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YOU – Season 2 – O assustadoramente encantador e o intensamente bizarro

YOU nos coloca numa corda bamba de emoções, muitas vezes difícil de equilibrar.

A segunda temporada de YOU acabou de chegar à Netflix, e depois de uma primeira temporada bem-sucedida e controversa, ficamos pensando o que viria pela frente. De cara, a nova temporada já nos leva pra Los Angeles, cidade clichê de séries do tipo, mas depois de um tempo soou perfeita. O background da volta de Candace, a perseguição a Joe, as justificativas pra mudança de ares, tudo é explicado logo no primeiro episódio, nos dando a tônica do que viria pela frente.

Sem dúvidas, Candace é a personagem mais aguardada dessa segunda temporada. Ao longo dos episódios vemos inclusive como ela conseguiu escapar de Joe e voltar pra persegui-lo. Acho super engraçado como ela se tornou tão maníaca quanto ele, mas dessa vez por sede de vingança. De forma geral, Candace é uma personagem carismática, mas que acaba se tornando chata por não agir de forma mais direta, por demorar tanto pra entregar a vingança que tanto esperamos.

Falando propriamente do protagonista, Joe é agora Will Bettelheim, identidade roubada de outro trambiqueiro, que inclusive está preso naquela jaula de vidro. O engraçado é que depois de um tempo Joe liberta ele e inclusive viram amigos. A síndrome de Estocolmo vem como? Joe segue a mesma tônica da primeira temporada: stalker, perturbado, inventando situações, criando expectativas bizarras. A bola da vez é Love, que a princípio parece uma menina bem bobinha, mas ao longo dos episódios vemos que os dois acabam por nutrir uma relação bem bizarra. Love tem problemas familiares tão pesados quanto os de Joe, e a relação com seu irmão mostra bem isso.

O passado de Joe foi algo trazido nessa temporada. Mostra bastante todas as questões por trás da relação de proteção com sua mãe, da relação de violência doméstica que ele viveu, a questão de ter matado uma pessoa logo aos 9 anos de idade. O sociopata Joe não surgiu do nada, foi uma construção do que passou quando criança, seguido da rigidez do dono da livraria (que descobrimos ser um ex-combatente soviético) durante sua juventude.

A nova temporada vem cheia de referências, e a principal delas é sem dúvida à Dexter. A icônica série é lembrada em diversas cenas e inclusive citada por um dos personagens ao longo dos capítulos finais. Querendo ou não, é impossível não perceber a conexão entre Joe e Dexter, principalmente nessa questão de punir as pessoas ruins, matar quem pode fazer mal a alguém que ele se importa. A diferença principal é que Dexter pesquisava suas vítimas criminalmente, tendo certeza de seus crimes (na maioria das vezes) e as punindo por isso, enquanto Joe se baseia nos comentários alheios, pesquisas de redes sociais e acaba escorregando no “propósito”.

Os novos personagens da temporada dividem opiniões. Delilah é um amor, mas sua irmã Ellie é uma chata. Love é uma personagem super complexa e incrível, enquanto Forty é um chato mimado. De forma geral, são personagens importantes pro contexto da temporada atual e das futuras, apesar de alguns já terem morrido. Love e Ellie são minhas apostas fortes para a terceira temporada, cada uma cumprindo um papel na vida de Joe.

Falando um pouco do roteiro e do enredo, eu notei algo que não havia prestado atenção na temporada passada. Joe fala MUITO a palavra “you” ao longo dos episódios, e sempre de maneira enfática. Ao mesmo tempo, em diversos momentos ele foca no “me”, mostrando que a temporada é mais sobre ele do que sobre qualquer personagem secundário. Busquei na internet a informação de quantas vezes ele fala essas palavras, mas não consegui encontrar. Fato é que não estão aí por acaso. O enredo principal de YOU é meio óbvio, inclusive na primeira temporada. O legal aqui é os meios que levam à resolução desse enredo. O episódio da contagem regressiva é ótimo, um dos melhores da temporada e da série, com um final épico também. O episódio seguinte também é legal, uma vez que estamos buscando descobrir o que Joe fez enquanto estava chapado. Uma clássica montagem de quebra-cabeça, que empolga.

Esses recursos são muito bem utilizados em YOU, incluindo, claro, a narração super envolvente de Joe. Desde a primeira temporada eu acho que este é o trunfo da série. A forma como Joe vai descrevendo seus sentimentos, suas ações, te faz ser parte daquele universo. Te faz entender a motivação dele. E aí é que tá o problema também. Isso acaba romantizando um pouco esse personagem problemático, levando à diversos posts nas redes sociais de pessoas dizendo estarem apaixonadas por Joe. A mesma questão já havia sido levantada na primeira temporada, mas segue valendo pra essa. A intenção dos roteiristas, na minha opinião, é chocar mesmo, colocar um cara bonito, envolvente, com o perfil típico de um psicopata, pra nos fazer perceber que não estamos imunes a nos envolver e torcer por esse tipo de pessoa, dependendo das motivações.

A virada da temporada é realmente eclosão de Love do seu casulo. A revelação de ela ter sido a responsável pela morte de Delilah, de ela estar grávida, de ser um ser humano tão horrível quanto Joe… Love é uma personagem fantástica, porque ela foi construída de uma maneira bem calma, tranquila, enquanto perseguia Joe tanto quanto ele perseguia ela. É isso que estava querendo ver. Agora Joe vai ter que enfrentar sua versão feminina, e não sei por quanto tempo ele vai aguentar a pressão.

Sem mais delongas, YOU não é uma obra-prima. Longe disso. A série acaba se escorando em fórmulas passadas e um enredo principal meio óbvio. A magia, por outro lado, está na relação que criamos dentro de nossas mentes pra tentar condenar ou inocentar Joe, indicando todas suas falhas, e tentando entender se agiríamos da mesma forma na pele dele em algumas situações. Penn Badgley surpreende mais uma vez com o personagem, trazendo até uns trejeitos de olhar e rosto que são detalhes, mas que fazem a diferença.

YOU é uma boa forma de entretenimento, tem uma história envolvente, e te faz querer mais. A segunda temporada é inferior a primeira, mas ainda mantém o que de melhor a série tem. Vale a pena assistir, de preferência devorar, pois um episódio está intimamente ligado ao outro. Você não vai se arrepender.

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Gerson Elesbão

Um @gerson incomoda muita gente, um @gersonrealoficial incomoda incomoda incomoda muito mais! É DC, é Marvel, é Netflix, é reality. Se a série for boa, chama no probleminha, bebê!

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