Bem debaixo do nosso nariz.

Westworld veio construindo sua trama em cima de mistérios. Algumas vezes longo e lento ao mostrar suas intenções, mas sempre com cuidado. Cada passo, sutil, nada de mostrar demais (cuidados necessários pós GOT). Por mais vago que parecesse, você sabia que o show estava indo para algum lugar. Só não onde direito. Parte dessa nebolusidade se vai hoje com a resposta de uma das grandes perguntas da season. Quem é Arnold. Você está pronto? Cuidado, pode ser traumático.

Todos os núcleos se interligaram de algum modo, uns bem imprevisíveis, como o Mib, e outro que nem perto da finale consegue sair de sua bolha, você mesmo Will. Mas se for para estar guardando uma grande surpresa tá perdoado viu. Alguns jogadores (Maeve e Charlotte) preparam o terreno para um ataque, que possivelmente vira na próxima semana. Outros só continuam sua incessante busca por respostas, nos trazendo os melhores momentos do show. Vocês sabem de quem eu falo.

captura-de-tela-2016-11-28-21-30-19

Começamos com Maeve dando uma sacudida no Bernard. Acorda capitão do mato, você é um de nós, vai ficar fazendo esse serviço sujo do opressor contra um de seus próprios (um abraço especial para os latinos defensores de Trump). Boa sacada de Maeve dizer que não ia apagar sua memória, pois é o que fazem com eles. Essa conversa é suficiente para Bernard despertar a natureza de sua realidade partir e para cima de Ford, com tudo bem calculado.

Respirei aliviado por não ter de aturar os dois açougueiros chatos. Acho que essa cena foi a única que Maeve não teve de ficar nua no lab. Não aguentava mais vê-la correndo o risco de se resfriar. Uma dúvida veio disso. Será que os host só acordam nus quando estão dormindo no parque?

Ela encontra com Santaro para dar continuidade a seu plano de fuga. Para convencê-lo disto, ela prediz seu enredo, e indo mais fundo na desilusão, ela mostra como tudo pelo que ele lutara e almejara era previsível, sem sentindo, vazio, assim como o cofre, e os objetivos de vida de muitas pessoas por aí. Gostei de enfim ver na série dois robôs por vontade própria, sem nenhuma influência externa, se pegando feroz e ardentemente. Capacidade de desejar e amar só demostra o quanto eles são reais. Ou não. Segundo Schopenhauer, filosofo alemão, o amor nada mais é que uma ferramenta da espécie (meio infinito) usada para que nós (seres finitos) demos continuidade as gerações. Sobrevivência. Que no caso de Maeve caiu muito bem.

captura-de-tela-2016-11-28-21-23-11

Outro alivio foi Dolores ter escapado. William sempre atencioso meloso adorador incondicional da máquina que se envolveu (Her feelings) e Logan maníaco forçado cada vez mais desprezível, me fez temer por uma cena de estupro ao começar a passar os dedinhos nela. Que só piorou depois, com ela no meio daquele bando de urubu, prontos para devorar. Achei que ia acontecer uma repeat da história da mulher de Tyrion que foi abusada por todos os soldados do sogro. Fico feliz pela série estar dispensando o uso desses recursos chocantes e indigestos, apesar da fuga ter sido méh. Vamos deixar as comparações a Got só na praia mesmo. Fora que Dolores não merece, gente.

Ao menos descobrimos que Logan tem amigos no conselho, que dá força a certa teoria que Will pode ser um futuro investidor do parque e Homem de Preto. Pena que que a teoria das linhas temporais parece não valer mais, depois daquele final. Pena não, bom ser surpreendido, ver que a série se adiantou aos espectadores continua nos enganando, dizendo, não vai ser assim tão fácil descobrir meus segredos. Mas ainda há a possibilidade daquele final ser apenas flashbacks na cabeça de Dolores.

O que faz parte do conselho como sócio majoritário é o Mib. Inclusive sustentou a empresa por muito tempo, antes da entrada do conselho. O que me passou a imagem de um milionário que tá ali por sádica diversão, entediado, perdido e viciado num jogo real. Não gosta de ser atrapalhado e dispensa Charlote ao o ser, concedendo seu voto para afastar Ford. O que dificilmente acontecerá. Ford tem uma nova narrativa e melhor ninguém atrapalhar.

Bernard sentiu na pele. Agindo mais rápido e astutamente que esperávamos, Bernard encurrala Ford, e este em jeito, com uma Clementine à ameaçar, vai liberando lembranças para seu servo. Confrontando pela verdade com seu criador ele a teve. Seus primeiros flashes não trouxeram muita novidade. Só a de que as lembranças de seu filho eram reais. Foi tudo encenação, mas aconteceu. Morte de Tereza, morte de Elsie, muitas indagações e uma constante surgindo. Arnold.

