02 de novembro de 2016
Westworld – S01E05 – Contrapasso

“You say people come here to change the story of their lives.”

Olár pessoas, mais uma vez aqui, Robson, para discutirmos tudo que aconteceu nesse episódio de Westworld, agora um pouco melhor que semana passada. Be my guests.

Começou um pouco arrastado, me deixando apreensivo quanto o possível volta para o mesmo lugar. Conseguiu valer em seus minutos finais, diria que da metade em diante. Descobertas e repostas que só levam a perguntas maiores e mais dúvidas. Encontros inesperados na ligação de núcleos, dois deles envolvendo Ford. Um pouco de ação e atitude, tava mais do que na hora viu Dolores. E um chat mais perto da verdade para Maeve que nos deixou ansiosos pelo desenrolar. Nem tudo foi maravilhoso. Não. Mas vamos por partes.

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Dolores, disposta a ultrapassar limites, chegou uma zona diferente do jogo, quer dizer, cidade, cheia de fora das leis, onde o poder da federação não funciona, e onde você pode descer um nível na putaria e experimentar todo tipo de orgias de dar inveja a Caligula. Esse plot é um pouco problemático, vejam só.

Eles começaram decidindo se iam entrar na Pariah (suponho que Dolores foi só porque Logan quis), se envolveram com uns ex soldados confederados, encontram com El Lazo, para depois assaltar nitrogênio, dar um close na orgia, e arranjar uma treta por causa disso. Muito acontecendo, mas nada que prenda muito. E que cara chato aquele Logan, to me lixando pro seu interesse na loucura bizarra que surge do parque.

Dolores sim que vale. Chegamos a um ponto de sua evolução, que parece não ter mais volta para o que era. Seu momento com William foi bonito, assim como sua rebeldia e novo rumo de donzela para dona do destino (parece título de novela da Globo). Outro fato importante é a descoberta que essa, foi a última a falar com Arnold. O que só reforça o quanto ela é perigosa. Deve, esse tempo todo, ter sido programa para se rebelar em algum ponto, como fica claro eu seu dialogo. Ou talvez o Arnold deu um jeito de misturar sua alma a do robô e agora estar incorporado em seu sistema. Essa última seria uma boa, embora eu ache que Arnold esteja vivo materialmente.

Seu encontro com Ford me fez questionar em que momento aquilo se passou. Se ela precisa estar inconsciente no Westwolrd para estar no lado de cá, ou se ela pode continuar seguindo seu roteiro com o sistema trabalhando em áreas diferentes. Pode ter se tratado só de um pesadelo dele, mas mesmo assim ainda quero saber como isso funciona.

Outro que me bugou sobre as linhas temporais foi El Lazo. O Homem de Preto mata Lawrence num instante de um lado, para, num segundo, ele aparecer em Pariah no outro. Ou as histórias se passam em linhas diferentes ou existem múltiplos modelos, o que é ótimo para poupar com atores.

O Homem de Preto esfolou Law e com o sangue reavivou Ted, que agora virou sua nova chave para o labirinto. Ou Wyatt. Não, labirinto mesmo, tudo do personagem e do show (não todo por enquanto) convergem para lá.

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Sua conversa com Ford rendeu, mas esperava bem mais. Eles rodam rodam rodam e não soltam nada de concreto. Uma ameaça aqui, uma divagação ali, tudo muito nebuloso e vago. Gostaria que o show fosse mais direto as vezes, sem tantos arrodeios e migalhas de informação que nos dão. Eles têm que se ligar nisso ai, o que pode ser um problema, se manter numa base tão sem alicerce. Quero dizer o seguinte, quais as reais motivações de Ford? De Bernard? Para onde eles vão e porquê. Essa falta de aprofundamento me impede de apegar fortemente a qualquer personagem.

Uma revelação importante veio de Elsie. Depois de chantagear um operário necro perv (me fez lembrar aquele médico que abusava das vítimas quando anestesiadas), descobriu um satélite wi-fi no pulso do robô episódio três. O que os leva a pensar que alguém estava comandando o host todo esse tempo. Arnold? Não sei. Outra trama que cruza com ele, mas sem dar maiores informações sobre. Disse semana passada, e nessa a sensação Lost feelings é só aumenta. Dessa vez com Arnold, o que da ultima foi com o labirinto.

Pena que Elsie também veio na pior cena do episódio talvez do show. Pessoa branca fazendo piada sobre o pênis de um robô negro. Parece que ninguém teve o cuidado de reparar nas questões raciais que isso pode trazer, além da cena ser totalmente desnecessário e chata. Dispenso.

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Maeve chamando o açougueiro pelo nome foi uma boa surpresa, mas a grande custo. Não tenho motivos para querer ver cenas dele e seu amigo otário, que não relacionadas a uma virada assim. Detalhe interessante é: agora que ele começou a programar pode mudar a única linha de comando que impede os hosts de atacarem os humanos, como citou o guarda a Elsie em outro episódio. Espero que ele tenha feito isso no pássaro e agora faça nela.

Sobre ataque dos hosts: os dois ataques que Logan recebe no episódio, quase o matando de sufocado, atentaram ao ponto limite que eles podem ir. Será que tem alguma palavra mágica para eles pararem ou algo do tipo?

E sobre a teorias que andam rolando por aí: não li nenhuma e não pretendo. Se eu esbarrar com alguma ou com um spoleir, ok, mas não é algo que esteja procurando. Sou horrível em mistérios, sempre perco as pistas e nunca descubro nada. Então a graça da surpresa vem quase intacta para mim. Gosto mais assim, além do que quase toda série vem se sustentando nisso, então saber o que acontece antes da revelação pode abalar o desfrute do show. Caso alguma ganhe sucesso e chegue a meus comandos, tratarei sobre nas próximas.

O Westworld é aqui: Um mundo do futuro, do qual as pessoas partem para outro, de época, bucólico, intocado pela tecnologia, que só serve de proveito a seus visitantes. É a trama de Westoworld, mas se encaixa perfeitamente no capítulo da colonização. Os visitantes são os europeus, que chegam ao novo mundo para roubar, matar, e se divertir, enquanto os hosts são os índios, tribos indígenas e africanas, que só queriam viver sua vida pacata, mas acabaram servindo para uso e abuso das potências. Quando vieram dar conta da natureza de sua realidade, era tarde demais. Os colonizadores com suas armas dizimaram os nativos. Na série é fácil torcer pelo underdog, Dolores, mas na realidade sabemos muito bem quem ganha no final, praticamente extinguindo a outra população.

Robson Abrantes
Robson Abrantes

Estudante de engenharia na semana, escritor wannabe nas horas vagas e sonhador integralmente. Nem de exatas nem de humanas, renascentista. Morando em Campina Grande. Reinventando-se desde 92. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. Teve seu 1º contato com o mundo das séries nas madrugadas do SBT, e ainda segue agarrado a esse vício.
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  • Eduardo

    Tem umas passagens que me dão zzzzono, como as sessões de terapia entre Bernard e Dolores, mas estou gostando da série.
    Não acho que seja um novo Lost, até porque o mistério me parece simples e as tramas paralelas – Maeve, Homem de Preto, Teddy e Dolores – são bem conduzidas. A bagunça mesmo será na segunda temporada. Tô rezando pra não virar um “Terminator: The Dolores Chronicles”.

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