Se perdendo no labirinto de Westworld

Olár my guests. Como combinado, cá estou eu ~Rob~ de novo, revezando essas reviews com o Lindo.

Depois de um piloto impecável e instigante, fiquei imaginando a série com um mil de produtos que viria a ser, entre eles: sci-fi faroeste maquinas se rebelam contra os homens filosófica. Só não imaginei que se tratava de uma série de mistério. Não mistério nos arcos, essencial a todo show, e sim o mistério como força motriz, impulsionadora do todo. Esse episódio só veio para confirmar isso.

Tudo em Westworld tem um motivo maior, vai para em lado desconhecido que ainda não nos foi dada situação, apenas mencionada. Vejam o labirinto. Dado como capitulo final do parque e motivação de seu personagem mais bad-ass, agora temos nessa busca: Dolores que nem sabe o que trata direito ainda, assim como nós, além de Wyatt (outro que só temos informação de boca), Tedd, Ford e Bernard (se tudo aquilo não for ilusão de Dolly, a pessoas mesmo, não o guaraná).

maze

A sensação ilha de Lost só aumenta. Todas as tramas acabam no mesmo círculo de mistério principal. Isso é uma coisa ruim? Claro que não. Só depende de como forem desenvolver isso aí. E olha, digo logo de cara, saiba segurar a onda e ir jogando suas revelações. Se apoiar demais num mistério maior que nunca chega pode desestabilizar as tramas. Não vá inserindo plots distração do objetivo principal, como parece ser o caso da luta Ford X Conselho. Fique fora do meu caminho, ele diz, o que provavelmente não dará em nada ou sequer contribuirá para o desenvolvimento principal, então, não!

O que quero saber mesmo de Ford é sobre seu novo projeto, que até o momento parece ser uma igreja enorme. Pode trazer mais sobre o paradeiro de Arnold também se quiser, que não se trata ser a mesma pessoa que o Homem de Preto, como sugerido em seu diálogo com a gangue.  Incrível as habilidades telepáticas de Ford para com os robôs. Nova atualização, ou ele desenvolveu muito bem a capacidade de se comunicar com eles. Pode ser só ligação paternal também.

ford

Dolly chega desmaiada ao fofo do William, que é o que a impede de não ter de retornar a seu looping. Ela agora parece estar atrás do labirinto, e não sabemos se foi programado por Bernard e Ford ou simplesmente surgiu do seu subconsciente. Quanto mais tempo sem ela voltar para a rotina melhor, maiores chances de seu sistema entrar em pane e ela nunca mais voltar. À espera desse desenrolar e de maiores motivações da personagem na busca do labirinto.

Dois pontos interessantes para mim foram: Uma frase que Dolores soltou no início do episódio para Bernard: Eu acho que queria ser livre. Devida a fuga, ela o diz ao ser questionada sobre o desejo de liberdade. Bernard responde que se ela chegar a tal lugar poderia ser livre, no caso o centro do labirinto.

Ela acha que quer livre, porque não sabe como é ser livre, nunca experimentou. Como sabemos o que queremos se nunca o vivemos? Talvez ela consiga a liberdade, chegue ao mundo dos humanos e se depare com mais dor e sofrimento, só que de um jeito diferente e pior, sem poder esquecer todos os dias. Talvez ela não goste dessa liberdade e queira a vida antiga de volta, como muitos negros que gostavam de ser escravos, por aquela lhes ser a única realidade. Mesmo depois da Lei Áurea continuaram a ser escravos por livre vontade. Você quer mesmo ser livre? Você sabe o que ser livre significa? Cuidado com o que deseja.

emocio

E peço até desculpas, não me entendam a mal. Não estou dizendo que alguém queira ser violentada todos os dias, isso ninguém merece ou justifica, só estou dizendo em relação a sua concepção de realidade e o não conhecimento do ser livre. Pessoas submetidas a longo tempo de abuso sentem saudade e amor pelo agressor por estarem acostumadas a essa realidade. Síndrome de Estocolmo.

Outro ponto foi o contraste William/seu amigo. William é o que impede seu amigo de atirar em Dolores. E apesar de doentio e sanguinário seu amigo não deixa de ter razão. Aquele mundo é de mentira, porque ficar com pena e se envolver demais com as maquinas? Só pode estar louco. Será que ainda vamos ver um Ex Machina caso aqui?

Maeve, que no começo parecia ter só mais um ameça Maeve de surtar ao ter lembranças, terminou com a sensação de que realmente um importante passo foi dado no alcance de sua consciência. A ideia de guardar o desenho do rosto de seus pesadelos é genial, e que surpreso ao ver que ela já vem fazendo isso há um tempo. A forma como os androides podem se lembrar do que aconteceu no passado, e que passos tomar a cada novo dia, está aí jogada. Quer jeito melhor de guardar, lembrar o que está se sentindo do que anotar, desenhar, escrever sobre no momento? Isso vale para a vida também.

Apesar de não apresentar o, nossa que grande avanço, sua cena final com Rodrigo Santoro (que está ótimo na atuação e com sotaque na medida do natural ~aprende no teu portunhol Wagner Moura~ mas que ainda não fez entender bem seu papel fora de lei que foge para quebrar tudo) vem divertida e excitante. Ela vai mais fundo e quer descobrir se o que sente é real, chegando a um parafuso. Maravilhosa. Me beija melada de sangue que nada disso importa mesmo. Vamos praticar gente.

maeve

Só espero que os personagens vão cada vez mais fundo que nem ela. Nada de ficar na superfície sem querer entrar e  sem se perder de vez nesse labirinto. Eu quero me perder todo. Falta Westworld me jogar e prender lá dentro. A serie continua ótima, mais pelas promessas. Esse foi o primeiro que comecei a senti o tempo passar de verdade. Mas nada de preocupante no momento, sei que a série tem e ainda vai entregar muito.

Como constatado no promo do próximo episodio, aqui, que traz Dolores rebelde armada de roupa nova. Chega logo por favor.

– P.S.: Que lindo ver esse início de transformação de Dolores ter saído de suas leituras de Lewis Carroll que a levaram a indagamentos existenciais. Nesse ponto eu teria visto que foi longe demais, e tá na hora de voltar. Onde já se viu, um robô pensando mais que muito humanos? Pois é, os livros fazem isso com a gente, nos fazem questionar e acordar para a realidade.

– P.S.: Sorry, mas ainda não consegui me apegar fortemente a nenhum personagem. Despertar aquela coisa passional sabe. Temos Dolores e o Home de Preto, ok. Só que falta um pouco mais para chegar lá.

– O Westworld é aqui: Dolores pode ter nascido para ser violentada, mas um mundo no qual, é mais fácil uma mulher ser estuprada, que morrer de câncer ou acidente (olha que só 30% dos casos de estupro são relatados devido a impunidade, tabu social entre outros), ou onde uma a cada cinco estudante universitária é abusada, não está muito diferente ou longe do seu. Fontes: aqui, aqui e aqui.

 

Robson Abrantes
Robson Abrantes

Estudante de engenharia na semana, escritor wannabe nas horas vagas e sonhador integralmente. Nem de exatas nem de humanas, renascentista. Morando em Campina Grande. Reinventando-se desde 92. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. Teve seu 1º contato com o mundo das séries nas madrugadas do SBT, e ainda segue agarrado a esse vício.
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