Posts Populares

Zoey’s Extraordinary Playlist – Season 1 – Uma série leve que evidência o poder da música

Zoey’s Extraordinary Playlist, da NBC, é uma série criada por Austin Winsberg e produzida por Dan Magnante, Mandy Moore e Michael Cedar. Após vivenciar um terremoto dentro de uma máquina de raio X ouvindo música, Zoey Clarke, uma programadora de computador, ganha o poder de ouvir os pensamentos mais íntimos alheios através de canções performadas por eles mesmos.

Em 2009 estreou Glee, série de comédia musical que abordava diversos temas que para época eram considerados tabus e dava voz à minoria. A série foi um grande sucesso e possui fãs até hoje, suas versões das músicas vendiam muito e até show chegaram a fazer. Com o fim da série, vieram muitas outras tentando seguir a mesma linha, mas nenhuma havia conseguido trazer aquela emoção através da música, até agora…

A premissa de Zoey’s é um pouco peculiar e até mesmo louca, mas se der uma chance, tudo é muito bem explicado e logo já estamos introduzidos naquele universo. Diferente de Glee, essa não é uma série teen, muito pelo contrário, o universo dela se passa entre o trabalho da protagonista e sua relação com a família. Esse é o ponto principal da série, não há coreografias enormes ou pessoas que nunca se conheceram sabendo a mesma coreografia, tudo se passa na cabeça da Zoey e todas as músicas cantadas mostram para ela o que a pessoa está passando e não é esse o verdadeiro sentindo da música? Quem nunca gritou as letras de uma música enquanto ela tocava, pois expressava aquilo que você estava passando? Indo de Beatles e Whitesnake à Dj Khalid e Jonas Brothers, a série acerta em cada música escolhida.

Jane Levy, nos entrega inicialmente uma Zoey clichê, uma mulher tímida que vive focada apenas no trabalho e na família, se alienando a todo resto. Por nunca ter feito muita questão de olhar fora da sua bolha, vê-la desconfortável tendo que passar a lidar com pessoas que sempre estiveram a sua volta, mas que nunca chegou a conhecer realmente, deu uma dinâmica única e engraçada a série.

Com o passar dos episódios, vemos Zoey aprendendo cada vez mais a confrontar seus medos, ajudar ao próximo e abraçando seu poder. Com destaque para o episódio 8, onde a personagem passa a expressar os seus sentimentos através das músicas, devido a sua negação ao futuro do seu pai. Esse de longe é o melhor episódio da série, há um aprofundamento enorme da protagonista e sua declaração para seu pai no final é emocionante.

Como qualquer outra série, há um triângulo amoroso e nessa aqui não há diferença. Há muitos fãs que são #TimeMax e alguns que são #TimeSimon, eu particularmente sou apenas #TimeZoey. Não importa o quanto o roteiro tenha tentado romantizar o personagem, Simon continua sendo alguém que traiu a noiva e foi muito antes do beijo, a conexão que eles alegam tanto ter havia deixado de ser amizade fazia tempo. Na verdade, tirando as relações parecidas com seus pais, eles não tem mais nada em comum e uma hora esse será o fator que pesará na escolha da Zoey.

Acho que oitenta por cento do fãs são #TimeMax, ele é o melhor amigo que sempre esteve apaixonado, está ali por ela sempre que precisa e é interpretado pelo carismático Skylar Austin. O último fator é sem dúvidas o mais importante pela preferência tão grande do público, e se tivesse que escolher entre ambos, eu preferia o Max também, o meu problema com o personagem é que como qualquer outro homem, ele não conseguiu lidar muito bem com a rejeição.

Eu sou homem e sempre estou disposto a aprender e corrigir os erros que somos ensinados a ter e ao acompanhar a história, eu pude perceber o quanto o Max cometeu atos machistas. Ao perceber que sua amada não corresponde da mesma forma, ele começa a pressioná-la para dar um motivo, porque na cabeça de nós homens é impossível uma mulher simplesmente não querer ficar com a gente porque ela não quer, tem que haver um motivo maior para rejeição e essa insistência e posteriormente rancor do personagem me irritou.

Em contrapartida, se tem algo que algo que a série acerta é na personagem Joan, chefe da Zoey. Inicialmente ela é apresentada como a chefe durona que não se dá o trabalho de gravar o nome dos funcionários, porém mais tarde é nos revelado que ela vive em um relacionamento abusivo com seu marido. O episódio que aborda esse tema conseguiu ser engraçado em alguns momentos, mas também foi sério nos momentos que precisava, como a cena em que a Joan confessa que teve que pedir desculpas mesmo estando certa, representando tantos outros relacionamentos abusivos e ao final com ela cantando “Roar” ao finalmente se libertar daquele relacionamento me arrepiou.

Diferente dos outros problemas alheios acompanhados pela Zoey, o da sua chefe durou mais do que um episódio, pudemos ver os estágios da personagem indo da tristeza ao empoderamento e ver amizade entre as duas únicas mulheres do trabalho se fortificando cada vez mais. O curto relacionamento entre a Joan e o Leif foi outro acerto, pois fugiu do óbvio, invés de ser uma mulher bem sucedida apaixonada pelo funcionário ganancioso, tivemos quem era até então o antagonista completamente apaixonado por sua chefe, enquanto ela só queria uma curtição.

Eu concordo plenamente com a Rupaul quando ela afirmou que o Alex Newell é um dos melhores cantores da atualidade e por ser o único cantor profissional no elenco, todas as versões cantadas por ele são de longe as melhores, mas a sua personagem no início me incomodava bastante. Mo é genderfluid, ou seja, se identifica com ambos os gêneros, igual ao ator que o interpreta, mas o meu problema com a personagem era que ela era basicamente o personagem LGBTQI+ melhor amigo da protagonista que não tem uma história própria, ou seja, a série utilizava o queerbaiting.

Ao acompanhar a série, eu percebi que estava errado, na verdade, no início cada personagem regular tem um episódio focado nele e por isso não há muito destaque para a melhor personagem da série. O episódio focado na Mo é muito interessante e foi para um lado que eu não imaginava. Ser da comunidade LGBTQI+ e ter religião, é sempre algo que diverge muito, mas não para Mo, ela tem a fé dela e não tem problema com isso e nem a igreja escolhida tem com ela, seu problema envolve outras questões que não necessariamente tem haver com o não pertencer aquele lugar, foi uma discussão inovadora e educativa. Após ter um episódio focada em si, assim como a Joan, Mo só cresce na série ganhando um par romântico e questões próprias sendo abordadas.

A parte mais emocionante da série fica por conta da relação da Zoey com sua família, seu pai é incapaz de se comunicar verbalmente por ter uma doença neurológica rara chamada Paralisia Supranuclear Progressiva (PSP), mesma doença que vitimou o pai de Austin Winsberg, criador da série. Durante essa primeira temporada vemos a família se adaptando a essa situação e o roteiro faz questão de dar destaque a todos da família e como eles se sentem. Todas as cenas com o Mitch cantando são muito emocionantes, pois é única maneira que ele consegue se comunicar.

Zoey’s Extraordinary Playlist aquece nosso coração e nós faz rir e chorar com a mesma facilidade. A série emociona através do poder da música e gostaria de encerrar a review com a perfomance da Sandra Mae, uma atriz que assim como sua personagem é muda e igual a todos os outros, a música consegue mostrar mais que qualquer outra forma como ela está se sentindo.

 

 

Talvez Você também goste de...

gostou da matéria? deixe um comentário!

Ives Gonçalves

Um carioca estudante de direito querendo se formar, viciado em x factor´s do mundo e que ama uma praia

Tema por Gabriela Gomes Todos os direitos reservados ao Panela de Séries