Westworld dando uma amostra do que é capaz

Olá meus convidados. Todos bem depois desse final de episódio? Espero que sim.

Tivemos uma ótima semana na série, dessas que ela estava precisando para se firmar como boa de verdade e chegar na parte final com uma base mais solida que um excelente começo. Os mais ávidos por rupturas irreversíveis, como eu, não tem do que reclamar. Morte abruta, revelação chocante e surgimento das garras de um possível vilão. Por partes.

Começando pelo elo mais fraco. Dolores e William continuam sua trajetória pelos limites do parque sendo primeiro atacados por confederados, distraindo-os com uma explosão para fugir, para depois ser por aborígenes, servindo os confederados como boi de piranha para fugir. Tudo me pareceu bem enche momento em tela a salvo seus momentos de romance.

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O que me admira em Dolores é sua obstinação em mudar e satisfazer suas necessidades, quais quer que se provem ser essas. Bonito ver ela se entregar a William e não aceitando aquele discurso sobre ser casado, querer fazer parte da história. Puff. Cara, please, bem menos.

Esse romance dos dois também não deixa de ser perigoso, não por vingança de Teddy ao descobrir toda essa sacanagem, coitado haha, mas pelo futuro e diferença de poderes na relação. Agora William está gostando, mas uma hora isso pode virar chato e leva-lo a se livrar convenientemente de Dolores.

Lembrando que o parque pode estar em diferentes linhas temporais, o mesmo sinal no canto da boca só alimenta as suspeitas de William ser o Homem de Preto.

Maeve, assim como Dolores, só que menos idealista e mais pragmática e perigosa, continua a busca pela verdade, que não deixa de ser liberdade por liberta-la. A verdade quando vem pode te libertar ou destruir tudo aquilo que você lutou para construir, um não sendo independente do outro. Deixando ótimos diálogos no caminho, diria os melhores. Não sei vocês, mas ela é a personagem que mais tenho me apegado.

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Senti ao ver sua migs do Bataclã ser desplugada pelo Sylvester. Mas agora que volta brincando, ela não alivia nas ameaças aos açougueiros, soltando vários textos marcantes e tendo a mais sensata ideia que alguém já teve nessa série. Fugir do parque. Parece óbvio não ficar nesse inferno ser a melhor maneira de evitar tantos abusos. Parece liberdade. Mas Maeve não sabe. Talvez o mundo daqui seja pior. Como Ford disse, eles ao menos tem a chance de esquecer as dores, aqui esquecer é vantagem.

Seria interessante ver como Maeve se desenrolaria do lado de fora, além de gerar uma ruma de possibilidades com o exploramento desse novo parque. Talvez já tenha até uma colônia de fugidos a la quilombos. Quem sabe fora ela tivesse mais recursos de começar a revolução do que em seu loop. E claro, toda sua improvisação pode ser um plano de Ford, depois desse episódio mais que nunca.

Quando Clementine ataca o japa, foi a primeira vez que notei uma leve preocupação e surpresa no rosto de Ford. Pode ser fake, mas acho difícil enganar esse homem, que tem se mostrado cada vez mais adiantado. Tereza, que foi bem alertada sobre cruzar com seu caminho aprendeu a lição. O homem não está para brincadeira e cada vez mais se revela um ardiloso vilão, sem querer entrar em maniqueísmos, já que a atuação de Hopkins é tão impecável que não permite, assim como o texto. Suas expressões ficam em algo entre calma e pena, vazio e prazer, inofensivo e perigoso.

No jogo do parque ou você ganha ou morre e Tereza não tinha como competir. Uma hora você acha que ela está por trás de uma grande conspiração, no outro você se descobre enganado e morto com ela. Sinceramente, não vi chegando. Coitada. Gostava de suas cenas e atuação. Não sei o quanto Ford tem moral com o conselho, a ponto de descarta-la facilmente, mas quem sabe ela volte sob forma de replica, montada e infiltrada por nosso querido Ford.

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Surpreendente foi ver Bernard, personagem fofo, relacionável, com uma história afetiva do filho e da mãe, diálogos bastante pessoais com Dolores e conosco, único dos humanos querido, se mostrar um robot pau mandado. Uma virada de lado era esperada (há até quem diga que Ford é um host criado por Arnold), mas esta soube deixar a cara no chão. Bernard não deve ser o único implantado e a ideia de robôs infiltrados nos humanos é maravilhosa. Dá o sentimento que qualquer um pode ser também daqui para frente.Um ponto aberto são suas conversas com Dolores, que tanto podem ter sido programadas pelo Doutor como podem ser uma anomalia inesperada e própria do personagem, o que coloca em cheque o controle total do criador, cada vez mais poderoso e onipresente.

Outro boa revelação veio na forma da integrante do conselho, Charlote. O verdadeiro interesse da corporação no parque obviamente não residia na diversão de uns cowboys. Diversão não é a fonte do capitalismo, tem que ter um lucro e interesse por trás. O interesse aqui é a data que vem se acumulando todos esses anos e que Ford pode apagar em questão de segundos. A tática usada pelo conselho de usar Tereza que não foi muito eficaz e sutil.

Elsie continua desaparecida, e ao mesmo que a quero ver na nova dinâmica que se instalará no ambiente de trabalho, torço para que seu corpo não apareça por aí no futuro.

São em momentos assim, quando a série para de insinuar e projetar e passa a revelar suas reais facetas, que ela brilha. Isso foi só uma pequena amostra, que nem esperávamos. Ela tem e promete bem mais de onde isso saiu. Agora é só esperar a colisão de todas essas intenções que promete nessa reta final.

O Westworld é aqui: Gente, o Westworld realmente é aqui, sem metáforas. Aqui Brasil não, Japão na verdade, fazendo valer sua fama de viver um século no futuro. É que lá tem um parque que nem o da série e filme: velho oeste, robôs e tiros. Sério. Criado nos anos 90 o parque fechou em 2007, quando uma de seus robôs mais antigas se rebelou e saiu matando todos os visitantes. Essa última parte é brincadeira, mas o resto existe sim, você pode conferir aqui.

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Robson Abrantes
Robson Abrantes

Estudante de engenharia na semana, escritor wannabe nas horas vagas e sonhador integralmente. Nem de exatas nem de humanas, renascentista. Morando em Campina Grande. Reinventando-se desde 92. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. Teve seu 1º contato com o mundo das séries nas madrugadas do SBT, e ainda segue agarrado a esse vício.
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  • Heloisa Martins

    Uma dúvida: e o lance de que os “anfitriões” não podem ferir os humanos? Eles explicaram essa mudança e eu perdi?

    • Robson Abrantes

      Olár heloysa, tudo bem?
      já estava com saudades de vc aqui, hbo lançar série sem vc acompanhar, onde se viu.
      e não, eles ainda não explicaram direito como isso funciona. Suspeito que tenha alguma palavra mágica que faça os anfitriões pararem de vez quando fora de controle, mas nada certo ainda.
      veremos.
      obg pela presença e participação;)

  • Cela

    As conversas de Bernard com Dolores podem ter se dado na linha temporal passada, e não necessáriamente serem uma anomalia ( sinceramente não Lembro se em alguma dessas conversas haja algo que ponha a baixo esse teoria)
    O cáso e que Bernard pode ter chegado perto demais da “verdade” e ter sido substituído por um robô assim como Teresa e Elsie provavelmente ( na verdade eu que torço por isso) serão.

    • Robson Abrantes

      Olár Cela, tudo bem?
      Não tinha parado para pensar nessa possibilidade de Bernard ter sido substituído, assim como Elsie e Tereza provavelmente serão.
      Isso também explicaria de onde vem as lembranças de Bernard com o filho e mulher.
      Obg pela presença e luz;)

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