23 de novembro de 2016
Westworld – S01E08 – Trace Decay

A sessão revelações deu uma acalmada só elevando as expectativas para o final. 

Olá meus convidados, prontos para mais uma visita ao parque?

Depois de um final surpreendente, nada mais normal que dar uma calmada. Não tivemos derrubadores de queixo como na semana passada e continuamos sem saber questões primordiais sobre a narrativa. Parece que Westoworld não quer impedir de fazer qualquer conclusão antes de sua linha de chegada. Longe de ruim, acho apenas um pouco arriscado para a série se deixar ser tão opaca. Essa semana acabamos com três tramas num cliffhanger de captura por aparentes inimigos e a formação de uma nova dinâmica nos bastidores preparando o terreno para um vindouro embate. Com umas pitadas de debate sobre a consciência humana.

Começando pelo elo mais fraco, como virou praxe toda semana, temos Dolores e William. Eles chegaram a uma zona recém atacada por Wyatt (?), muito parecida com outra desse episódio, do Homem de Preto, nos dando a impressão de um que um está próxima do outro, o que desconfiamos piamente. Dolores tem umas lembranças primas de seu nome, dolorosas, rs. Ela acaba chorando, abraçando e beijando William, e depois continuando caminho. Tudo parece meio repetitivo e sem sair do lugar, acho que já virou consenso, suas cenas são as mais chatas.

Veja só, seus flasbacks são só imagens que não tivemos contanto e não significam nada para gente. Não tem como aferir nada daquilo, tão ali só para nos instigar, querer saber mais, mas não surtem o efeito. Essa acaba por ser uma técnica pobre, jogar pedaços fragmentados sem significado do passado para nos deixar vidrados. Por favor, se vão fazer, façam direito. O que eu salvava aqui, e mesmo assim não quer dizer muito, é sua repentina constatação de que aquilo faz parte do plano de Arnold. Querer que ela lembre. Interessante, mas nenhuma novidade até então. Que ela faz parte desse plano maior de Arnold, sabemos. Findaram capturados por Logan, antigo parceiro, com o aviso de que estavam fudidos e cobiçados. Só espero que daí surja a ruptura de Dolores, para exterminadora assassina, e William, Homem de Preto.

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Tá na hora de confirma isso neah gente. Com a teoria em mente de que estamos em duas linhas do tempo diferente e William pode ser o Home de Preto, ver o episódio se torna uma sensação totalmente diferente. Não há nada para desmentir e os detalhes só apontam para confirmar. Como a da jovem que o Homem de Preto achava ter sido aposentada e foi a primeira a apresentar o parque a William. Também o fato de Will estar noivo e o Preto ter sido casado. Tudo parece se encaixar para isso e aguardo ansiosamente esse momento que as cortinas vão cair. Posso estar errado e o show, assim como Ford, antecipou meus passos preparando outro desfecho. Qualquer dois dos casos estaria satisfeito. A única opção que está fora de circulação é o não se tratar de nada mesmo. Tem que ter alguma coisa atrás disso.

O Homem de Preto declara que há um lugar do parque onde o jogo sobe um nível e traz consequências “reais” para os convidados. Não muito sobre. Ele preferiu contar um pouco de sua história, que acabou cruzando divinamente com a de outra personagem. Maeve. A medida que contava o desfecho de sua inofensiva descoberta do próprio eu (para que isso minha gente, quer se descobrir vai passar um ano mochilando pelo mundo, não matando criancinhas por diversão), suas cenas se confundem com a dela, numa relação de revival presente-passado evento traumático. Boa, pois além de revelar o desfecho de uma cena incompleta de Maeve (aprende aqui Dolores), nos mostrando mais de suas capacidades, personalidade e ferocidade pudemos sentir com ela de tristeza e amor, servindo de reposta a uma incrível indagação de Bernard no episódio.

O místico labirinto é detalhe aqui, o que mais gostei foi a forma como mostraram sua dor também ser real como a de qualquer mãe que tenha a filha atacada. Tira forças de onde não tem e até o último minuto luta pela cria. Eu vi o que nunca vi no parque, vida, diz o Homem de Preto. Com tantos loopings estranho seria se eles não sentissem. E interligando a pergunta de Bernard a Ford sobre o que faz a dor dos robôs serem diferentes da dos humanos. Nada. Por que ambas são validas no realismo e intensidade. Programado ou não, o robô sente por aquilo, como qualquer outro ser. Já dizia o poeta, cada um sabe a dor de carregar sua cruz. Como bem colocado por Ford, acontece que nós humanos, por termos consciência, nos sentimos acima do restante do mundo. Isso que faz diferença, consciência. Só porque o cachorro de rua não pensa como a gente não quer dizer que ele não sinta, o mesmo vale para o boi abatido para nosso almoço, qualquer animal que seja, até as plantas também devem sentir do seu jeito. O primordial instinto do feto o faz lutar para sobreviver quando abortado. Consciência não é requisito para sofrer. Então vamos tomar cuidado ao maltratar os animais e ao derrubar o celular, haha.