Frio o momento que Bernard acorda para sua vida de serviço. Quem sou eu? Não me refiro ao nome. Mas ao verdadeiro eu. O nascer, o acordar para a vida é um momento tão lindo, que aqui passa sem emoções. Um ato banal, sem importância. Logo as tarefas de Bernard são passadas assim como sua verdadeira razão. Servir como cópia fiel de seu companheiro rival nos últimos dias de vida. Quando aquela foto foi mostrada meu queixo caiu. Como assim Brasil. Tudo muito bem intercalado com Dolores e sua fatídica conclusão de ser a responsável pela morte do Arnold. Muita bomba para uma só noite.

captura-de-tela-2016-11-28-21-32-23

Com um final de dar dó, Ford segue absoluto como odioso da série. Que homem nojento. Ele, como Deus, cria suas peças sem se preocupar com o mínimo de sofrimento que estará causando a estas. Vai destruindo tudo em seu caminho, inatingível. Assim como o Homem de preto. A hora deles está chegando. Espero que paguem mais cedo que tarde.

O promo do último episódio já está entre nós e as expectativas não poderiam estar maiores com tudo que foi entregado até então. Sou dessas bestas, que nem nunca dá conta do que está vindo até me ver surpreendido com a reviravolta em tela. Pedir por mais surpresas nunca é demais por aqui, pois sei que Westworld tem bem mais coelhos a tirar desse parque.

P.S. 1: Ribbins sendo pego por Ghost Nations que não obedecem aos comandos. Onde isso ira nos levar? Fim do personagem?

P.S. 2: Dolores ter matado Arnold me lembrou uma história que saiu no Times há mais de cem anos. Um lord tinha um imenso cachorro, que matinha sempre acorrentado, ao tentar acaricia-lo pela primeira teve como resposta seu braço arrancado por uma mordida, como recebendo do cão: “não és meu dono, mas meu demônio, que faz da minha curta existência um martírio”.

P.S. 3: As conversas de Bernard com Dolores foram explicadas então.

P.S 4: Teddy na verdade não matou vários soldados, mas sim a população de toda uma cidade.

P.S 5: Bernard passou para meu favorito. Jefrrey Wrigths merece palmas pela atuação. Impecável em demonstrar todos os sentimentos, assim como sua troca de Bernard para Arnold.

O WestWorld é aqui: Não são só os robôs que tem de obedecer cegamente a seus criadores. O livre arbítrio parece não existir na existência humana também. Nos achamos donos de nossos destinos, mas quanto de nosso futuro não já foi determinado só pelo nascimento? Não é só o cristianismo determinista, nossas escolhas que pensamos ser conscientes são na verdade respostas automáticas do cérebro. Ele toma as decisões antes de pensarmos, nos iludindo como se houvesse um eu por trás. Igualzinho a um computador. Tá tudo na genética, no seu code. Dela não dá para fugir. Se acha especial, mas boa parte do que você é já foi definido pelos seus pais, suas doenças, seu país, seu meio, suas experiências pessoais. Não dá para fugir da vontade de seu criador, Ford Lord.

Se acha especial, mas Shopenhauer avisou: “Os homens assemelham-se a relógios a que se dá corda e trabalham sem razão. E sempre um homem vem a este mundo o relógio da vida recebe corda novamente, para repetir, mais uma vez, o velho e gasto estribilho da eterna caixa de música, frase por frase, com variações imperceptíveis.”

Fontes:

O livre-arbítrio não existe, dizem neurocientistas

 

Robson Abrantes
Robson Abrantes

Estudante de engenharia na semana, escritor wannabe nas horas vagas e sonhador integralmente. Nem de exatas nem de humanas, renascentista. Morando em Campina Grande. Reinventando-se desde 92. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. Teve seu 1º contato com o mundo das séries nas madrugadas do SBT, e ainda segue agarrado a esse vício.
Deixe-nos um comentário!
  • Heloisa Martins

    “Pena que que a teoria das linhas temporais parece não valer mais, depois daquele final.” Eu acho que, na verdade, agora é que valem porque “ainda há a possibilidade daquele final ser apenas flashbacks na cabeça de Dolores”.
    Vou confessar que o começo da série foi beeeeeeeeeeeem maçante pra mim. Sinceramente passei a gostar mesmo depois do 7º episódio. Hj dou graças a Deus por não ter desistido. Pra mim também era um pouco difícil ver um homem brincando de Deus e tentar entender a lógica dos anfitriões, mas agora vejo que dá para abstrair e fazer paralelos com a vida. Que venha o último episódio!

    • robson a

      Olár Heloisa, tudo bem?
      Sim, deve tudo ser flashback mesmo,
      essa questão das linhas temporais deve ser respondida nesse último episódio com a fuga de Maeve.
      Achei meio fraco no meio, mas agora vou para o final bastante satisfeito e confiante com o que vão nos entregar.

%d blogueiros gostam disto: