem novamente como um grupo.

Se fosse alguma outra série, o fato de terem retirado a memória deles seria o grande arco da temporada e talvez na metade eles descobrissem a verdade e a outra metade seria em busca de vingança. O roteiro escolheu não enrolar, pois se provou ter muita história ainda para ser contada, o problema é que foi tanta história que eu terminei a série cansado e perdido devido a quantidade de histórias. Não me entendam errado, eu amei o fato de não enrolarem no plot da memória, mas podiam ter trabalhado mais como isso afetou realmente a vida deles, invés de passar um episódio inteiro mostrando um outro culto que no final do mesmo episódio todos terminam mortos.

Houveram tantas tramas e vilões apresentados que no final, o grupo Práxis não se tornou uma ameaça tão grande igual deveria ter sido. A Alyssa ter se tornado a “vilã” apenas no último episódio foi um grande erro, pois apesar de sua jornada trocando de lado ter se tornado plausível, ela poderia ter assumido tal posto a muitos episódios atrás, ela foi uma boa antagonista e diferente do Edward, ela tinha um propósito e era uma ideia tão interessante e complexa que em nenhum momento eu realmente a vi como vilã, apenas alguém que pensava diferente. A atriz Sarah Grey é de longe a melhor da série e talvez por tentar dar uma seriedade ao seu papel, ela seja umas das mais necessárias para manter um equilíbrio. A morte da personagem me pegou de surpresa e apesar de gostar dela, prefiro que permaneça morta, pois não acho interessante a volta dela dos mortos e suas consequências, há outras história mais interessantes.

Por falar em histórias interessantes, é preciso falar da Lilith. A única integrante feminina dos cavaleiros era de longe a menos interessante e isso porque ao longo da primeira temporada a personagem era praticamente um estereótipo ambulante, o tempo todo ela estava com uma cara amarrada e todas as suas falas eram direcionadas a violência, não havia um equilíbrio com alguma bondade ou comédia. Era tão pouco trabalhada os nuances de sua personalidade que no final soou completamente avulso e forçado o relacionamento dela com o Randall.

Na segunda temporada, resolveram dar mais destaque a personagem, mas foi uma repetição da história do Jacka, a dúvida sobre onde pertencer, já ter feito parte da ordem antes de ser uma lobisomem e ter um relacionamento com o “inimigo” (ignorando completamente o romance com o Randall), mas dessa vez sendo um relacionamento lésbico. Na primeira temporada havia um personagem gay, mas era quase um figurante, então fiquei feliz em ver personagens queer tendo destaque e sendo tratadas com naturalidade, como se deve ser, mas nenhuma dessas histórias é tão interessante quanto a apresentada no final da temporada. Se na próxima temporada Lilith ser a protagonista, eu não irei reclamar nenhum um pouco, pois espero que mostrem o que aconteceu com ela no Tártaro e principalmente como ela se tornou um demônio.

Mesmo a segunda temporada conseguindo explorar bastante seus personagens e expandido seu universo, essa temporada teve duas protagonistas. Com a morte do Edward, já era esperado que a Vera se tornasse a grande magus do clã, mas eu não esperava que isso fosse se tornar a melhor coisa na história da série. A atriz Katharine Isabelle parece que nasceu para esses tipos de série, pois ela tem um timing cômico excelente, ao mesmo tempo que conseguia se impor como uma líder e emocionar quando necessário, ela também conseguia apresentar um olhar debochado o tempo todo. Seu romance com Hamish não foi bem trabalhado, mas serviu para alguns momentos engraçados e eu espero que na terceira temporada haja ainda mais destaque na personagem, incluindo flashbacks contando sua história para entendermos quais foram as experiências tão traumáticas mencionadas no episódio 5. Sem dúvidas alguma Vera Stone é a minha personagem favorita da série!

A outra protagonista era quase uma figurante na primeira temporada e como a maioria, um estereótipo ambulante, mas por ter sido a resignada para vigiar o protagonista, a Gabrielle acabou ganhando tanto destaque quanto. A personagem era a mean girl visto em todas as séries, mas com o decorrer da história e suas interações com os lobisomens, vimos que como todas as outras, ela é apenas uma menina insegura e que não é tão má quanto se diz ser, só esse desenvolvimento já estava bom e sua relação com Randall vinha sendo bem trabalhada, sem dúvidas são o melhor casal da série, mas o roteiro se arriscou mais uma vez e tornou a personagem também em uma cavaleira de São Cristovão. As possibilidades são infinitas, ainda mais ela sendo a pessoa que matou a Alyssa e apesar da atriz ser fraca, a personagem conseguiu seu destaque e espero que aumente ainda mais.

É impossível terminar essa review sem falar dos momentos completamente “no sense” que já se tornaram parte da série, como esquecer os alunos sendo mortos de maneiras horríveis na frente de toda faculdade e nunca sequer ter havido uma investigação ou ter tido um demônio no campus tacando o terror e no episódio seguinte nada sendo nem mencionado ou quando o próprio roteiro tira sarro de si mesmo, quando uma figurante infectada começa a se declarar para todos e o próprio Randall e Hamish dizem que nunca tinham visto ela ate então e tem também o meu momento favorito que é quando a Alyssa canta “Habits” no karaoke e tanto a letra quanto o jeito corporal da personagem mostravam que na verdade ela estava em um grande conflito em relação ao Jack e enquanto ela cantava também nos era mostrado cenas da Vera pegando fogo e quase morrendo para no episódio seguinte estar pleníssima, apenas com um corte na testa e nada nunca foi se quer comentado. E vocês podem conferir essa cena a voz maravilhosa da Sarah aqui:

A ordem definitivamente não é uma série que vá concorrer em emmys ou algo do tipo, mas essa nem é a proposta dela, esse é o tipo de série para você ver sem pretensão, apenas para rir e se distrair. A segunda temporada se mostrou muito melhor que a primeira e espero que a terceira continue assim, pois há muitas histórias a serem contadas. Espero que haja mais foco na Lilith, quero ver como será a história da Gabrielle como lobo e como o Randall irá ajudá-la e também quero ver como a Vera irá se virar agora que é apenas uma humana. Vocês gostaram da série? Quem é o seu personagem favorito?

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Ives Gonçalves

Um carioca estudante de direito querendo se formar, viciado em x factor´s do mundo e que ama uma praia

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