Maeve parece ter sido capturada pelos seus pesadelos e veremos como ela fara para continuar sua fuga. Sua trama não passou de repetitiva. O japa ia dar o reset, daí que surpresa, não deu, ela acordou, matou Felix, depois desmatou. Puff. Seu recém adquirido poder de fazer os anfitriões foi engraçado. Mas a obediência dos açougueiros já passou do forçada. Não sei porque raios eles ainda obedecem suas exigências podendo a ter desligado há um bom tempo. Westworld trabalha algumas coisas com calma quase parando no desenvolvimento, mas com Maeve eles não têm pena. Botam a mulher para agir rápido em tudo. A não ser que isso se trate de traços desenhados e planejados por Arnold ou Ford, muito bem não desceu.

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Ford segue no caminho para ser o grande vilão da saga. Frio, manipulador e ardiloso, ele parece estar no controle de tudo. Nem as mãos suja, usa seus lacaios para isso, sempre imbatível na construção de sua nova história. Ele abusa de seus servos na tramaucidade. Tá nem ai se eles se recuperaram dos baques cotidianos ou não. Possa você ter acabado de matar seu amor ou ter a filha razão de sua vida morta. Não importa. Esqueçamos e sigamos em frente. Sempre em frente. Fugamos de nosso passado, criemos um personagem, um novo eu, uma nova vida quem sabe. Quantos personagens você já viveu?

O contra-ataque tá chegando. Bernard pode não ter tido a força suficiente dessa vez (que atuação maravilhosa meu Deus, toda certa), mas a nova diretora parece ter se ligado na de Ford e começou a mexer suas peças. Puxou o roteirista e vai colocar pai Abernathy para fora da aposentadoria e parque. Sabia que esse não era o fim do personagem e espero que daí sai algo, quem sabe ele liderando a rebelião do lado de fora e enterrando o braço no pescoço de Ford. O Stubbs tá com cara de que viu uma inconstância e espero poder ver ele investigando e chegando a conclusão do que aconteceu com Elsie e Tereza. Já pode marcar Elsie como morta ou não?

As expectativas só aumentam e certeza mesmo só tenho que próxima semana será cheia de fugas. Do jeito que tá não duvido nada os roteiristas guardarem tudo para o último minuto. Não espera Westworld, faz favor, se entrega a todo momento, não guarda nada. Enquanto a espera estiver valendo e sendo preenchida desse modo, ok, sem problema. Só cuidado, quando demais, ela pode não valer.

E vocês, o que acharam? Alguma suspeita? Alguma certeza? Deixem no coments. Termino a review com uma dos diálogos de Ford:

“Não podemos definir consciência, pois ela não existe. Humanos se fascinam que há algo de especial sobre o modo que percebemos o mundo e mesmo assim vivemos no nosso looping, tão presos quanto os anfitriões vivem, nos perguntando sobre nossas escolhas, satisfeitos, na maior parte do tempo, em fazer o que nós é dito.”

O Westoworld é aqui: Teddy morreu mais uma vez, só que ele não é o único que nasceu para morrer. Ninguém escolhe como nasce, me pergunto o quão de nossa vida já foi marcada traçado no nascimento. Fato que o personagem foi mal escalado. Mais apropriado seria um tipo que morre a cada 12 minutos ou um com expectativa de vida de 35 anos (metade da média nacional!!!). Infelizmente cor e gênero definem sobrevivência.

Robson Abrantes
Robson Abrantes

Estudante de engenharia na semana, escritor wannabe nas horas vagas e sonhador integralmente. Nem de exatas nem de humanas, renascentista. Morando em Campina Grande. Reinventando-se desde 92. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. Teve seu 1º contato com o mundo das séries nas madrugadas do SBT, e ainda segue agarrado a esse vício.
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  • Heloisa Martins

    Duas indagações: 1) É a Elsie que aparece sendo enforcada pelo Bernard quando ele tem aquele vislumbre ao perguntar se o Ford já tinha forçado ele a machucar alguém antes? 2) Na visão da Dolores, é esta mulher que matou Teddy que aparece olhando e sorrindo para ela, e a Maeve aparece no canto esquerdo da tela tendo aula de dança?

    • Eduardo

      1) sim; ainda que Bernard estivesse com Theresa, por ser um anfitrião ele conseguiu encontrar Elsie rapidamente (a mesma transição de espaço-tempo quando os robôs saem do parque para conserto e voltam); 2) não sei, eu achei a dançarina (na época de Maeve) um pouco mais gordinha, não consegui relacionar as duas; 3) quando Dolores e William veem a igreja, isso me lembrou o final de “planeta dos macacos” original, não acha?

      • Robson Abrantes

        Sobre Elsie era ela sim e acho que o game over para ela.
        Sobre o flash não consegui relacionar também.
        Parando para perceber, realmente parece o final de Plante dos Macacos.
        Obg pela presença;)

      • Heloisa Martins

        3) Sim, parece mesmo…

    • robson a

      Sobre Elsie era ela sim e acho que o game over para ela.
      Sobre o flash não consegui relacionar também.
      Parando para perceber, realmente parece o final de Plante dos Macacos.
      Obg pela presença;)

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